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Tinha tudo para ser jogador de futebol, mas abandou o sonho para seguir os planos de Deus

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Ele deixou de lado os gramados e o sonho da fama e do dinheiro para ouvir sua vocação para a família e para servir a Deus.

O sonho de muitos meninos no Brasil é se tornar um jogador de futebol. Não foi diferente com Guilherme Silveira, de Salto (SP), um jovem que desde pequeno alimentou este sonho, teve grandes oportunidades para trilhar sua carreira, até que decidiu primeiro se questionar o que Deus queria dele. Então, percebeu que seu caminho era outro: formar uma família, ser pai.

Guilherme é um jovem católico, de 19 anos, membro das comunidades do Caminho Neocatecumenal na Paróquia São Benedito, em Salto (SP). Em relato à ACI Digital, conta que desde muito novo aprendeu “a gostar de futebol intensamente por influência” de seu pai, de quem recebia apoio para praticar o esporte nas escolinhas da cidade.

“Além da fé na Igreja e o amor a Cristo, meu pai também sempre me encucou a paixão pelo futebol”, conta.

Aos 13 anos surgiu a oportunidade de dar início a este sonho, quando foi aceito na equipe do Desportivo Brasil, “clube de futebol que é referencia nas categorias de base”. Deixou a família, foi morar fora de casa, ganhou o primeiro salário, viajou por diversos países e começou a se afastar da Igreja. Em pouco tempo, recorda, “já não enxergava Deus na minha vida”.

Diante de um período de “crise profunda”, foi a avó de Guilherme quem o ajudou a superar tal dificuldade por meio da oração do terço. “Em algumas semanas, toda tristeza e angústia que eu vivenciava já não significavam nada para mim, pois o terço me aliviava dos tormentos. Era o meu consolo! Não conseguia passar uma noite sem rezá-lo”.

Esta experiência não podia ficar apenas com ele e, por isso, começou a compartilhá-la com os companheiro de equipe. “Nunca me esquecerei do dia que levamos 20 garotos de 15 e16 anos ao auditório do clube apenas para rezar o Santo Terço, uma oração muitas vezes tão ignorada pelas jovens”, conta.

Além disso, conheceu a vida de São João Paulo II e se tornou “devoto fiel desse Santo tão amado”. “Conforme essas coisas aconteciam, a minha relação com a minha comunidade ia melhorando” e “o meu amor pela Igreja crescia cada vez mais”.

Então, surgiu a inquietação vocacional e se tornou vocacionado à vida sacerdotal. “Isso para mim foi uma morte”, assinala, pois “não sabia se queria ser jogador de futebol ou padre”.

Já aos 17 anos, foi enviado para as categorias de base do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, onde ficou por algum tempo. “Para mim, foi uma experiência muito dolorosa, pois ali percebi como a distância da minha comunidade poderia afetar no meu eu. Portanto, pensando nisso, neguei a oportunidade de ficar lá e voltei embora para o seio da minha comunidade”.

Mas, ainda sentia a vontade de se tornar “um grande jogador profissional, com muita fama, muito dinheiro e muito sucesso”. Dessa forma, atuou por 2 anos no Ituano, onde se tornou jogador profissional aos 18 anos.

Até que surgiu uma oportunidade, para ele, única: participar da Jornada Mundial da Juventude de 2016 na Polônia. “Eu tinha que escolher entre me manter como jogador profissional do Ituano que era um sonho que eu sempre tive, ou poder ir ao encontro do Santo Padre na Jornada Mundial da Juventude na Polônia e desfrutar das experiências com Cristo”.

Apoiado pela providência divina, “decidi seguir Cristo: Reincidi meu contrato com o Ituano e fui para a JMJ”, esperando que, na Polônia, “o Senhor pudesse me conceder algumas respostas sobre o meu futuro, sobre a minha vocação, sobre a minha vida”.

Foi por meio da Virgem Maria que começou a ouvir o que Deus desejava dele. “Em um Santuário Mariano que passávamos na Áustria, eu pedi a Nossa Senhora que me concedesse o dom de discernir a minha vocação. E eis que logo no dia seguinte fui acolhido por uma família polonesa que havia 9 filhos”.

“O estilo de vida dos pais, o testemunho de vida deles e a forma que levavam a vida me cativaram tanto que naquele dia eu passei a ter a certeza que é ter filhos e me dedicar inteiramente para eles o que o Senhor espera de mim”, pontua.

Entretanto, logo veio outra consideração. Guilherme percebeu que não tinha como se dedicar inteiramente aos seus futuros filhos e ao mesmo tempo jogar futebol.

De volta ao Brasil, teve uma nova oportunidade para seguir a carreira futebolística e por um mês ficou em uma equipe. “Porém, já sabia o que Deus queria de mim”, lembra. Por isso, no dia em que ia assinar o contrato, decidiu primeiro rezar. Na Bíblia, deparou-se com a seguinte passagem “Buscai o reino de Deus e todas as outras coisas vos serão acrescentadas!” (Mateus 6,33).

“Sentei de frente para os diretores do Paulista F.C. e de frente para o contrato. Digo aos meus irmãos que, naquele momento, o Senhor tomou conta de mim e fez tudo que eu, muito pecador, falho e débil, não teria coragem de fazer… Dizer não e renunciar tudo aquilo!”.

Guilherme ressalta que, “antes de experimentar o sucesso, a fama, o dinheiro e todos os prazeres que o futebol um dia poderia me conceder, Deus me fez descobrir que a minha vida vale muito mais do que 90 minutos por semana. E que não há coisa melhor para se vencer do que vencer a sua própria salvação”.

“O Senhor me fez perceber que não existe jogo mais difícil do que o combate diário contra o pecado. E que não há alegria maior do que viver na vontade do Senhor! Não existe salário melhor do que as graças recebidas por meio da oração. E que a maior glória que há é sentir-se inteiramente amado por Cristo”, acrescenta.

Ainda hoje, muitos o questionam sobre sua decisão. “E as minhas respostas para eles eram sempre unânimes: ‘Eu amava e era apaixonado pelo futebol. Mas fui seduzido por outra paixão. Cristo roubou meu coração!’”.

“Hoje – expressa o jovem –, me sinto muito feliz em ser conhecido como ‘O garoto que largou um contrato profissional no futebol, para ir à Jornada!’, ou então, ‘O louco que largou a oportunidade de estar na semi- final da Copa SP Júnior, para se dedicar aos filhos que ainda nem existem!’”.

Atualmente, Guilherme se dedica à empresa de seus pais e aos compromissos semanais com sua comunidade. Está namorando uma moça também católica que, por acaso, conheceu quando “ainda era vocacionado ao sacerdócio, por meio de um amigo seminarista”.

“Entretanto – ressalta –, sempre deixo claro a ela que hoje estou totalmente aberto à vida e aos caminhos que Deus prepara para mim, disposto a seguir a vontade de Cristo”.

Aos outros jovens, Guilherme Silveira exorta a sair “das suas comodidades” e buscar “conhecer Deus, pois Ele sempre saberá o que é o melhor” para cada um. “Todos temos uma missão. E cabe apenas a si próprio, no íntimo das suas orações, descobrir os caminhos que Deus prepara para você e o que Ele quer e espera de você nessa vida. Podem ter certeza, aí estará a sua felicidade”, conclui.

 

Via ACI Digital 

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