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Cantor global que vive a castidade concede entrevista a Cecilia

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Entrevista com Felipe Alcântara (Os Gonzagas)

Muita gente não sabe, mas uma semana antes do programa da Fátima Bernardes, eu vivi uma crise sem saber discernir o que Deus queria de mim. Durante uma pregação na comunidade que faço parte (Fraterno Amor) passei a perceber que eu gastava mais tempo com a banda do que com Deus, e aquilo me consumiu de uma forma que me fez repensar se realmente a banda era para mim. Então pedi ao meu formador pessoal (e fundador da Comunidade), Andrei Alves, que rezasse comigo e me ajudasse naquele momento de tantos questionamentos e incertezas. Foi quando ele depois de uma longa formação e conversa, rezou comigo e pediu a Deus sinais claros se era vontade dEle ou não eu estar na banda. E exatamente uma semana depois recebi uma ligação da produção do programa perguntando se havia alguma problema em abordar o tema castidade, já que souberam através de um amigo que eu vivia essa realidade. Conversei com Rafa (já que o tema a envolvia também) e com meu formador, e ele nos mostrou que aquela era a oportunidade que Deus tava dando para eu testemunhar o amor dEle. Fiquei muito nervoso em falar, mas o Espírito Santo me conduziu naquele momento. Me senti surpreso com a repercussão e com a proporção que a minha fala tomou. Não esperava de forma alguma, é tanto que na hora que o programa acabou as pessoas da plateia e da própria produção vieram falar comigo e parabenizar pela coragem, mas eu não entendia pq aquele tema tinha gerado tanta surpresa. Quando cheguei ao camarim meu celular estava cheio de mensagens de vários lugares do mundo, e ai passei a entender o quanto os valores do mundo estão invertidos. Passei a perceber o quanto nós católicos nos omitimos em falar das nossas experiências com Deus, o quanto somos egoístas em guardar só para nós as maravilhas do Bom Deus (como diz Santa Teresinha) e o quanto é importante darmos testemunho desse amor, não na intenção de convencer, pois amor não é convencimento, e sim na intenção de contagiar, pois amor se troca, não se compra. Como disse São Francisco: “Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único Evangelho que as pessoas tenham”

5 – Vou mais além: quem é o Felipe antes e depois de viver aquilo que a Igreja recomenda?

A castidade foi uma das melhores escolhas das nossas vidas (minha e de Rafa), pois passamos a entender o verdadeiro significado do amor. Para quem enxerga de fora a castidade, parece ser apenas a abstinência do sexo, mas quem vive sabe que primeiramente é uma grande prova de amor a Deus, pois você por amor a Deus abre mão do seu tempo de desfrutar de algo que lhe dar prazer, para viver o tempo de Deus. A castidade é um exercício de amor a Deus, autocontrole, amadurecimento na relação e acima de tudo amor e respeito ao parceiro. Viver a castidade é colocar o amor a frente da relação, é entender o verdadeiro significado do matrimônio. Vivemos em um mundo que muitos valores estão invertidos, as pessoas não tem paciência para mais nada, e os prazeres se tornaram banais. Poder caminhar ao lado de alguém que você ama, tendo o amor de Deus como objetivo, é algo que não tem explicação. Viver a castidade só é possível com Deus, entregando diariamente todos os seus desejos, pensamentos, e vontades nas mãos de Deus, para que Ele possa lhe ajudar.

6 – E sobre seu casamento – que pelo jeito já tem data marcada -, como está a expectativa?

Não vemos a hora de subir ao altar e poder dizer sim a Deus, e firmar esse compromisso de amor. Já está bem perto, e a medida que o dia vai chegando, o coração vai acelerando e a gratidão a Deus em poder senti-lo sempre por perto só aumenta, pois sabemos que nosso amor é fruto da vontade de Deus, pois duas pessoas tão diferentes se juntarem só tem uma explicação, Deus quer a nossa santificação, percebemos que o fato de sermos diferentes faz com que estejamos sempre exercitando nossa humildade, paciência, e deixando Deus nos guiar com muito amor. Entendi que Rafa me tira da zona de conforto, me faz viver com mais fé, pois cada passo que damos, é entregue a Deus.

7 – E para encerrar, quero lhe dizer que voce não está só. Outros cantores que atuam no meio secular também vivem sua fé sem terem renunciado à carreira. É o caso do cantor italiano Nek e do cantor e ator mexicano Eduardo Verástegui. É possível conciliar carreira e fé, Felipe? Como transformar esse trabalho em missão?

Sei que essa missão Deus reservou para muitos filhos dEle, pois não é só na música que devemos ser luz no mundo, acredito que em qualquer profissão devemos carregar a marca de Cristo. Quanto a música, sem dúvida é um ambiente que nos deixa muito expostos as tentações do mundo, diariamente somos provados através de várias ofertas que ferem o que Deus quer de nós –  álcool, drogas, prostituição, ambientes extremamente inóspitos da presença de Deus -, enfim, é uma realidade, que outras profissões também enfrentam, mas talvez a frequência que nos deparamos seja um pouco maior. Entretanto, dá sim para conciliar, mas para isso busco estar sempre em comunhão com Deus, rezar sempre antes de sair de casa, confessar, participar da santa missa, o terço é uma arma que carrego sempre no bolso, e cada lugar que piso consagro a Jesus Cristo pedindo para que Ele cante comigo, fale por mim e haja por mim, pois se estou ali algo muito maior do que sou capaz de enxergar Ele quer de mim. Sou consciente de que sozinho não sou capaz de caminhar, então peço que Deus esteja sempre a me conduzir. Busco com isso transformar minha profissão em uma verdadeira missão, dando sentido a todas as coisas e tendo como objetivo levar coisas boas as pessoas, que muitas vezes carecem de um simples sorriso, ou um simples abraço, muito mais do que qualquer quantia, ou foto ou qualquer coisa do tipo, busco do meu jeito amar, e as vezes um boa noite é capaz de fazer aquela pessoa se sentir amada.

Por Mirticeli Dias

Veja também: https://globoplay.globo.com/v/5089880/

 

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