Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 29 Novembro |
São Saturnino de Cartago 
Aleteia logo
Estilo de vida
separateurCreated with Sketch.

Por que opor-se ao “casamento” homossexual?

Aleteia Vaticano - publicado em 26/03/13

Se duas pessoas do mesmo sexo se atraem e desejam passar o resto da vida juntas, por que não podem se casar? Esta situação não seria a mesma que a de um homem e uma mulher que querem se casar? Não seria conveniente redefinir a instituição matrimonial?

Nem os governantes, nem os legisladores nem os juízes têm direito de redefinir o casamento desconectando-o da alteridade sexual que está na própria fonte da humanidade. O casamento é uma instituição imemorial que reconhece o compromisso estável entre um homem e uma mulher para fundar uma família. Estender o casamento a duas pessoas do mesmo sexo significa impor a indiferença sexual como uma nova norma, quando a alteridade está no começo da vida humana e da sociedade. Isso é uma grande injustiça frente ao bem comum e o bem de cada um, especialmente dos filhos: que direito temos nós de impor a algumas crianças dois pais ou duas mães?

O casamento é a união estável entre um homem e uma mulher.

A alteridade sexual dos esposos faz parte de princípios tão comuns e evidentes, que são admitidos pela maioria das pessoas. No entanto, em alguns países, a lei permite que duas pessoas do mesmo sexo se casem. Este é um tema que causa polêmica.

Na Espanha, por exemplo, 11 magistrados do Tribunal Constitucional estão discutindo se este tipo de união pode ser considerada "casamento", em resposta a um recurso do Partido Popular, apresentado em setembro de 2005, contra a reforma socialista que permitiu o casamento homossexual. Enquanto isso, na França, o presidente François Hollande pretende que o legislativo possa estender o casamento aos casais homossexuais.

Como destacou o cardeal Vingt-Trois diante da Assembleia dos Bispos em Lourdes, em 3 de novembro de 2012, "a escolha presidencial e as escolhas legislativas não constituem um cheque em branco automático, sobretudo para reformas que afetam tão profundamente os alicerces da nossa sociedade".

O Estado e a lei podem adaptar alguns aspectos do casamento, mas não redefinir sua essência.

Ainda que o casamento tenha passado por variações jurídicas ao longo da história, sempre articulou os aspectos relacionados aos cônjuges e a procriação. A paridade pai-mãe se insere como um primeiro princípio na história da humanidade porque todo ser humano nasce biologicamente homem ou mulher. Esta alteridade é indispensável para gerar e essencial para educar o filho. Pai e mãe transmitem ao seu filho não somente a vida, mas a filiação, ou seja, seu patrimônio tanto genético como histórico, e sua complementariedade.

Quando o legislador pretende abolir a diferença entre os sexos, inventando a união matrimonial entre dois homens ou duas mulheres e sua possível "parentalidade", isso afeta o núcleo do casamento como realidade antropológica fundadora. É um abuso de poder.

Como resumiu o cardeal Vingt-Trois em Lourdes, em 3 de novembro, "a questão fundamental é a do respeito à realidade sexuada da existência humana e sua gestão pela sociedade". Na sua opinião, quando se elimina a paridade estrita em numerosos âmbitos da vida social e se impõe, no casamento e na família em que a paridade é necessária e constitutiva, uma visão do ser humano sem reconhecer a diferença sexual, cai-se em um engano que destrói um dos fundamentos da nossa sociedade e instaura uma discriminação entre as crianças.

Para o grão-rabino Rabino Gilles Berheim, a legalização do casamento homossexual causa um grande dano ao conjunto da sociedade em benefício de uma ínfima minoria, uma vez que há três elementos irreversivelmente deformados:

– As genealogias, ao substituir a paternidade e a maternidade pela parentalidade.

– O status do filho, que passa de sujeito a objeto sobre o qual alguém tem um direito.

– As identidades ou a sexualização como dadas pela natureza teriam de ceder a vez obrigatoriamente à orientação expressada por cada um, em nome de uma luta contra as desigualdades, pervertida em erradicação das diferenças.

Basear o casamento na alteridade sexual não é homofóbico nem discriminatório.

A diferença homem-mulher estrutura a sociedade (da qual a família é a célula básica), por meio do casal conjugal e parental. Afirmar que o direito ao casamento exige a alteridade dos sexos não é ser homofóbico. Destacando que "a igualdade não significa deixar de diferenciar", o pastor Claude Baty considera "absurdo questionar o que sempre foi o funcionamento normal da humanidade, ou seja, o fato de que se precisa de um homem e uma mulher para ter um filho".

"Negar este 'direito ao casamento' às pessoas do mesmo sexo não implica nenhuma discriminação", destaca, por sua vez, o bispo de Bayona, Dom Aillet. Para ele, "toda pessoa merece ser reconhecida e respeitada em sua dignidade; e esta dignidade precede a orientação sexual da pessoa e repousa fundamentalmente na sua identidade, que é sempre, sejam quais forem suas tendências ou seu estilo de vida, a de ser um homem ou uma mulher. Ao contrário, é uma discriminação injusta, para a grande maioria de casais e para os filhos aos quais se nega institucionalmente o direito de ser adotados por um pai e uma mãe, redefinir o casamento e a filiação no código civil sob pressão, depois de tudo, de uma minoria ativista".

O acesso à procriação artificial por parte das pessoas homossexuais atenta contra a dignidade humana e o respeito à vida.

A reivindicação do casamento homossexual inclui o acesso à procriação artificial. As mulheres exigem a inseminação artificial (que oculta a identidade do pai biológico) e os homens, as "barrigas de aluguel" (mulheres que não são consideradas mais do que "gestantes").

Após o pretendido "direito ao filho", prepara-se a instrumentalização do corpo da mulher e a gestação corre o risco de ser promovida em nome de um princípio de não-discriminação entre as mulheres e os homens, incapazes estes últimos de dar à luz.

Além disso, a pretendida "homofiliação" alimenta o sonho do "bricolagem genética". que tenta fabricar seres humanos com os genes de vários homens ou mulheres, adverte Alain e Pascale Ricaud.

O casamento homossexual priva a criança dos seus direitos fundamentais.

Por que privar as crianças adotadas do direito de ter um pai e uma mãe?

"Enquanto o filho não pode nascer mais do que de um homem e uma mulher, o possível acesso à adoção colocaria juridicamente em dúvida esta realidade, fazendo acreditar que é possível nascer de duas pessoas do mesmo sexo", constata a União Nacional de Associações Familiares da França (UNAF), que pede que se mantenha o acesso à procriação artificial somente por razões estritamente médicas e que se proíba a gestação para outros.

A possibilidade de que um casal de homossexuais adote menores deixa a porta aberta para a discriminação das crianças, que se veem privadas de ter um pai e uma mãe, e abre o interrogante de como realizar a seleção das crianças que irão a lares com pai e mãe ou a lares somente com pais ou somente com mães.

Tags:
Casamentogenerohomossexuais
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia