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“Como papa, eu também acolho e acompanho pessoas homossexuais”

© LUCA ZENNARO / POOL / AFP
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Entrevista com o Papa Francisco no retorno da Geórgia

Por Andrea Tornielli

No voo de volta de Baku, Francisco explica por que condena a teoria de gênero nas escolas, mas também porque os homossexuais devem ser acompanhados e “aproximados ao Senhor”: “Hoje, Jesus faria assim”. Ele conta ter recebido no Vaticano uma jovem que mudou de sexo. Entre as próximas viagens, Índia e Bangladesh, e ainda um consistório para a criação de 13 novos cardeais. “Eu gostaria de ir para a China, mas não é preciso fazer as coisas com pressa.”

“Também como papa eu continua acompanhando pessoas com tendência e prática homossexuais.” Foi o que disso Francisco ao responder às perguntas dos jornalistas que, no voo de Baku para Roma, pediam-lhe explicações sobre a dureza das suas palavras sobre o gênero, pronunciadas no sábado, 1º de outubro, na Geórgia. O papa contou sobre o encontro com uma pessoa que mudou de sexo, recebida por ele recebeu no Vaticano, e falou sobre as próximas viagens, sobre o iminente consistório, sobre a China, sobre as eleições estadunidenses e sobre o conflito entre Armênia e Azerbaijão.

O senhor falou do gênero que destrói o matrimônio. Como pastor, o que diria para uma pessoa que sofre há anos com a sua sexualidade e que sente que a sua identidade sexual não corresponde com a biológica?

Eu acompanhei, na minha vida de sacerdote, de bispo e também de papa, pessoas com tendência e com prática homossexuais. Acompanhei-as e as aproximei ao Senhor. Algumas, eu não posso… Mas as pessoas devem ser acompanhadas como Jesus as acompanha. Quando uma pessoa que tem essa condição chega diante de Jesus, Ele certamente não dirá: “Vai embora, você é homossexual!”. O que eu falei foi sobre a maldade que hoje se faz com a doutrinação da teoria de gênero. Um pai francês me contava que, à mesa, ele estava falando com os filhos e perguntou ao menino de dez anos: “O que você quer ser quando crescer?”. “Uma menina!”. E o pai se deu conta de que, nos livros escolares, ensinava-se a teoria do gênero, e isso é contra as coisas naturais. Uma coisa é que uma pessoa tenha essa tendência ou essa opção, ou mesmo aqueles que mudam de sexo. Outra coisa é fazer o ensino nas escolas nessa linha, para mudar a mentalidade. Estas eu chamo de “colonizações ideológicas”. No ano passado, eu recebi uma carta de um espanhol que me contava a sua história de criança e de jovem. Antes, era uma criança, uma jovem que sofreu muito. Ele se sentia menino, mas era fisicamente uma menina. Ele havia contado à sua mãe, dizendo que queria fazer a cirurgia. A mãe lhe pediu para não fazê-la enquanto ela estivesse viva. Ela era idosa, morreu logo. Ele fez a cirurgia, agora é funcionário de um ministério na Espanha. Ele foi ao encontro do bispo, e o bispo o acompanhou muito. Um grande bispo, esse. “Perdia” tempo para acompanhar esse homem. Depois, ele se casou, mudou essa identidade civil, e ele – que ela era, mas é ele – me escreveu que seria uma consolação ir ao meu encontro. Eu o recebi. Ele me contou que, no bairro onde ele morava, havia um velho sacerdote, o velho pároco, e havia o novo. Quando o novo pároco o via, ele gritava da calçada: “Você vai para o inferno!”. O velho, ao contrário, lhe dizia: “Há tempo tempo você não se confessa? Venha, venha…”. A vida é a vida, e as coisas devem ser tomadas como vêm. O pecado é o pecado. As tendências ou os desequilíbrios hormonais causam muitos problemas, e devemos estar atentos para não dizer que tudo é a mesma coisa: cada caso, acolhê-lo, acompanhá-lo, estudá-lo, discernir e integrá-lo. Isso é o que Jesus faria hoje. Por favor, agora não digam: “O papa vai santificar os trans!”. Já vejo as primeiras páginas dos jornais… É um problema humano, de moral. E deve ser resolvido como se pode, sempre com a misericórdia de Deus, com a verdade, mas sempre com o coração aberto.

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