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“Liberdade” sexual

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Jacques COUSIN/CIRIC

Aleteia Vaticano - publicado em 17/05/13

JMJ Rio 2013, temas fundamentais para a juventude: "uma sociedade que busca primar pelos instintos em detrimento da razão e do espírito é facilmente manipulável"

A biologia ensina que o ser humano é um animal sexuado, ou seja, se reproduz através do ato sexual, fato que fundamenta a comparação com outros animais que também se reproduzem da mesma forma. Há quem compare o comportamento sexual humano com o comportamento sexual de um cachorro e fundamenta-se exatamente no fato deste também ser sexuado. Embora pareça óbvio que a comparação com outros animais diminua o valor do ser humano, muito se defende hoje a ideia do sexo livre em detrimento do compromisso, promove-se a vivência de uma sexualidade fundamentada no instinto e na busca pelo prazer. Há que se lembrar, ainda que pareça insensato ser necessário, que o ser humano além de sexuado é um animal racional e além de racional é um ser espiritual.

Sendo o ser humano um ser de dimensões bio-psico-espiritual, sua sexualidade não está dependente apenas de seus instintos de procriação ou de preservação da espécie, à medida que evolui, o homem encontra novos sentidos para a vivência de sua sexualidade. Diferentemente dos animais, o ser humano é um ser totalmente dependente. Ao nascer, um bebê necessita ser cuidado, alimentado e, à medida que vai crescendo, necessita ser educado e protegido. Embora hoje se fale de diferentes formas de família, as ciências humanas e em especial a psicologia ensinam que os vínculos afetivos que ligam o filho à mãe e ao pai, e também os pais entre eles, são de vital importância para o desenvolvimento saudável de uma criança. Esta interdependência que se dá entre os seres humanos determina um novo sentido à sexualidade, a necessidade de um compromisso. O ato sexual, embora seja prazeroso e possível de ser realizado com diferentes e diversos parceiros, requer um caráter de compromisso de fidelidade, pois para que um filho cresça de forma saudável faz-se necessária a presença do pai e da mãe e, mais que isso, a união harmoniosa de ambos selada em um vínculo de amor.

A castidade é um valor, pois representa a possibilidade de vivência de uma sexualidade segura. O jovem que aprende a importância da castidade é capaz de educar-se, harmonizando as forças hormonais que se estruturam em seu corpo viril e cheio de potência de vida. A vivência da castidade educa o corpo e revela aos instintos que estes não são capazes de comandar as atitudes, embora sejam presentes, quando harmonizados aprendem a obedecer à razão e ao espírito.

Hoje, em todo o mundo, há diferentes teorias sobre a educação sexual, fala-se de uma liberdade sexual fundamentada na resposta aos instintos em detrimento da razão e da importância dos vínculos afetivos. Em países do terceiro mundo os governos optam por promover o sexo livre desde o início da adolescência. No Brasil o governo segue o mesmo caminho, distribuindo preservativos, anticoncepcionais e até a pílula do dia seguinte gratuitamente para toda a população, sem oferecer uma educação sexual e sem falar sobre o valor dos vínculos afetivos e da castidade.

Se por um lado uma sociedade evoluída é aquela onde as pessoas aprenderam a primar pela razão e o espírito acima dos instintos, uma sociedade que busca primar pelos instintos em detrimento da razão e do espírito é facilmente manipulável, jamais livre, ao contrário, escrava de seus próprios condicionamentos.

*Élison Santos é Psicólogo Clínico

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