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Estilo de vida

Uma escolha franciscana antes de "Francisco"

©ALESSIA GIULIANI/CPP

Chiara Santomiero - publicado em 25/03/13

Beccegato: para o Papa, a sobriedade é um estilo de vida

Lutar contra a pobreza – seja material ou espiritual –, edificar a paz e construir pontes: estes são os conselhos que o Papa Francis deu a representantes de 180 Estados acreditados junto à Santa Sé, que ele recebeu em audiência no Vaticano na manhã da sexta-feira passada.


A Aleteia conversou com Paulo Beccegato, responsável da área internacional da Cáritas Itália, depois da reunião que a Cáritas Internacional realizou em Roma sobre a emergência na Síria.

O Papa Francisco, em todos os discursos, propõe a atenção aos pobres: ele é quase um patrocinador da Cáritas…


Beccegato: O Papa propõe aquilo que sempre foi um tema básico para ele. A Cáritas Itália teve a oportunidade de colaborar com a Cáritas Argentina precisamente nos anos mais duros da crise financeira que atingiu o país entre 2001 e 2004. Houve muitos contatos nesses anos com o então arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, nos quais se tratava da questão do empobrecimento geral do povo, que tinha sido privado dos recursos econômicos, também com a retirada forçada de contas correntes, por causa da crise. Podemos testemunhar que o tema da atenção aos últimos esteve não apenas nas organizações da Igreja e nas ações pastorais do atual Papa, mas também em seu estilo de vida pessoal. Agora, todo mundo descobriu que ele usava transporte público, cozinhava para si, mas antes isso não era "notícia", apenas um conjunto de elementos de sua vida de todos os dias. Fala-se dele como um comunicador hábil e é verdade, mas é porque o que ele diz é o que sempre seguiu em sua vida pessoal e na igreja diocesana. Podemos dizer que a sua vida foi uma escolha franciscana antes mesmo da escolha do nome de "Francisco".

O Pontífice também ressaltou que a pobreza não é só material…


Beccegato: É uma ênfase maior que nos dias anteriores, mas coerente com a mensagem ao corpo diplomático. O Papa citou a "ditadura do relativismo", destacada por Bento XVI, para sublinhar como o egoísmo leva, em última análise, ao conflito de uns com os outros e à guerra. Francisco indica a visão antropológica cristã de um homem aberto à transcendência como um passo para a paz entre os povos e entre as nações. Recordamos este ano o 50º aniversário da encíclica "Pacem in Terris", na qual João XXIII colocava como um pilar para a paz a Verdade com "v" maiúscula, que é Cristo: se eu não sou o centro do mundo, mas aberto às relações, então não vou considerar o outro como um adversário, um inimigo.

Então qual foi a mensagem que o Papa Francisco transmitiu aos governantes?


Beccegato: Caridade, paz e proteção da criação são as três chaves de leitura do seu pontificado. Traduzidas pela ação do governo dos Estados e pela ação diplomática, isso significa: mais políticas para os pobres, para alcançar uma maior equidade social; busca de formas não violentas de relacionamento entre as nações; busca de acordos políticos contra a degradação do meio ambiente, o desmatamento, a poluição. Francisco usou uma expressão forte: "não explorar avidamente a terra". Vista de baixo, no âmbito de cada um de nós, isso significa dar atenção aos pobres e à distribuição da riqueza; vista de cima, no âmbito do governo, isso significa, por exemplo, implementar o Protocolo de Quioto sobre o ambiente.

Os primeiros gestos e palavras de Francisco estão despertando grande entusiasmo: isso provocará uma maior atenção às questões mencionadas?


Beccegato: Todas as pessoas que conheço ou ouço em meus contatos internacionais têm carinho pelo Papa Francisco. Eu acredito que a Providência sempre manda o papa certo para cada momento. Bento XVI, com seu estilo leve, mas firme, foi uma forte referência, em uma época em que faltavam referências, ao apontar o dedo para o relativismo como visão filosófica e ética.


Francisco é o primeiro Papa latino-americano e nisso as pessoas percebem uma mensagem de grande novidade, relacionada também à sua experiência de partilha da vida com os pobres. A Igreja é "mater e magistra", mãe e mestra. Talvez até agora ela tenha sido mais "mestra" e agora vai ser mais "mãe". A mensagem não muda, é sempre o Evangelho, apenas explicitado de forma diferente em tom e estilo.

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