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Como as gárgulas salvam as almas (e os telhados)

Pixabay / Public Domain
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Uma simples distinção técnica pode nos ajudar a entender melhor as maravilhas da arquitetura gótica

Uma gárgula é simplesmente a parte saliente de um tubo que serve para desviar a água que, de outra forma, se acumularia em um telhado. Não é de modo algum uma invenção medieval: egípcios, gregos e romanos usaram-na nos tempos antigos, a fim impedir a umidade de destruir os telhados.

Na verdade, a palavra francesa gargouille é um derivado do verbo gargouiller, que por sua vez deriva do grego gargarizó: gargarejar. É precisamente por isso que a gárgula, como um elemento arquitetônico, é responsável: recolher e, em seguida, expulsar a água dos telhados e paredes de um edifício. Tecnicamente falando, as esculturas de pedra fantásticas que não servem como calhas são conhecidas como grotescos, não gárgulas, embora a imaginação popular os considere a mesma coisa.

O célebre historiador e crítico de arte Jurgis Baltrusaitis, um dos fundadores da escola de pesquisa artística comparativa e autor do livro A Idade Média Fantástica, é uma autoridade constantemente citada quando se trata do estudo da presença de monstros na arte medieval . Baltrusaitis explicou que as criaturas meio-humanas e meio-animais da antiguidade nunca desapareceram completamente na Europa. A presença das gárgulas, então, poderia ser explicada como uma sobrevivência desses motivos greco-romanos na arte europeia posterior.

 

 

Outras fontes atribuem o uso de gárgulas a uma lenda ligada à vida de São Romano, bispo de Rouen. Segundo a lenda francesa, São Romano conseguiu dominar um dragão chamado Gargouille (“garganta”) apenas mostrando-lhe a cruz. O Santo, então, amarrou uma corda em volta do pescoço do dragão e o levou para o centro da cidade, onde o monstro foi morto e queimado. No entanto, a cabeça da criatura não foi consumida pelas chamas. Assim, São Romano decidiu pendurá-la em uma das paredes da catedral como uma advertência: o mal só pode ser superado pela cruz.

Claro, isso é apenas uma lenda. Alguns outros historiadores apontam que o uso de gárgulas e grotescos nas catedrais também tem uma função pedagógica: os animais fantásticos reforçam a noção de que o mal permanece fora da igreja e que foge dos lugares sagrados.

“Sobre esta rocha eu construirei a minha igreja e todos os poderes do inferno não a conquistarão”. Era uma maneira de representar o que está na Escritura, em tempos em que havia poucos que sabiam ler e escrever.

 

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