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Renúncia do Papa: um gesto de humildade, de valor e de virtude

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Conversa com Dom Octavio Ruíz Arenas, secretário do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização

O secretário do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, Dom Octavio Arenas, considera que a renúncia foi, em primeiro lugar, uma grande surpresa. Esperávamos que por muitos anos ele continuasse iluminando a Igreja com sua mensagem evangélica, tão profunda e, ao mesmo tempo, tão simples. Um Papa que quis ir ao essencial e buscar o modo de responder à evangelização de acordo com os tempos modernos. É uma lição muito grande de um homem completamente convencido de que deveria cumprir a vontade de Deus, que tinha recebido um ministério não para exercer o poder, mas para prestar um serviço à Igreja. E, quando se dá conta de que suas forças não permitem prestar esses serviço do modo mais adequado, faz este gesto de humildade, de valor e de virtude.

 

Muitos dizem que são tantos os problemas da Igreja que o Papa optou por renunciar. Todos sabemos com quanta heroicidade ele enfrentou os problemas atuais da Igreja, mas sabe que a Igreja precisa agora de uma pessoa com mais forças, que possa realmente continuar o trabalho de difundir o Evangelho e de poder erradicar esta mentalidade de secularismo que a Igreja sofre atualmente.

 

Falam na renúncia como a história de um fracasso; que a Igreja tem perdido muitos fiéis e que em breve será uma Igreja minoritária… Temos de olhar a partir da fé. Os problemas sempre existirão. Ao longo de 20 séculos de história, a Igreja teve problemas graves e sempre seguiu adiante. Bento XVI assumiu a responsabilidade de enfrentar questões complexas, inimagináveis para outras épocas. E, no entanto, teve o valor de dizer que a Igreja tem de mudar, ser transparente. Que a Igreja tem de se colocar nas mãos do Senhor. 

 

É um momento de suma importância na história da Igreja… Sim, para todos. A ideia que o Papa transmite é de não nos apegarmos ao poder, de não nos apegar àquilo que humanamente gostaríamos, a nossos gostos, mas que devemos cumprir uma missão com grande responsabilidade. Nisso o Papa foi muito coerente com sua vida, simples de amor à Igreja, de serviço ao Evangelho. Portanto, não se trata de fugir das responsabilidades, mas de começar a servir à Igreja de outro ângulo. Uma vida de recolhimento, de sofrimento e de oração.

 

Em vista do Ano da Fé na Igreja Católica e do esforço pela nova evangelização, como o senhor encara a renúncia? É um gesto consequente com a fé. Porque o Papa nos tem dito para que, durante o Ano da Fé, nos aprofundemos nos conteúdos da fé e celebremos com alegria o encontro com o Senhor. Que possamos celebrar de uma maneira festiva. Mas também nos pede que vivamos a fé com coerência. Aqui o Papa nos dá outra lição: a fé é fundamentar-se na Palavra de Deus e cumprir a sua vontade.

 

A decisão do Papa parece ter partido do fundo de sua alma, da fé, não lhe parece? O Papa tem insistido muito na necessidade de uma espiritualidade profunda. Eu creio que aqui vemos uma demonstração do que é uma grande espiritualidade. O papado não é uma mera questão de estratégias. Deve-se ter a convicção de que é a força do Espírito Santo que atua na Igreja e a deve conduzir. Não é um homem que diz, simplesmente: “faltam-me as forças”; mas é um homem que diz: “coloco-me nas mãos de Deus, pois é a obra de Deus que eu estou realizando, e será o Senhor quem continuará esta obra”. O Papa renuncia em um momento em que em sua consciência ele tem muito claro que fez o que deveria.

 

Qual o balanço que o senhor faz desses quase oito anos de pontificado? Ensinou-nos que a Igreja é santa, porque tem o dom do Espírito Santo, mas que há homens pecadores que sujam essa imagem. O Papa nos deu uma lição de grandeza. Quando pensavam que ele ia fracassar, acontecia tudo ao contrário. Foi o homem que soube colocar Jesus Cristo no meio dos demais. Um homem que foi capaz de pregar a verdade e de assimilar os princípios da doutrina católica e do comportamento moral que todo cristão tem de ter.

 

Como a história o verá? Como um dos grandes papas da Igreja.

 

Por: Aleteia-El Observador