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Religião

Qual é a história e quais são os desafios da Igreja no Iraque?

Padre Albert Hisham Naoum - publicado em 04/02/13

O enfraquecimento da fé? O diálogo com o Islã? O terrorismo?

No verão de 2009, eu deixei o Iraque pela primeira vez, para prosseguir meus estudos superiores em uma das universidades pontifícias de Roma. Nos primeiros dias de aula, os professores gostam de conhecer os alunos. Eles fazem sempre a mesma pergunta: “de que país você é?”. Eu sempre respondia com orgulho: “venho de Bagdá, no Iraque”. Muitas vezes, eu via a expressão de surpresa no rosto dos colegas, ao perceberem que havia entre eles um padre iraquiano. Muitos me perguntavam: “mas ainda restam cristãos no Iraque?”.

A impressão é que muitos ignoram a verdade sobre a presença cristã na Mesopotâmia desde o primeiro século, e a presença da igreja mais antiga do Oriente Médio, a “Igreja de Kochi” no sul de Bagdá, como também a descoberta de numerosos monumentos cristãos e tumbas em Najaf, uma cidade que remonta aos primeiros séculos. Também ignoram que até hoje existem cristãos em Bagdá, Mossul e Basra. Apesar do flagelo da emigração, que continua a sangrar o coração do Iraque, os cristãos procuram viver sua fé, que está profundamente enraizada nesta terra, como reconhecem até mesmo os muçulmanos.

O cristianismo lançou raízes na Mesopotâmia no século primeiro com São Lucas, que anunciou a Boa Nova antes de ir para a Índia, e deixou ali dois discípulos que continuaram o seu caminho, como nos conta a história. No século IV, quando a Igreja já estava organizada, os cristãos foram perseguidos duramente por 40 anos. Os cristãos – que viviam sob o domínio do Império Persa – foram acusados de ser fiéis ao Império Romano, e tinham má fama por se recusarem a adorar reis e príncipes. Por isso, eles sofreram perseguições que custaram a vida de milhares de mártires, incluindo o patriarca Shimon Borsobai, que foi condenado à morte, juntamente com um grande número de bispos e padres, todos assassinados em uma Sexta-feira Santa.

Com a chegada do Islã, os cristãos deram testemunho de convivência pacífica e de respeito pelas diferenças. Contribuíram amplamente para o desenvolvimento do movimento científico e cultural, especialmente durante o Califado Abássida, quando Bagdá era a capital do país. Os cristãos tiveram um papel notável na história da interação cultural do mundo então conhecido. Todas as fontes históricas, antigas e modernas, reconhecem a sua contribuição.

A história de nossa Igreja foi marcada, de geração em geração, até hoje, pelo sangue dos mártires. Pessoas de quem nos orgulhamos, porque desafiaram as perseguições para levar a sua fé. E como nos primeiros séculos a fé atravessou o mundo até chegar à China, hoje nutrimos a firme esperança de que esta fé vai alcançar os corações sedentos de Cristo, especialmente neste Ano da Fé proclamado pelo Papa Bento XVI.

Apesar das dificuldades e dos desafios internos e externos que afetaram sua história, a Igreja da Mesopotâmia continuou a dar testemunho de Cristo e preservou as características que a marcaram desde o início: a sua catolicidade, por que nunca foi uma Igreja nacionalista, mas sempre acolheu diferentes povos da Mesopotâmia, preservou o aramaico, a língua de Cristo, ainda usada; os fiéis amaram sua Igreja e nunca a abandonaram, apesar dos ataques terroristas dos últimos anos, ataques a igrejas, ameaças, sequestros e assassinatos de bispos, sacerdotes; a violência que os força a abandonar suas casas, roubando sua identidade nacional, para reduzi-los a cidadãos de segunda classe em seu país de origem.

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