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Cardeal Bergoglio e o sofrimento da mulher ao longo da história

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Aleteia Vaticano - publicado em 26/03/13

Conheça o que o Papa pensa sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade

O que o Papa Francisco pensa sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade? Jorge Bergoglio respondeu a esta pergunta no diálogo com o rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-Americano, apresentado no livro "Sobre o céu e a terra" (Editora Sulamericana)

Apresentamos um trecho do capítulo do livro dedicado à mulher.

Bergoglio: No catolicismo, por exemplo, muitas mulheres conduzem uma Liturgia da Palavra, mas não podem exercer o sacerdócio porque, no cristianismo, o sumo sacerdote é Jesus, um homem. E a tradição, fundamentada teologicamente, é que o aspecto sacerdotal passa pelo homem. A mulher tem outra função no cristianismo, refletida na figura de Marta. É a que acolhe a sociedade, a que dá suporte, a mãe da comunidade. A mulher tem o dom da maternidade, da ternura; se todas estas riquezas não se integrarem, uma comunidade religiosa não só se transforma em uma sociedade machista, mas também austera, dura e mal sacralizada.

O fato de a mulher não poder exercer o sacerdócio não significa que ela seja "menos" que o homem. Mais ainda: na nossa concepção, a Virgem Maria é superior aos apóstolos. Segundo um monge do século II, há três dimensões femininas entre os cristãos: Maria como mãe do Senhor, a Igreja e a alma. A presença feminina na Igreja não se destacou muito porque a tentação do machismo não permitiu visualizar o lugar das mulheres na comunidade.

Skorka: O cristianismo extrai a função sacerdotal da Bíblia hebraica. Nela, o sacerdócio é transmitido de maneira patrilinear. Mas a condição judaica das pessoas é transmitida de maneira matrilinear: se a mãe é judia, o filho é judeu. Em nosso credo, o sacerdócio também era exercido pelo homem; mas, hoje em dia, nós temos mestres (a palavra "rabino" significa mestre). Portanto, uma mulher que tem conhecimento da Torá pode ensinar e responder perguntas sobre como se deve agir de acordo com a lei judaica.

Bergoglio: Nós, católicos, quando falamos da Igreja, usamos o feminino. Cristo se desposa com a Igreja, uma mulher. O lugar que recebe mais ataques, o lugar mais atingido, é sempre o mais importante. O inimigo da natureza humana – Satanás – ataca onde há mais salvação, mais transmissão de vida, e a mulher – como lugar existencial – acabou sendo a mais atingida na história. Foi objeto de uso, de lucro, de escravidão, relegada a um segundo plano. Mas nas Escrituras temos casos de mulheres heroicas que nos transmitem o que Deus pensa delas, como Rute, Judite…

Eu gostaria de acrescentar que o feminismo, como filosofia única, não faz nenhum favor àquelas a quem diz representar, porque as coloca em um plano de luta reivindicativa – e a mulher é muito mais que isso. A campanha das feministas de vinte conseguiu o que queriam e acabou. Mas uma filosofia feminista constante não oferece à mulher a dignidade que ela merece. Eu diria que esse feminismo corre o risco de se tornar machismo de saia.

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