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Jesus teria apoiado o “casamento” homossexual?

Karna Swanson - publicado em 10/04/13

Alguns cristãos dizem que existem razões para acreditar, com base na Escritura, que Jesus teria apoiado o “casamento” homossexual. Existe ambiguidade na Bíblia com relação à definição de casamento?

Jesus ensinou claramente que o casamento acontece entre um homem e uma mulher. Não, Jesus não teria apoiado o “casamento” homossexual, porque Ele reafirmou claramente a definição de casamento que se encontra no Antigo Testamento, segundo a qual é uma união exclusiva entre um homem e uma mulher, para a vida toda e orientada a gerar e criar os filhos. Este foi considerado também o ensinamento fundamental da Igreja Católica ao longo da sua história.

A base escriturística do matrimônio é estabelecida no Gênesis, quando Deus cria a pessoa humana – homem e mulher – à sua divina imagem e semelhança.

O casamento é um tema central na Escritura, que fala do seu “mistério”, da sua instituição, do sentido que Deus lhe deu, da sua origem e do seu fim (CIC 1602).

De fato, a Bíblia começa e termina com o casamento: no Gênesis, lemos a criação de um homem e de uma mulher à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 27); e no Apocalipse encontramos a visão das “bodas do Cordeiro” (Ap 19, 7-9).

O fundamento do casamento foi estabelecido no sexto dia da criação, quando Deus “criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou” (Gn 1, 27). “A vocação para o matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, tais como saíram das mãos do Criador” (CIC 1603).

“A íntima comunidade da vida e do amor conjugal, fundada pelo Criador e dotada de leis próprias, é instituída por meio da aliança matrimonial”, afirmou o Concílio Vaticano II. “O próprio Deus é o autor do matrimônio, o qual possui diversos bens e fins” (Gaudium et spes, 48).

A criação da mulher, que participa da mesma realidade do homem – representada simbolicamente pela costela – nos fala da alma profunda do matrimônio como unidade de vida e de amor.

O Cântico dos Cânticos exalta o amor em sua beleza, ligada à paixão, ao eros, ao sentimento, mas também em sua reciprocidade total de doação: “Meu amado é para mim e eu sou para o meu amado”. Também os profetas recorrem ao simbolismo matrimonial para celebrar a aliança entre o Senhor e o seu povo (Jr 2, 2; Os 2).

Deus reconhece que Adão não deveria estar sozinho e que precisava de uma “ajuda adequada”. Esta companhia é uma mulher, Eva.

No segundo capítulo do Gênesis, Deus determina que não seria bom que o homem estivesse sozinho e que precisaria de uma “ajuda adequada” (Gn 2, 18).

Charles Pope, pároco da Holy Comforter-St. Cyprian e popular blogueiro da arquidiocese de Washington, observa que uma companhia adequada para Adão é, em primeiro lugar, um humano. “E o homem deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens, mas não encontrou uma auxiliar que lhe correspondesse” (Gn 2, 20).

O Gênesis explica que Deus tomou uma das costelas de Adão, enquanto ele dormia, e com ela “o Senhor formou uma mulher” (Gn 2, 21-22).

Deus então apresentou Eva a Adão e este exclamou: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘humana’ porque do homem foi tirada” (Gn 2, 23).

“A companhia adequada para Adão era uma mulher – conclui Pope. Deus criou Eva, uma mulher, não Estêvão, um homem.”

Além disso, observa, “a companhia adequada para Adão é 'uma' mulher. Pois Deus não criou Eva, Helena, Joana e Susana. Portanto, a poligamia não está no plano de Deus”.

Apesar de que “vários patriarcas do Antigo Testamento tiveram mais de uma esposa”, Pope recorda que “o que a Bíblia narra como fatos não significa necessariamente que os aprove”.

“O fato é que a Bíblia mostra que a poligamia sempre traz problemas. Como a história bíblica demonstra, a poligamia começa a desaparecer”, acrescenta.

Adão e Eva “se tornam uma só carne”, constituindo um vínculo para a vida toda, estável e indissolúvel.

Depois que Deus criou Eva a partir da costela de Adão, o narrador do Gênesis comenta: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”.

“Ser uma só carne significa aderir, grudar – diz Pope. Portanto, o divórcio e a desunião não fazem parte da visão de Deus para o casamento.”

