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A profecia de São Malaquias sobre os papas é verdadeira?

Luis Santamaría | Fev 27, 2013

O santo bispo medieval irlandês escreveu a lista profética? Será que estamos mesmo diante do fim da Igreja?

1. São Malaquias existiu realmente e é reconhecido como santo pela Igreja Católica.

Diante do risco de classificar todo episódio histórico pouco claro como legendário, a primeira coisa a ser afirmada é que São Malaquias de Armagh, bispo irlandês, é um personagem histórico. O resumo que o Martirologio Romano (catálogo dos santos reconhecidos pela Igreja Católica) faz no dia da sua memória litúrgica, dia 2 de novembro, é o seguinte: "No mosteiro de Clairvaux, na Borgonha, está a sepultura de São Malaquias, bispo de Down e Connor, na Irlanda, que restaurou lá a vida da Igreja; quando se dirigia a Roma, estando neste mosteiro, e em presença do abade São Bernardo, entregou seu espírito ao Senhor (1148)".

Em um momento difícil para a Igreja na Irlanda, depois de alguns anos de violentas incursões dos bárbaros e de um grande descuido da fé e dos bons costumes, o jovem Malaquias foi ordenado sacerdote, após ter vivido com um eremita. Destacou-se por seu espírito de pobreza e pelo seu zelo evangélico, tornando-se uma referência na vida monástica da sua época; aos 30 anos, foi nomeado bispo de Down e Connor. Mais tarde, teve de encarregar-se da sede metropolitana de Armagh, enfrentando muitas dificuldades; e quando conseguiu instaurar a paz, voltou à sua antiga diocese. Em uma viagem a Roma, ao passar por Claraval, conheceu São Bernardo e este acabou virando amigo e admirador seu, chegando a escrever sua biografia. Em outra das suas viagens, acabou falecendo, em 1148, precisamente em Claraval, nos braços do iniciador do Cister, que o honrou como santo. Foi canonizado em 1199.

2. São Malaquias foi considerado um santo, visionário e responsável por muitos milagres. Entre suas profecias, foi-lhe atribuída uma lista dos papas desde a sua época até o fim do mundo.

Em sua hagiografia, aparecem vários milagres e predições, entre as quais destacam-se a da sua própria morte e algumas sobre a Igreja da sua época, bem como sobre a sua pátria. No entanto, seu nome é vinculado atualmente a uma profecia sobre o papado, que se torna atual em momentos como este, quando se dá a sucessão na sede episcopal de Roma. Trata-se de uma lista de 112 papas, compreendendo o período que vai de Celestino II (que inaugurou seu pontificado em 1130) até o fim do mundo. O mais interessante e enigmático deste vaticínio é que cada papa aparece com um breve lema em latim, o que supostamente reflete sua personalidade ou as circunstâncias históricas do seu ministério.

Assim, se levarmos em consideração os lemas que corresponderiam aos últimos papas, encontraremos "Pastor angelicus" para Pio XII, "Pastor et nauta" para João XXIII, "Flos florum" para Paulo VI, "De medietate lunae" para João Paulo I, "De labore solis" para João Paulo II e, finalmente, "Gloria olivae" para Bento XVI. O último pontífice, número 112, tem como lema "Petrus romanus", e o texto da profecia é mais explícito que no resto do catálogo: "Na perseguição final da Santa Igreja Romana, reinará Pedro o Romano, quem alimentará seu rebanho em meio a muitas tribulações. Depois disso, a cidade das sete colinas será destruída e o temido juiz julgará seu povo. O fim". Certamente inquietante.

3. A primeira atribuição da lista de papas a São Malaquias data de finais do século XVI, quase 450 anos depois da sua morte – e tudo indica que ela é falsa.

Aqui encontramos algo semelhante ao que acontece com a célebre oração "Fazei de mim um instrumento da vossa paz", atribuída a São Francisco de Assis – ainda que o texto tenha sido conhecido apenas no século XIX. A primeira aparição da lista de papas, supostamente escrita por São Malaquias, data do ano 1595, quase 450 anos depois da morte do prelado irlandês. Não existe nenhum texto anterior nem, certamente, um manuscrito original ou algo do gênero. Um historiador beneditino, Arnold de Wyon, foi quem publicou o texto profético em 1595, chamando-o de "Uma certa profecia" e atribuindo-o a São Malaquias.

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