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Segredo para criar pontes: o bom humor

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Jorge Traslosheros - publicado em 16/05/13

Uma reflexão sobre o Átrio dos Gentios do México

Há alguns dias, foi realizado o segundo encontro de fé e cultura organizado pela Conferência Episcopal Mexicana. Desta vez, contou com a participação do cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, um homem sábio e simples.

O Átrio dos Gentios foi criado por iniciativa de Bento XVI, com o fim de incentivar o diálogo entre crentes e não crentes, para buscar honestamente a verdade.

A estética da iniciativa me fascina. No antigo templo de Jerusalém, existia um pátio especial para aqueles que, não sendo judeus, queriam se aproximar de Deus; mas, em seu extremo, existia uma pedra que marcava o limite para além do qual se perderia a vida.

São Paulo explica que Cristo, ao ressuscitar, destruiu esta pedra, unindo a humanidade em um só povo. No entanto, como nos diz a história, nossa néscia condição humana muitas vezes, ao invés de criar pontes, constrói muros.

No mesmo dia do encontro no México, o Papa Francisco falou, em sua homilia matutina, que "o cristão que quiser celebrar o Evangelho deverá dialogar com todos", porque a verdade não é uma possessão, mas um encontro.

E acrescentou: "Os cristãos que têm medo de criar pontes e preferem construir muros (…) não estão seguros da sua fé, não estão seguros de Jesus Cristo". O Átrio dos Gentios é iniciativa da Igreja porque, de outra maneira, não poderia se chamar "Católica".

O tema proposto desta vez foi "laicidade e transcendência no México". Melhor impossível, porque indica um dos nossos graves problemas culturais. Reconheçamos que, neste assunto, transitamos entre a intolerância, a exclusão e a indiferença.

Estiveram presentes o cardeal Ravasi, Mario Ángel Flores (reitor UPM), Carlos Ornelas (UAM), Guillermo Hurtado (UNAM), Eduardo González di Piero (UMSNH), Virginia Aspe (UP), Julio Hubard (poeta), Rodrigo Guerra (CISAV) e eu.

O encontro, além de interessante e franco, centrou-se nas condições necessárias para empreender o diálogo e solucionar este grande assunto pendente que machuca a nossa convivência. Em outras palavras, identificar os materiais necessários para construir as pontes.

Cinco ideias, entre muitas, chamaram a minha atenção:

1. O ponto de partida deve ser o respeito à identidade do outro, pois só assim se pode encontrar o que é comum dentro da diferença, sem exigir que ninguém claudique daquilo que o constitui como pessoa.

2. A necessidade de nos abrir-nos ao pensamento analógico como veículo de comunicação para que, por exemplo, quando falemos de liberdade, justiça ou caridade, possamos identificar o substrato comum do que pretendemos, sem negar as diferenças no que foi expresso, para progredir no encontro e na colaboração.

3. É necessário renunciar ao discurso maximalista, que não só reivindica a própria posição como a única certa, mas exige o aniquilamento do outro.

4. Todos nós somos capazes da verdade e esta existe com independência de quem a pronuncie. Assim, o encontro entre religião e cultura, entre fé e razão, é não somente desejável, mas também necessário.

5. A beleza, por manifestar a verdade da nossa humanidade, abre espaço para a expressão da razão e do Espírito Santo, pelo que é condição de possibilidade para o encontro.

Da minha parte, quero propor como essencial na construção dessas pontes o bom humor. No tédio, a razão não sobrevive, nem o Espírito Santo habita. 

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