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Maus tratos à mulher: o que mudou foi a visibilidade

Inma Alvarez - publicado em 15/04/13

A socialização e a mudança cultural são essenciais para acabar com esta praga

Nos países latino-americanos, são muitas as denúncias de diversas instâncias sociais contra os maus tratos – inclusive assassinatos – a mulheres. No último final de semana, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) do México denunciava que 3 de cada 10 mulheres sofrem de maus tratos.


Sobre este tema, a Aleteia conversou com Ana María Yévenes, doutora em Ciências Sociais e diretora do Centro de Estudo e Pesquisa sobre Família (CEIF), da Universidade Finis Terrae (Chile).

Em sua opinião, quais são as causas dos maus tratos à mulher? Analfabetismo? Pobreza? Machismo? Desestruturação familiar?


As causas são muitíssimas e variadas, e vão dos distúrbios psiquiátricos às crises familiares, passando, obviamente, por tendências culturais. No entanto, penso que é um erro identificar a violência contra a mulher com a pobreza ou o analfabetismo. Um novo tipo de maus tratos que se começa a observar se dá contra a mulher de classe alta ou profissional. São casos que, pela imagem ou poder do agressor, costumam ser abafados.

Você diria que as culturas hispânicas são machistas? Nos países hispânicos há mais violência que nos outros?


Quando falamos de Europa, falamos de uma variedade de países muito grande: os franceses são diferentes dos alemães, e estes dos ingleses ou italianos. Ter uma língua comum e ter sido colonizados e cristianizados pelos espanhóis não facilita a tarefa de ter um diagnóstico comum.


No entanto, mais que um problema de machismo, eu diria que o homem latino-americano (e talvez o espanhol) teve mais dificuldade para entrar no âmbito doméstico e tendeu a ficar fora de casa. Para ele, é mais custoso participar dos trabalhos domésticos ou assumir a corresponsabilidade na educação dos filhos. Mas não é um problema necessariamente dos homens; eu diria que é mais um problema da mãe que socializou os filhos. No entanto, insisto em que a mudança cultural é grande e os novos esposos e pais não concebem estar excluídos da criação dos filhos: desfrutam a família, desfrutam sendo protagonistas no lar.

É verdade que grande parte da violência acontece dentro do casamento, como denunciam muitas correntes feministas? O casamento (e, por conseguinte, a maternidade) seria uma instituição opressora da mulher?


Sim e não. Evidentemente, boa parte da violência contra a mulher acontece no lar. Isso somente se falamos dos nossos países. Há outras culturas, da África ou Ásia, em que a violência vem do Estado ou da sociedade como conjunto.


Acontece no lar porque é o espaço em que há maior proximidade, maior possibilidade de interação profunda e, por isso mesmo, maior possibilidade de conflito. Mas também o mundo trabalhista, e inclusive o mundo político, podem gerar muita violência contra a mulher.


Mas isso não tem nada a ver com a crença de que o casamento, a maternidade e a família são, em si mesmas, instâncias de opressão e violência. Parece-me que as ideologias ou grupos que sustentam isso perderam força porque são caricaturas e, como tais, o bom senso as relegou a grupos minoritários.

Para você, qual é o caminho a seguir para acabar com os maus tratos à mulher?


Acabar com os maus tratos à mulher, a meu ver, implica em entender, aprofundar e reconhecer a dignidade do ser humano e a proteção aos mais fracos. Pertenço ainda à geração que sofreu a discriminação invisível quanto a oportunidades, valorização do trabalho, reconhecimento e apreço pelas características femininas.


Finalmente, são maus tratos a desigualdade em salários que existe entre homens e mulheres que desempenham uma mesma função. No entanto – posso estar muito equivocada –, não acredito nas cotas, nos protecionismos ou privilégios; acredito mais em uma mudança, talvez mis lenta, porém mais profunda: uma mudança cultural, que permita assentar uma igualdade de oportunidades entre homens e mulheres; que permita uma convivência, uma complementariedade natural enriquecedora. Isso implica necessariamente em uma educação e uma socialização adequadas das novas gerações.

Por último, você acha que a Igreja e as instituições católicas fazem ou poderiam fazer mais para lutar contra este problema?


Evidentemente. As instituições da Igreja e os católicos devem dar o exemplo, neste sentido. Jesus – apontando completamente contra a sua cultura – dignificou a mulher e condenou a violência contra ela. Fazer o contrário é ir contra o Evangelho.

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