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Como apresentar um cristianismo já "ocidentalizado"?

Aleteia Vaticano - publicado em 01/02/13

É possível comunicar o Evangelho a todas as culturas?

Na verdade, o cristianismo nasceu no Oriente e acabou tornando-se uma amálgama de diferentes culturas e tradições ao chegar ao Ocidente. Além disso, a fé cristã não pode se sobrepor ou ser confundida com a cultura ocidental, porque a sua mensagem de amor traz consigo uma instância de universalidade.


Não é bem verdade que o cristianismo tem suas raízes na cultura ocidental. Observando a história, percebemos que a fé cristã partiu de Jerusalém, foi se espalhando pela Ásia Menor e Itália, para depois seguir sua viagem para o Norte e o Leste.


Não é a fé cristã que assimila a cultura (já que a fé é a mesma em qualquer lugar do mundo), mas sim a forma de exprimi-la, celebrá-la e explicá-la que implica na assimilação de elementos culturais, devidamente cristianizados.


O que se convencionou chamar de Ocidente cristão é, na verdade, uma mistura de elementos de diferentes culturas e tradições, que resultaram da necessidade de expressar a fé em um determinado contexto ou em uma situação cultural específica.


Certamente, existem fatores unificadores, que levaram ao surgimento de um patrimônio comum, como a afirmação da língua latina como língua franca do Ocidente – língua na qual todos os cristãos, de todos os lugares, se reconheciam celebrando a própria fé; também a centralidade da Igreja de Roma e a sua influência na Europa. Porém, seria errôneo pensar que a fé cristã e a cultura estão no mesmo nível: a cultura é, essencialmente, o produto de uma ação sobre a natureza por parte do homem; a fé, no entanto, está no nível do dom sobrenatural oferecido por Deus mediante a sua graça.


Como seres humanos, precisamos expressar esse dom por meio de uma linguagem que nos seja própria e a linguagem é, de fato, uma expressão de cultura, instrumento de cultura: podemos pensar na arte, na literatura, para citar apenas algumas áreas que são particularmente importantes para a fé.


A história também nos mostra que, com o progresso da difusão da fé, também outros povos foram visitados pelo Evangelho, o que incentivou novas formas litúrgicas e inclusive levou a introduzir nos idiomas palavras até então desconhecidas: pensemos apenas no princípio de que Deus não é uma entidade abstrata, mas uma pessoa que quer criar uma relação autenticamente pessoal com os homens. No Extremo Oriente, havia línguas que não tinham palavras para expressar Deus como uma pessoa e a chegada de missionários conduziu, em um longo processo, à criação de uma palavra "ad hoc".


Nem mais nem menos do que o que tinha acontecido séculos antes com as tribos germânicas no norte da Europa. Para entender a fé na sua relação com a cultura e com as culturas, devemos redescobrir o verdadeiro significado de uma palavra: católico, catolicismo. Hoje, este conceito costuma ser objeto de desprezo. Prefere-se dizer "cristão" e não "católico", porque essa palavra é criticada, considerada inconveniente.


Se pensamos no verdadeiro significado da palavra "católico", descobriremos, segundo as palavras do famoso teólogo francês Henri de Lubac, que "católico" significa "universal", mas não no sentido de uma denominação convencional, e sim enfatizando a dimensão dinâmica e eficaz, operativa: ser católico significa "tornar universal".


A palavra tem, portanto, uma força adequada à fé cristã como tal, pois, na sua ação, promove e facilita um fecundo universalismo, por exemplo, trabalhando para que, em uma cultura, floresçam aqueles valores que são apropriados ao ser humano e que tornam as pessoas mais abertas a todos.


O trabalho que os missionários jesuítas desenvolveram na China, especialmente no século XVII, caminhou neste sentido: foi graças a eles que certos círculos intelectuais, antes fechados, abriram-se ao conhecimento dos valores e experiências, até mesmo científicos, vindos de fora.


Certamente, este é um processo que pode durar séculos.

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