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Aceitar seguir Jesus e carregar a própria cruz

© Antoine Mekary / ALETEIA

Priests make the sign of the cross with Pope Francis during a weekly general audience at St Peter's square on September 28, 2016 in Vatican © Antoine Mekary / ALETEIA

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Exercícios espirituais do Papa Francisco na Quaresma

Ouço a voz do Senhor, que fala de modo humilde, ou coloco meu interesse pessoal acima do Reino de Deus? Na manhã desta segunda-feira (06/03), na primeira meditação dos Exercícios espirituais proposta ao Papa Francisco e à Cúria Romana, Pe. Giulio Michelini exortou os 74 presentes a se fazerem algumas perguntas sobre a própria vida espiritual.

“A confissão de Pedro e o caminho de Jesus para Jerusalém” no Evangelho segundo São Mateus são o ponto de partida da meditação desta segunda-feira. Na tarde de domingo foi feita a introdução dos Exercícios espirituais, que se realizam até esta sexta-feira (10/06) na localidade de Ariccia, nas proximidades de Roma.

Os Exercícios espirituais são marcados pela Liturgia das Horas e pelas duas meditações diárias, que passam da interpretação dos textos ao desdobramento existencial. Jesus tomava suas decisões na oração, não através de sonhos ou magos, como, ao invés, fazia Alexandre Magno, segundo nos relata Plutarco. Pe. Michelini exortou os presentes a se perguntarem como tomam as decisões importantes da própria vida:

“Faço discernimento baseado em qual critério? Decido impulsivamente, deixo-me levar por aquilo que é habitual, coloco a mim mesmo e meu interesse pessoal acima do Reino de Deus? Ouço a voz de Deus, que fala de modo humilde?”

Pedro e a tradição rabínica sobre a voz de Deus através dos pequenos: a humildade de ouvir-nos

Em seguida, Pe. Michelini se concentrou na figura de Pedro e na tradição rabínica. Mediante revelação, Pedro reconhece que Jesus é o Messias. Daí, o religioso franciscano sugere que o Pai tenha falado não somente por meio do Filho, mas tenha falado ao Filho, Jesus, também através de Pedro. É Jesus que revela pouco a pouco a sua vocação, mas realiza gestos também porque é solicitado por outros.

Na vida de Jesus de Nazaré é deixado muito espaço aos encontros, que incidem na sua missão. Segundo a tradição rabínica, com o fim da grande profecia, se considerava que Deus continuasse falando de modos muito humildes, como por exemplo mediante a voz das crianças e dos loucos.

Com uma comunicação parecida com o sussurro de um vento leve como se deu com o profeta Elias no monte Horebe. E Pe. Michelini ofereceu aos presentes outra ocasião de reflexão:

“Tenho a humildade de ouvir Pedro? Temos a humildade de ouvir-nos uns aos outros, estando atentos aos preconceitos ou às pré-leituras que certamente temos, mas atentos a colher aquilo que Deus quer dizer apesar – talvez – dos meus fechamentos? Ouvir a voz dos outros, talvez frágil, ou escuto somente a minha voz?”

Aceitar seguir Jesus e carregar a própria cruz

Em seguida, o pregador dos Exercícios espirituais deteve-se sobre a interpretação daqueles estudiosos que consideram que Jesus soubesse o que estava para acontecer. No Evangelho segundo Mateus se diz que Jesus se retirava, um verbo que no grego antigo indicava a retirada dos exércitos diante de uma derrota ou de um perigo.

Também Jesus parece retirar-se diante da notícia da prisão do Batista e quando sabe que os fariseus querem matá-lo, mas todas essas retiradas são estratégicas, ressaltou Pe. Michelini, não são para deter-se: após ter-se retirado, Jesus faz coisas concretas, isto é, começa a anunciar o Reino e a curar os doentes.

Entre as muitas referências que enriqueceram a meditação do frade menor, encontra-se a que fez a Hanna Arendt, que falava da banalidade do mal, em referência a como os hierarcas nazistas falavam das atrocidades por eles cometidas.

Tal alusão foi feita para referir-se à ferocidade com a qual foi perpetrado o assassinato de João Batista após o pedido de Herodíades.

Aludiu também ao rabino Hillel, para ressaltar que Jesus continua a missão assumindo sempre novas responsabilidade até a que o levará a Jerusalém. Daí, o ponto de agarra para a última reflexão:

“Pergunto-me se tenho a coragem de caminhar até o fim para seguir Jesus Cristo, levando em consideração que isso comporta levar a cruz, como Ele disse, anunciando a ressurreição, a alegria, mas também a provação: ‘Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’.”

(Rádio Vaticano)

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