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Religião

O jejum nas Sagradas Escrituras

Angelo Bellon O.P. - publicado em 01/03/13

Expiação, reforço da oração, preparação para receber graças

Por jejum se entende comumente privar-se de comida ou bebida, eventualmente também de sexo, durante um ou mais dias, de sol a sol. Os ocidentais de hoje, ainda que sejam cristãos, o praticam pouco. Valorizam a moderação no comer e beber, mas o jejum lhes parece prejudicial à saúde ou não entendem direito sua utilidade espiritual. É um comportamento oposto ao que os historiadores das religiões enfrentam: por motivos de ascética, purificação, tristeza, oração, o jejum tem um lugar muito importante nos ritos religiosos.


No Antigo Testamento, Moisés o pratica para dispor o corpo e a alma para receber a Lei de Deus nos Mandamentos: "Permaneceu com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão e sem beber água" (Êx 34, 28). É uma prática voluntária para humilhar-se diante de Deus, para livrar-se de dores e preocupações, para afastar as calamidades, para ser escutados por Deus, reforçando a oração com um sacrifício pessoal.


Para os judeus, está previsto por lei somente "o grande jejum", no dia da Expiação, "Yom Kippur" (Lv 16, 29-31), que era celebrado no equinócio de outono. Esta prática era uma condição de pertencimento ao povo de Deus (Lv 23, 29); durava, como o repouso absoluto, o dia inteiro, e os transgressores recebiam a pena capital.


Na época de Jesus, alguns judeus jejuavam por devoção pessoal, como a anciã Ana, que aparece na apresentação de Jesus no tempo. Reforçava, com o jejum, a súplica a Deus para que enviasse o Messias à terra: "Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações" (Lc 2, 37). Nesta linha se encontram os discípulos de João Batista e os fariseus, alguns dos quais jejuavam duas vezes por semana (Lc 18, 12).


Também Jesus jejuou durante 40 dias e 40 noites. Seu jejum tem um significado novo: enquanto Moisés, jejuando, se prepara para receber a revelação divina, Jesus é a própria Revelação, porque é Deus que se manifesta em uma natureza humana, e jejua para merecer que os que haviam escutado a sua Palavra tivessem força para abrir-lhe o coração.


O jejum realizado pelos cristãos conserva o significado dos jejuns realizados no Antigo Testamento: expiação, reforço da oração, preparação para receber graças. Mas acrescenta-se aqui o significado do jejum realizado por Jesus: é uma forma concreta de aderir ao Senhor e ao seu sacrifício para completar em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo (nossa participação) a favor da sua Igreja, para a conversão de muitos. Aos que perguntavam por que os apóstolos não conseguiam expulsar demônios, Jesus responde que certa espécie de demônio só se expulsa com oração e jejum (Mt 17, 21).


A Igreja apostólica conserva os costumes judaicos do jejum, realizando-o com o espírito concreto de Jesus. Os apóstolos jejuam em algumas circunstâncias para preparar-se para conhecer a vontade de Deus e também para comunicar, com maior adesão ao Senhor, a graça da ordem sagrada: "Enquanto eles estavam celebrando o culto ao Senhor e jejuando, o Espírito Santo disse: 'Reservai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os chamei'. Então, depois de ter jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e os despediram" (Atos 13, 2-3). Assim também fazem Paulo e Barnabé, quando nomeiam os presbíteros nas diversas igrejas: "Designaram em todas as igrejas alguns anciãos e, depois de ter orado e jejuado, confiaram-nos ao Senhor, em quem haviam acreditado" (Atos 14, 23). Paulo não se contenta com sofrer fome e sede quando as circunstâncias o exigem, mas acrescenta jejuns repetidos (2 Cor 6, 5; 11, 27).


É por isso que a Igreja considera a Quaresma como um tempo de florescimento espiritual, como uma nova primavera. Por meio do jejum e das práticas penitenciais realizadas em comunhão com Jesus, muitos recebem a força para abrir-lhe o coração e converter-se.

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