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Por que mentimos?

Aleteia Vaticano - publicado em 30/04/13

Existem muitos exemplos que revelam a decadência de uma época: a mentira se tornou algo cotidiano

Um ministro que jura, "olhando nos olhos", que não tem conta na Suíça; policiais que garantem não ter percebido a presença de 300 mil manifestantes; um palácio parisiense no qual supostamente nunca houve consultas para o GPA (aluguel de barrigas). Existem muitos exemplos, todos recentes, que revelam a decadência de uma época: a mentira se tornou algo cotidiano.


No final, aparece a verdade. E quando ela é descoberta, os danos são numerosos. A mentira destrói uma relação de confiança. Aqueles que se atrevem devem pensar duas vezes antes de mentir! Inclusive para perdoar, esquecer e reparar. A mentira instala um mal-estar constante, um sentimento de suspeita e de desconfiança.

Mas por que mentimos?


Acima de tudo, por medo: medo de enfrentar a outra pessoa, medo de ser julgados, medo das consequências dos nossos atos. Esta primeira covardia é a réplica de outra realidade: se escondo a verdade do meu interlocutor, decido que ele não tem direito de saber a verdade.


Eu o desprezo e o trato irresponsavelmente. Considero que não é digno de saber ou, pior ainda: eu o manipulo. Não o vejo como uma pessoa, mas como um indivíduo manipulável. Esta é uma grave injustiça com relação à dignidade da pessoa.


Por outro lado, no caso das vítimas das nossas mentiras, as reações são unânimes. O que predomina é o sentimento de ter sido manipulado, traído, enganado, humilhado. Há um sentimento de injustiça que talvez seja o único consolo para a natureza humana: mentir é errado.


Do lado do mentiroso, às vezes a explicação é: "Eu me vi obrigado a mentir". O paradoxo é que a pessoa vai se fechando cada vez mais (e inventa outras mentiras para proteger a primeira), enquanto deseja secretamente ser descoberto um dia, e ficar livre desse círculo.

Revolução frente à realidade


Existe outro tipo de mentira: a ideologia. O debate sobre o casamento e a adoção de filhos por parte de pessoas do mesmo sexo é um exemplo perfeito.


Como poder dialogar se o seu oponente nega a realidade, com o fim de substituí-la pela sua ideologia? Rimos assistindo ao filme "A vida de Brian", de Monty Python. E agora percebemos que este filme foi profético.


Dado que o real nos demonstra o contrário, a lei (hoje em dia) e a ciência (amanhã) estão chamadas a dizer algo a mais sobre isso. Não é uma revolução contra a injustiça, é uma revolução contra a realidade.


Para destilar esta revolução, nada melhor que mentir à inteligência e começar por trocar as palavras: por exemplo, não se deve dizer "mãe de aluguel", mas "babá pré-natal". Quanto maior a dimensão, mais costuma acontecer isso!

O que é a verdade?


Esta pergunta foi feita por um procurador romano famoso a um inocente que estava a ponto de ser condenado à morte. Para nós, cristãos, a verdade tem um nome e um rosto. Ela se encarna em Jesus Cristo: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida".


Ele não disse "um caminho", "uma verdade", "o final do caminho" ou "uma parte da verdade". Ele afirmou ser "o" caminho, "a" verdade.


A verdade é sempre uma e ela nos é dada: nós a recebemos, assim como a realidade, para que possa brilhar com seu próprio esplendor. Mentir é falar contra a realidade, com a intenção de enganar. Então, a luz já não pode brilhar e as trevas reinam.


Uma sociedade na qual a mentira se integra no sistema, começando pelo estudante que cola em uma prova, até um ministro que mente na Assembleia Nacional, ou seja, do nível mais baixo ao mais alto do Estado, é uma sociedade em plena decadência, que acorrenta a si mesma, que se envenena, obscurecendo a inteligência dos seus membros.


É urgente que surja uma juventude que tome a decisão correta. Mas será que ela desejará escolher aquele que se chama "pai da mentira" ou aquele que se fez discípulo de um homem que afirmou: "A verdade os fará livres" (Jo 8, 32)?

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