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A vida depois do ódio

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Este ex-neonazista está ajudando pessoas que saíram do movimento a reaprender a amar

Uma espiral de ódio, crise de identidade, ignorância frustração e rancor levaram o então jovem Christian Picciolini a atravessar toda sua juventude e início de vida adulta como importante membro de um dos grupos pioneiros no movimento neonazista nos EUA. Dos 14 aos 21, Picciolini liderou o Chicago’s CASH, um dos mais temidos e conhecidos grupos neonazistas americanos.

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Passados 22 anos de seu desligamento do grupo e da ideologia de ódio, Picciolini hoje lidera uma ONG de nome perfeitamente ilustrativo: Life After Hate – ou vida após o ódio. Sua organização ajuda neonazistas que, como ele, queiram deixar a vida de ódio e crimes para trás. Para chegar a tal mudança, no entanto, seu caminho foi longo.

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Segundo Picciolini, depois de ver seus pais, italianos, sofrerem preconceito por serem estrangeiros nos EUA, e de ser expulso de quatro escolas – e ver seu coração se encher de rancor e fúria – o grupo neonazi lhe prometeu tudo aquilo que ele não encontrava: felicidade, pertencimento, e principalmente respostas – ainda que tais respostas fossem as piores possíveis. “Eles me prometeram o paraíso”, ele disse.

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LAH1Picciolini diante dos campos de concentração de Auschwitz e Dachau

Me prometerem que aqueles que me perseguiam iriam embora, que minha vida iria melhorar, que eu teria uma família e um propósito”. Além disso, ofereceram um culpado direto (e absolutamente delirante) para todos os seus problemas.

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Picciolini teve uma banda que tocava músicas de supremacia branca, e ajudou a recrutar muitos jovens para o movimento – vidas destruídas pelas quais ele hoje garante sentir profundo peso e responsabilidade. Foi só depois de abrir uma loja de discos racistas – e com isso passar a conviver com maior diversidade de pessoas – e principalmente se casar, aos 19 anos, e depois ter dois filhos, que sua vida mudou – e ele entendeu o tamanho do horror em que havia se envolvido.

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Meus filhos foram as primeiras pessoas que me permitiram voltar a amar depois de tantos anos de ódio”, ele afirma, garantindo que é preciso sentir-se bem consigo mesmo para deixar o movimento.

Ele então saiu do grupo, formou-se em Relação Internacionais, e fundou a ONG. A Life After Hate ajuda na educação e desradicalização de antigos extremistas, além de ajudar as famílias, trabalhar para pesquisas acadêmicas, e como consultoria e estratégias para combater o ódio. Em tempos de construção de muros, radicalização e tanto ódio, ver a história de Picciolini é ao menos um ponto de esperança.

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As pessoas que deixam esses grupos, sejam neonazistas ou jihadistas, precisam do apoio de outros que tenham passado pelo mesmo. Para o restante das pessoas, não é fácil entender por que caíram no extremismo”, ele afirma, militante hoje da boa e velha (e melhor) matéria prima que o ser humano possui: o amor, irrestrito e igual, entre todos.

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© fotos: divulgação

 

(via Hypeness)

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