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Igreja Ortodoxa e Papa Francisco: continua diálogo rumo à unidade

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Entrevista com o metropolita Gennadios

A esperança de que, com o Papa Francisco, o diálogo prossiga e se chegue à unidade visível entre todos os cristãos; a decisão de levar a cabo iniciativas comuns para a proteção do ambiente; o convite a Constantinopla (Turquia) para 30 de novembro de 2013: tudo isso no encontro entre o patriarca ecumênico Bartolomeu I e o Papa Francisco, por ocasião da audiência concedida pelo Pontífice aos representantes das igrejas e comunidades eclesiais e de outras religiões.
 
Apresentamos uma entrevista realizada com o metropolita Gennadios Zervos, arcebispo ortodoxo da Itália e Malta.
 
A presença de Bartolomeu I na Missa de inauguração do pontificado do Papa Francisco representa um gesto histórico importante. Que significado podemos atribuir a esta decisão?
 
Gennadios Zervos: É um gesto extraordinário, um acontecimento histórico que não ocorria desde o Cisma de 1054. A presença de Bartolomeu I na Missa de início do pontificado representa um sinal importante de continuidade no diálogo empreendido pelas duas igrejas para trilhar o mesmo caminho rumo à unidade dos cristãos, caminho que devemos e podemos percorrer juntos.
 
Do que Bartolomeu I e Francisco falaram?
 
Gennadios Zervos: O patriarca sublinhou o aspecto do ecumenismo, da unidade dos cristãos, do diálogo, da colaboração, mas também a atenção – como disse o Papa – pelos pobres e pequenos. Discutiram sobre iniciativas comuns para a defesa do meio ambiente, já que ambos demonstraram estar muito atentos a esta questão.
 
Que passos devem ser dados rumo à reconciliação definitiva com a Igreja de Roma e que gestos ecumênicos se esperam deste novo Papa?

Gennadios Zervos: A Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa já trabalha nesta direção e enfrenta diversas problemáticas. Nós, como bispos e arcebispos, colaboramos no campo prático, com os fiéis. Tudo depende do povo de Deus: devemos fazer o amor de Deus voltar por meio da reconciliação, do amor, da espiritualidade, entregando-nos à vontade de Deus pela vida da Igreja.
 
Que gestos ecumênicos se esperam do novo Papa?
 
Gennadios Zervos: Não podemos dizer o que nós esperamos do Papa Francisco; oramos para que Deus o ilumine, para que, durante o seu ministério, ele realize ações e sinais que possam ajudar na realização da vontade de Deus. Somos igrejas irmãs, e acho que as coisas não dependem só do Papa, mas também de nós, bispos e arcebispos, para que se recupere a paz, o diálogo e o amor, para obter a unidade entre os cristãos. Devemos trilhar o mesmo caminho. Do Papa esperamos sempre coisas novas – e isso já começou com a sua simplicidade, disponibilidade, amor, alegria. Coisas puras que nos fazem esperar fortemente que o Papa abra uma nova página, uma página histórica e de ouro, para obter uma única Igreja de Cristo.
 
O senhor acha que o reforço do diálogo entre Roma e Constantinopla poderia melhorar a relação também com a Igreja Ortodoxa Russa?
 
Gennadios Zervos: Claro que sim. Hoje, estava presente também a delegação da Igreja Ortodoxa Russa, com o metropolita Hilarion. Também eles esperam que o diálogo siga adiante sem dificuldades e problemas. Tenho certeza de que o Papa, com sua personalidade, impulsionará a abertura de um novo caminho, também para a Igreja Ortodoxa Russa.
 
Bartolomeu I convidou o Papa a visitar a Turquia?
 
Gennadios Zervos: Sim, convidou Francisco a viajar a Constantinopla no dia 30 de novembro, para a festa de Santo André, padroeiro da Igreja Ortodoxa. O Papa recebeu o convite com grande alegria. Oramos para que ele possa ir, pois ele acolheu o convite com profundo agradecimento.

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