“Marido e mulher têm de lutar pela unidade e pela estabilidade, com a graça de Deus – acrescenta. O divórcio 'expresso' da nossa cultura é hostil aos planos de Deus para o casamento. Os casais não deveriam buscar saídas fáceis, mas fazer o necessário para preservar a união e a estabilidade em seu compromisso matrimonial.”

O Concílio Vaticano II afirma que, “pela aliança conjugal 'já não são dois, mas uma só carne' (Mt 19, 6), prestam-se recíproca ajuda e serviço com a íntima união das suas pessoas e atividades, tomam consciência da própria unidade e cada vez mais a realizam.”

E acrescenta que “esta união íntima, já que é o dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união”.

A Conferência Episcopal dos EUA nos recorda que a união entre um homem e uma mulher no matrimônio é “um vínculo que não pode ser dissolvido por vontade dos esposos. (…) O matrimônio é uma esfera fiel e privilegiada de intimidade entre os esposos, que dura até a morte”.

Deus mostra que os filhos são uma dimensão essencial do matrimônio, quando diz a Adão e Eva que sejam fecundos e se multipliquem.

O primeiro capítulo do Gênesis termina quando Deus abençoa o primeiro homem e a primeira mulher e lhes diz: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1, 28).

Desde o começo, Deus esclareceu que um dos propósitos essenciais do casamento é trazer ao mundo e criar os filhos. O Concílio Vaticano II afirma que, “por sua própria índole, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados para a procriação e educação da prole, que constituem como que a sua coroa” (Gaudium es spes).

“Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimônio e contribuem muito para o bem dos próprios pais”, acrescenta. “O autêntico cultivo do amor conjugal, e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimônio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do criador e salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a sua família.”

O Catecismo observa que “os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu matrimônio irradia uma fecundidade de caridade, de acolhimento e de sacrifício” (CIC 1654).

Jesus reafirma o plano de Deus para o casamento, tal como é apresentado no Gênesis, e acrescenta: “O que Deus uniu, o homem não separe”.

No capítulo 19 do Evangelho de Mateus, perguntam a Jesus sobre o casamento e a possibilidade do divórcio. Sem hesitar, Ele responde: “Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne’? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19, 4-6).

Mas as pessoas continuavam pressionando, observando que o próprio Moisés permitiu o divórcio. Jesus responde com a mesma clareza: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio. Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher – fora o caso de união ilícita – e se casa com outra, comete adultério” (Mt 19, 8-9).

Nesta conversa, Jesus é claro na definição de matrimônio: ele acontece entre um homem e uma mulher e é um vínculo que nem sequer os próprios cônjuges podem romper.

Charles Pope interpreta o texto desta maneira: “Jesus não diz que um homem se une a um 'parceiro', mas à sua 'mulher'. Jesus acrescenta, com sua própria autoridade: 'O que Deus uniu, o homem não separe'. Este texto sem dúvida proíbe o divórcio, mas também se poderia argumentar uma interpretação mais ampla, na qual Jesus os proíbe de interferir no que Deus estabeleceu”.

Para compreender como as primeiras comunidades cristãs receberam os ensinamentos de Jesus sobre a indissolubilidade do casamento, São Paulo, que fala muitas vezes da relação entre marido e mulher, não hesita em transformar o casamento em um grande símbolo cristológico e eclesiológico. Em Efésios 5, 25-33, a doação amorosa entre os dois é comparada com a de Cristo e a Igreja: “Este mistério (nupcial) é grande; eu o digo com relação a Cristo e à Igreja”.

O Papa Leão XIII observa que, ao ler o Evangelho de Mateus, “vemos claramente que esta doutrina (do matrimônio) foi declarada e amplamente confirmada pela divina autoridade de Jesus Cristo. Ele deu testemunho aos judeus e aos seus apóstolos de que o matrimônio, desde a sua instituição, só deveria existir entre dois, isto é, entre um homem e uma mulher; de que os dois constituiriam, diz, uma só carne; e de que o vínculo matrimonial é, por vontade de Deus, tão forte e profundo, que ninguém pode dissolvê-lo ou rompê-lo”.

Também diz: “Jesus Cristo, que restaurou a nossa dignidade humana e que aperfeiçoou a lei mosaica, teve, desde o começo do seu ministério, muita solicitude com relação à questão do casamento. Enobreceu o casamento em Caná da Galileia com a sua presença e o tornou memorável com o primeiro milagre que realizou; por este motivo, desse dia em diante, é como se Ele tivesse conferido uma nova santidade aos casamentos humanos”.

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