Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Segunda-feira 23 Novembro |
Santo Anfilóquio
home iconEstilo de vida
line break icon

Deus quer a vida que vem de um estupro?

© Phil Jones/SHUTTERSTOCK

Caitlin Bootsma - publicado em 21/01/13 - atualizado em 10/11/20 às 11:51

Uma gravidez que vem de um estupro pode ser algo querido por Deus? Em vários países, o aborto é permitido nestes casos. É melhor acabar logo com uma vida que começou de maneira violenta ou permitir o nascimento do filho do agressor?

Em um mundo perfeito, onde não existia o pecado, Deus quis que uma nova vida surgisse da intimidade sexual entre um homem e uma mulher unidos em matrimônio. Mas, precisamente porque Deus nos deu o livre arbítrio – inclusive a possibilidade de pecar -, pode acontecer que uma gravidez seja resultado de um pecado.

O estupro é um pecado gravíssimo, mas esta ação malvada de um dos pais não afeta o valor da vida de uma pessoa inocente. Cada vida, apesar das circunstâncias em que foi concebida, é querida por Deus.

O estupro é sempre um ato intrinsecamente mau, porque se exerce uma violência contra outro ser humano.

O Senhor quis que a intimidade sexual acontecesse somente no contexto do matrimônio entre um homem e uma mulher. No Gênesis, podemos ver como Adão exclama: “Esta sim que é osso dos meus ossos e carne da minha carne!”. A Escritura continua dizendo: “Por isso, o homem deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher, e os dois formam uma só carne” (Gn 2, 23-24).

A intimidade da união sexual se dá entre os esposos e Deus quis que esta fosse livre, confiante e frutífera. A Igreja sustenta que tal união não é somente física, mas também espiritual: “No matrimônio, a intimidade corporal dos esposos torna-se sinal e penhor de comunhão espiritual” (CIC 2360).

Está claro que um estupro é um ato violento e um pecado gravíssimo que atenta diretamente contra o que deveria ser a intimidade sexual. O Catecismo afirma: “A violação designa a entrada na intimidade sexual duma pessoa à força, com violência. É um atentado contra a justiça e a caridade. A violação ofende profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade e à integridade física e moral” (CIC 2356).

O Senhor nunca quis que o ato sexual fosse realizado de maneira tão violenta. O estupro é sempre um pecado gravíssimo.

Em todos os casos, a vida humana é sempre sagrada, a partir do momento da concepção, seja qual for a maneira pela qual o filho foi concebido.

A vida humana começa no momento da concepção. Quando um espermatozoide fertiliza um óvulo, uma nova vida humana é criada. “De todos os aspectos da biologia molecular moderna, a vida biológica está presente a partir do momento da concepção – afirma o Dr. Hymie Gordon, presidente do Departamento de Genética da clínica Mayo. Cada pessoa tem seu próprio DNA, um código genético que demonstra que ele ou ela é uma pessoa única.”

Uma nova vida humana não é simplesmente a soma do pai e da mãe, tampouco a soma das suas ações. A Congregação para a Doutrina da Fé diz: “Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo” (Declaração sobre o aborto provocado, 12).

O Beato João Paulo II escreveu muito sobre o valor da vida humana na “Evangelium vitae”: “‘Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei’ (Jr 1, 5): a existência de cada indivíduo, desde as suas origens, obedece ao desígnio de Deus” (EV, 44). O Senhor conhece cada um de nós, seja qual for a maneira como fomos concebidos, e nos amou mesmo antes de existirmos.

O professor Joseph Arias, do Christendom College, explica que, “apesar de ser um grande bem, a vida humana pode ser, em alguns casos, produto de um ato pecaminoso. Algumas crianças são concebidas em atos de fornicação, adultério e, muitas vezes, mediante a fecundação in vitro. Deus proíbe tais ações enquanto pecados, mas o valor da vida humana continua sendo incalculável, especialmente para a pessoa concebida, mas também para todos nós, que deveríamos amar esta vida e a vida que está por vir”.

Existe uma grande diferença entre a vontade de Deus e o que Ele permite que ocorra por respeito ao livre arbítrio das pessoas. Muitas vezes, o Senhor tira um bem do mal – neste caso, uma nova vida de um ato destrutivo.

A Escritura nos conta que o Senhor criou o mundo e o abençoou, inclusive quando se cometem ações malvadas e contrárias ao seus planos. Isso acontece porque Ele nos deu o livre arbítrio. Enquanto o Senhor permite que os homens e as mulheres possam escolher o mal, em sua Providência, sempre consegue extrair um bem do mal cometido.

O Catecismo nos ensina: “Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Podem, por conseguinte, desviar-se. De fato, pecaram. Foi assim que entrou no mundo o mal moral, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é, de modo algum, nem direta nem indiretamente, causa do mal moral. No entanto, permite-o por respeito pela liberdade da sua criatura e misteriosamente sabe tirar dele o bem” (CIC 311).

O professor Joseph Arias escreve: “É importante reconhecer que, no caso do estupro ou de qualquer outra circunstância que não seja a vontade de Deus, apesar do pecado, Ele tira algo bom (a concepção de uma vida humana), mas isso, que é algo bom, não justifica o pecado. O pecado é intrinsecamente mau e é proibido (em absoluto faz parte da vontade de Deus), não pode ser justificado, nem sequer porque algo bom sai dele. No entanto, o bem obtido continua sendo um bem e continua tendo a capacidade de exercer um papel positivo na providência de Deus.

Com relação às crianças concebidas em um estupro, o professor Arias afirma: “Deus quer o bem das vidas concebidas, apesar do mal contido nos atos que levaram à concepção; Deus só permite que o mal ocorra”.

O pesar e sofrimento da vítima de um estupro são gigantes e exigem nossa compaixão e atenção. A violência perpetrada contra a mulher não pode ser eliminada por meio da violência do aborto do seu filho. Sua cura só pode ser realizada por meio do amor de Deus e do seu povo, que pode tornar este amor palpável.

Tags:
GravidezViolência
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
FATHER PIO
Maria Paola Daud
Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo c...
ŚWIĘTA TERESA WIELKA
Philip Kosloski
Oração de Santa Teresa de Ávila para acalmar ...
IOTA
Lucía Chamat
Imagem da Virgem resiste a furacão que devast...
EL TOCUY
Aleteia Brasil
Pe. Gabriel Vila Verde: há muita diferença en...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Aleteia Brasil
Atenção: versão falsa e satânica da Medalha M...
POPE AUDIENCE
Reportagem local
A oração de cura que pode ser dita várias vez...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia