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O principal legado de Bento XVI: a coerência

María Angeles Fernandez - publicado em 19/02/13

Segundo o cardeal Cañizares e os teólogos González de Cardedal e Blanco

"Sou um humilde trabalhador na vinha do Senhor": foi com estas palavras que Bento XVI começou seu pontificado, e com esta mesma atitude o finaliza, como ele mesmo declarou, "com plena liberdade", no dia 11 de fevereiro.


O cardeal Antonio Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, estava presente no consistório em que o Papa fez o anúncio e reconhece que "todos nós ficamos atônitos. Ainda não me recuperei totalmente desse momento". Ao mesmo tempo, manifesta que recebe a notícia "com muita esperança e com muita fé. O Santo Padre buscou a vontade de Deus em todo momento. Este foi o seu programa desde o início do pontificado. O Papa coloca a Igreja nas mãos de Deus. O Senhor está na sua barca e nunca vai descer dela. Nesta nova situação que nos é apresentada, o Senhor vai encher sua barca com todos os seus dons. Acho que a Igreja está se abrindo a um futuro repleto de esperança e responsabilidade, ao serviço das pessoas, para dar glória a Deus".


Aqueles que conhecem Bento XVI destacam a coerência desta decisão. Assim, o teólogo espanhol Olegario González de Cardedal, prêmio Ratzinger de Teologia, o define como "um homem que leva até o final seu senso de responsabilidade. Ele o fez com uma simplicidade e uma humildade que revelam a grandeza de espírito que o guiou durante toda a vida. Sua pretensão foi fazer o que Deus queria dele".


Pablo Blanco, autor de uma tese doutoral sobre o cardeal Ratzinger e do livro "O Papa alemão", recorda que Bento XVI sempre disse que "o Papa não é uma espécie de monarca absoluto que governa sozinho, mas o faz em comunhão com todos os bispos. O mais importante para o teólogo Ratzinger não é a função representativa, mas a oração, que é o elemento central. Esta é, portanto, uma retirada parcial, porque do mais importante, a oração, ele não se retira".


Nestes dias, alguns tentaram comparar o final do pontificado de João Paulo II, "abraçado à cruz", e a renúncia de Bento XVI ao ministério. González de Cardedal esclarece que "existe o heroísmo da resistência, que leva o sujeito até o extremo das suas forças e deixa nas mãos de Deus a decisão da sua vida; e o heroísmo da submissão às leis da natureza, ao qual os atos humanos e os sinais divinos convidam, exigindo uma decisão. Bento XVI disse a tempo, com paz: a Igreja tem de seguir seu curso".


O cardeal Cañizares recorda que o Papa, como ele mesmo comentou ao jornalista Peter Seewald no livro "Luz do mundo", considera a renúncia como "um direito e um dever. No texto, também fala de liberdade, e a liberdade do Papa foi tomar esta decisão para que abordem os problemas que o mundo e a Igreja têm hoje. E qual é o problema fundamental que têm? A fé. Não é a mesma coisa crer ou não crer. O grande desafio que a Igreja tem neste momento é o fortalecimento da fé para anunciá-la. E este é o melhor serviço que ela pode prestar à humanidade".


Criado cardeal por Bento XVI em 24 de março de 2006, Dom Cañizares participará do conclave que elegerá seu sucessor para levar o timão da Igreja. Estes dias prévios à ordem "Extra omnes!" (Todos fora!) estão sendo vividos pelo cardeal Cañizares "com um senso de fé, de Igreja, orando muito intensamente, porque tem que ser Deus quem nos ilumine, quem nos mova, não os critérios políticos, não as estratégias de uns e de outros. Temos de fazer a vontade de Deus e eleger aquele que Deus quer". Segundo o cardeal, o novo Papa vai encontrar uma Igreja "que está à expectativa, que precisa de renovação, um novo vigor, para fazer que a seiva do Evangelho penetre nas veias do coração humano".


(Aleteia – El Observador)

As entrevistas completas ao cardeal Cañizares – e aos teólogos Olegario González de Cardedal e Pablo Blanco – foram realizadas pela autora deste artigo, a jornalista María Angeles Fernández, no programa "Frontera", da Rádio Nacional da Espanha. Podem ser ouvidas na íntegras clicando aqui.

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