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Super Bowl: indo além da rivalidade

Anthony Mathison - publicado em 08/02/13

A revelação de desejo inato do homem por comunidade, através do esporte

Todo ano, milhões de americanos se reúnem para assistir ao Super Bowl, o evento máximo da National Football League (o futebol americano). Este ano não foi diferente. Como sempre, famílias e amigos reuniram-se junto à TV para ver o encerramento da temporada de jogos. Olhando de fora, pode ser fácil para alguém ver esse evento apenas como um exercício de amor pelo esporte. No entanto, a forma como o Super Bowl é celebrado nos Estados Unidos nos recorda a nossa necessidade básica de comunidade. A Igreja Católica, existindo há muito e muito tempo antes do primeiro Super Bowl, nos ensina que nós, como seres humanos, somos criaturas sociáveis, e que a comunidade é parte da nossa natureza.

Comunidade é o compartilhamento de nossas vidas e de nós mesmos com os outros. Infelizmente, a cultura atual tem, em grande medida, deixado de lado o verdadeiro sentido de "comunidade", substituindo-a por uma rede de indivíduos isolados. Em geral, estamos preocupados apenas com nossos próprios assuntos e conquistas, mesmo quando estamos em contato com os outros. Uma verdadeira comunidade nos lembra que não somos simplesmente máquinas de auto-absorção; nós pertencemos uns aos outros de uma maneira fundamental. Nós precisamos deste tipo de comunidade verdadeira, uma vez que nos fornece benefícios emocionais, sociais, físicos e espirituais. A fé e e a ciência confirmam isso. Nós gravitamos em torno da comunidade pela nossa própria natureza. Há muitos exemplos relevantes desta necessidade de comunidade, como o Super Bowl.

O Super Bowl é uma grande festa, com comida, diversão e interação entre amigos e familiares. Comer junto é um dos sinais mais antigos de comunidade. Quando nos reunimos para comer, fazemos mais do que simplesmente nutrir nossos corpos físicos – alimentamos uns aos outros espiritualmente com a nossa presença e unidade ao redor da mesa. Nesta realidade, vemos traços da Eucaristia, que é a expressão máxima da unidade através da fração do pão (At 2, 42). A bebida desempenha muitas vezes um papel importante nos jogos do Super Bowl. Veem-se amigos lado a lado, desfrutando de uma refrescante cerveja. Nas Sagradas Escrituras, o vinho é muito citado, como um dom de Deus projetado para "alegrar o coração do homem" (Salmo 104, 15). De fato, quando a sua utilização é bem ordenada, o fruto da videira (ou da cevada, conforme seja o caso) é um modo poderoso de criar comunidade. Esses encontros também são marcados por um espírito de lazer e diversão (pelo menos esse é o objetivo). O esporte em si, as brincadeiras, os comerciais divertidos e a camaradagem inspiram alegria em nossos corações. Nós esquecemos momentaneamente dos nossos problemas individuais e dos nossos questionamentos, encontrando conforto na presença um do outro.

E para além da camaradagem apreciada por milhões e milhões de espectadores de todo o país (e até mesmo do mundo), o esporte tem o poder de animar e fortalecer o sentido de comunidade de uma forma ainda mais concreta. Todo ano, os torcedores das duas equipes em disputa se mobilizam pela vitória. O vínculo é particularmente forte entre aqueles que moram na cidade ou no Estado representado, e o resultado será, inevitavelmente, uma celebração jubilosa para os vencedores e o desânimo para os perdedores. Por quê? A resposta ajuda a demonstrar a interação entre nossos eus individuais e a dinâmica da comunidade. Santo Agostinho escreveu os famosos versos: "Fizeste-nos para ti [Senhor] e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti”. Todos e cada um de nós anseia por Deus, por conhecê-lo e compartilhar a eterna troca de amor com ele. Esta vocação é fundada no batismo e na comunhão com a Igreja de Cristo. A humanidade nem sempre responde à nossa profunda inquietude interior. Diante disso, nós costumamos construir ídolos e buscar sentido e realização neles, ao invés de buscar em Deus, que é a fonte de nossa alegria.

É claro que, para a maioria dos fãs, o Super Bowl e o times não são ídolos no sentido antigo. Mas nessa dinâmica percebe-se a busca da humanidade por algo pelo que lutar, algo em que acreditar, algo com que comungar. O fervor frequentemente demonstrado pelos fãs reflete o nosso próprio desejo (seja conscientemente ou não) para servir a Deus e se unir na Igreja. E ainda conduz à unidade, já que o anseio de comunidade é inato dentro de cada coração.

Isso soa forçado? Vamos dar uma olhada: primeiro, a lealdade por um time reflete a nossa necessidade de servir a um propósito maior que nós mesmos. O homem foi feito por amor e para o amor, por aquele que é o próprio Amor, e em quem nós encontramos a verdadeira fonte de lealdade. Para os santos, Deus e da Igreja foram esse "time" para o qual eles viveram suas vidas. Em segundo lugar, a maneira como nós festejamos reflete alguns aspectos da vida comunitária do Corpo de crentes – a Igreja. Como cristãos, nos reunimos pelo menos uma vez por semana em torno do altar de Deus para participar da grande ceia. Ao receber a Eucaristia, anunciamos a nossa comunhão com o outro e, de uma forma mais íntima, a nossa comunhão com Deus. Por fim, ao nos reunirmos em comunidade, dentro da Igreja, nós nos fazemos irmãos. As paredes do nosso egocentrismo são derrubadas. Nossa individualidade e comunidade se encontram e se unem em "um só corpo e um só espírito, em Cristo".

Não fomos criados para ser auto-centrados e viver apenas para nós mesmos. Muito pelo contrário, somos chamados a conhecer, amar e viver para Deus, na comunidade da Igreja. Esta parte intrínseca de nossa identidade humana se manifesta de muitas maneiras mundanas, e o Super Bowl não é exceção.

Tradução de Alexandre Ribeiro

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EsporteIgreja
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