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Renúncia do Papa: cardeais, entre desconcerto e admiração

Aleteia Vaticano - publicado em 18/02/13

Todos destacam o senso de responsabilidade e a humildade de Bento XVI

As primeiras reações ao anúncio da renúncia de Bento XVI estiveram marcadas pela dor, tristeza e desconcerto, não somente por parte dos fiéis, mas também entre os membros do colégio cardinalício. Pouco a pouco, porém, os purpurados viram nesta decisão uma demonstração da humildade e do senso de responsabilidade do Papa, que sempre buscou o bem da Igreja acima do seu próprio.

"Uma escolha assim tão forte e clara testemunha como o bem da Igreja constitui a única preocupação de Joseph Ratzinger", sempre guiado em seu serviço pelo "senso de responsabilidade", comentou o cardeal sul-africano Wilfried Fox Napier (La Stampa.it, 14 de fevereiro).

Como em toda a sua história bimilenar, a Igreja sempre enfrentou "períodos de ferimentos devastadores" e "sempre foi capaz de se recuperar e tomar impulso para a conversão e correção de erros", para o purpurado, também desta situação ela sairá "com um forte renascimento espiritual", porque a crise "é também um momento de crescimento".

O gesto do Papa é, para o cardeal Sepe, arcebispo de Nápoles, "uma lição para muitos que estão ligados aos papéis" (La Repubblica, 12 de fevereiro) e deve ser visto "com profundo respeito e admiração pela coragem evangélica e pela responsabilidade eclesial demonstrada pelo Sucessor de Pedro" (Corriere della Sera, 12 de fevereiro).

Para o presidente da CEI, cardeal Angelo Bagnasco, a renúncia nasce de uma alma "profundamente humilde, que vive de fé e na liberdade do próprio coração, que não procura se afirmar, mas se reconhece como anunciador de Jesus Cristo" (Avvenire.it, 12 de fevereiro).

Portanto, falar de abandono por parte do Papa é um equívoco, como apontou o cardeal Giovanni Battista Re, prefeito emérito da Congregação para os Bispos, para quem o ato de Bento XVI é "um sacrifício pessoal de significado histórico, para o bem da Igreja". Da mesma forma, "é errado fazer comparações" com João Paulo II, porque ambos os papas "se sacrificaram e colocaram suas vidas ao serviço da catolicidade" (La Repubblica, 13 de fevereiro).

Este passo do Santo Padre é, portanto, um "sinal muito evidente de seu amor por Cristo", como disse o cardeal Salvatore De Giorgi, arcebispo emérito de Palermo (Corriere della Sera, 13 de fevereiro), referindo-se a "uma escolha de grande coragem e responsabilidade pastoral, de profunda humildade" e que, "sem dúvida, diz respeito também ao futuro".

Do valor desta decisão para os próximos anos falou inclusive o cardeal Georges Cottier, teólogo emérito da Casa Pontifícia, recordando que "a expectativa de vida se prolonga e, no futuro, casos semelhantes a este serão inevitáveis" (Avvenire, 14 de fevereiro). Atualmente, o ministério petrino é "pesado", muito mais desafiador que no passado, porque os compromissos "são intermináveis, exaustivos" (Il Sussidiario.net, 13 de fevereiro).

Para o cardeal Cottier, é falso dizer que o Papa renunciou ao poder, porque na Igreja "quem comanda é um servo". "A autoridade que vem de Cristo é um serviço; a humildade de Bento XVI consistiu em entender que, para continuar servindo Cristo, era hora de renunciar".

Quanto ao sucessor, "o caminho foi mostrado e ele terá de completar a purificação da Igreja iniciada por Bento XVI" (Vatican Insider, 14 de fevereiro), indicou o cardeal Napier. "Receber a batuta dele não será fácil para ninguém. Quem for eleito terá de pregar o Evangelho com a mesma coerência, credibilidade e sacrifício pessoal".

"Não importa se ele vai ser europeu, sul-americano ou asiático: em uma eleição pontifícia, o que conta é a qualidade da pessoa e os requisitos de potencial liderança da Igreja universal. É sobre um plano pastoral que se diferenciam os perfis, e não em função da nacionalidade. A característica determinante é que ele tenha a sensatez e energia necessárias para responder aos desafios que a Igreja enfrenta em todos os cantos do planeta."

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