Vatican Insider

Papa Francisco: “Devemos rezar não para vencer a guerra, mas para vencer a paz”

Papa Francisco: “Devemos rezar não para vencer a guerra, mas para vencer a paz”

© Antoine Mekary / ALETEIA

Por Giacomo Galeazzi

“Devemos rezar não para vencer a guerra, mas para vencer a paz” – exortou Francisco. “Rezar é lutar, não é refugiar-se num mundo ideal, não é evadir-se em uma falsa tranquilidade egoísta”. Na fachada da basílica vaticana estão os retratos dos sete beatos proclamados santos no domingo, 16 de outubro. Na Praça São Pedro estavam as delegações oficiais e muitos grupos de peregrinos de seus cinco respectivos países. Os novos exemplos de santidade “alcançaram a meta, tiveram um coração generoso e fiel, graças à oração: rezaram com todas as forças, lutaram e venceram”.

Na homilia da missa, Francisco comentou as leituras do dia e convidou para ser homens de oração. Este, recordou o Pontífice, é “o estilo de vida espiritual que a Igreja nos pede: não para vencer a guerra, mas para vencer a paz”. O compromisso da oração, de fato, “necessita do apoio do outro. O cansaço é inevitável; por vezes, já não a conseguimos fazer, mas, com o apoio dos irmãos, a nossa oração pode continuar, até que o Senhor leve a bom termo a sua obra”. E esta, insistiu Bergoglio, é a forma como age um cristão: “estar firmes na oração para permanecer firmes na fé e no testemunho”.

Um grande aplauso encheu a Praça São Pedro quando, durante a missa de canonização, o Papa Francisco leu a fórmula ritual para proclamar os sete novos santos. Havia muitos devotos de Isabel da Santíssima Trindade Catez, irmã professa da Ordem dos Carmelitas Descalços, a primeira a utilizar a expressão “Deus Mãe” em seus profundos escritos espirituais, e que antecipou os magistérios de Luciano e Bergoglio nesta matéria.

Concelebraram a missa com o Pontífice o cardeal Jorge Urosa Savino, arcebispo de Caracas, Javier Navarro Rodríguez, bispo de Zamora (México), Manuel Herrero Fernández, bispo de Palência (Espanha), Ricardo Pinila Colantes, superior geral dos Filhos de Maria Imaculada, Giuseppe Giudice, bispo de Nocera Inferiore-Sarno (Itália), Santiago Olivera, bispo de Cruz del Eje (Argentina), Roland Minnerath, arcebispo de Digione.

“Rezar não é refugiar-se num mundo ideal, não é evadir-se numa falsa tranquilidade egoísta – afirmou Francisco. Pelo contrário, rezar é lutar e deixar que o próprio Espírito Santo reze em nós. É o Espírito Santo que nos ensina a rezar, que nos guia na oração e nos faz rezar como filhos.”

Na Praça São Pedro também estavam a ministra italiana para as Reformas, Maria Elena Boschi, guiando a delegação de seu país; o presidente da República Argentina, Mauricio Macri; a ministra francesa do Ambiente, Segolène Royal; o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz; o diretor-geral-adjunto de Assuntos Religiosos, Roberto Herrera Mena, guiando a delegação mexicana.

Os santos são homens e mulheres que “se entranham profundamente no mistério da oração. Homens e mulheres que lutam mediante a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo; lutam até não poder mais, com todas as suas forças; e vencem, mas não sozinhos: o Senhor vence neles e com eles”.

Entre os novos santos há um muito importante para Francisco: o argentino José Gabriel del Rosario Brochero, o “padre Brochero”, que no século XIX percorreu em sua mula grandes distâncias para levar aos mais pobres o consolo de Jesus. Os italianos são dois sacerdotes: Lodovico Pavoni de Brescia, fundador da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada, e Alfonso María Fusco, de Salerno e fundador da Congregação das Irmãs de São João Batista.

Outros dois novos santos são mártires: José Sánchez del Río, um adolescente de 14 anos assassinado em 1928 durante a Guerra Cristera no México. Resistiu aos seus torturadores e negou-se a renunciar à sua fé. Junto ao seu cadáver foi encontrada uma mensagem dirigida à sua mãe: “Prometo-lhe que no Paraíso guardarei um bom lugar para todos vocês. Seu José morre em defesa da fé católica e por amor a Cristo Rei e de Nossa Senhora de Guadalupe”.

O outro foi assassinado em 1972, durante a Revolução Francesa: foi o primeiro mártir lassalista: Salomone Leclercq. Também entraram no santoral o espanhol Manuel González García, de Palência, que morreu em 1940 e fundou a União Eucarística Reparadora e a Congregação das Irmãs Missionárias Eucarísticas de Nazaré, e a mística francesa Isabel da Santíssima Trindade, carmelita descalça que faleceu em 1906 aos 26 anos em decorrência da doença de Addison.

Ao final da celebração, o Papa Francisco disse: “Desejo saudar cordialmente a todos vocês, que vieram de diferentes países para homenagear os novos santos”. O Pontíficededicou um pensamento especial às delegações oficiais da Argentina, Espanha, França, Itália e México: “que o exemplo e a intercessão destes luminosos testemunhos confortem o compromisso de cada um em seus respectivos campos de trabalho e de serviço, pelo bem da Igreja e da comunidade civil”.

Antes de recitar o Angelus, o Papa recordou que dia 17 de outubro é o Dia Mundial de Luta contra a Pobreza: “Unamos as nossas forças, morais e econômicas, para lutar juntos contra a pobreza que degrada, ofende e mata tantos irmãos e irmãs, colocando em prática políticas sérias para as famílias e para o trabalho. encomendamos à Virgem Maria cada uma das nossas intenções, especialmente a nossa insistente e forte oração pela paz”.

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