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Estilo de vida

Caso Angelina Jolie: tragédia do câncer afeta principalmente a família

ARTEM KOROTAYEV

Silvia Costantini - publicado em 18/05/13

A psicoterapeuta Barbara Barcaccia explica o impacto que a doença neoplásica pode ter e como encontrar os recursos internos para lidar com ela

As recentes declarações de Angelina Jolie relançaram o tema do drama de quem é afetado por um defeito genético, com graves consequências para a própria saúde. Nas páginas do New York Times, a famosa atriz norte-americana anunciou que se submeteu a "uma dupla mastectomia preventiva", por medo de ter câncer de mama.


A decisão, segundo declarou Jolie, foi baseada no fato de ela ser portadora de um gene que tem predisposição para a doença, bem como pela morte precoce de sua mãe devido ao câncer de mama.


Para refletir a partir desta experiência, a Aleteia entrevistou Barbara Barcaccia, psicoterapeuta e professora da Associação de Psicologia Cognitiva.

Uma patologia como esta pode ter um impacto emocional e criar condicionamentos futuros na vida dos familiares?


A literatura científica confirma que o diagnóstico de uma patologia orgânica séria pode ter um grande impacto não só nos pacientes, mas também na família, ou em outras pessoas que estão ao redor do paciente.


De fato, um dado interessante é que, durante os períodos em que o paciente com câncer é submetido a tratamento – quimioterapia ou radioterapia –, o estresse de tipo psicológico e, por conseguinte, com sintomas ansiosos e depressivos, é ainda maior no cuidador, isto é, naquele que se encarrega da pessoa, mais que no próprio paciente. Porque existem equilíbrios que se rompem. É como uma mãe com filhos adolescentes.

Por um lado, é aconselhável e prudente a realização de exames de rotina para a própria saúde, mas, por outro, a busca obcecada por controle sobre o próprio destino biológico não poderia conduzir a uma visão excessivamente materialista da vida?


A dimensão da incerteza e do risco é uma categoria da existência. Naturalmente, a busca obsessiva de controle para evitar que eventos negativos possam acontecer é um esforço inútil, que nos faz perder de vista os aspectos importantes da vida.


Porque, na busca frenética de certezas absolutas, a pessoa acaba desenvolvendo um transtorno hipocondríaco ou patológico de ansiedade generalizada em algumas áreas da existência. Todas as energias psicológicas, mentais e emocionais acabam focadas na busca de certezas absolutas.


Já foi demonstrado, de fato, do ponto de vista científico, que a ansiedade por controle é uma ilusão da mente. Portanto, se é verdade que, para alguns tipos de câncer em mulheres, há grandes chances de sucesso se detectados numa fase inicial, também é verdade que algumas doenças orgânicas serão incuráveis, mesmo com um diagnóstico precoce.


A aceitação de eventos negativos na existência é algo com o qual todos temos de lidar, mas deve haver um equilíbrio adequado no desejo de curar, prevenir e preservar a própria saúde, sem o qual o controle pode se tornar o único propósito da vida da pessoa.

A dor faz parte da vida. Diante de uma notícia devastadora como a de um câncer, como encontrar o equilíbrio para aceitar a realidade e os recursos para lidar com a doença?


Eu gosto de tentar pensar na doença não como um drama, mas como um fato que pode ter muitas interpretações diferentes. O primeiro aspecto é que a dor deve ser aceita como uma outra categoria da existência. Hoje em dia, podemos controlar farmacologicamente a maior parte das dores relacionadas aos tumores malignos, mas há um resíduo que se escapa dos analgésicos.


Quanto ao impacto emocional, inicialmente se reage com um choque ou uma negação. Depois, há a reação clássica de raiva contra o destino, a vida, Deus, "por que eu?". Em seguida, chega a reação de tristeza muito profunda, depressão. Por isso, é necessário ter um pouco de paciência consigo mesmo. Ansiedade, tristeza e raiva são reações normais.


Há um processo natural de elaboração deste tipo de situação de sofrimento que geralmente conduz a pessoa, pouco a pouco, a adaptar-se e a aceitar seu contexto, encontrar novos objetivos pelos quais valha a pena viver. Nem sempre a pessoa consegue passar por este processo sozinha. Por isso, torna-se necessário um apoio psicológico, para que a pessoa não permaneça bloqueada por estas reações emocionais de maneira muito intensa e demorada.


Hoje em dia, a acceptance and commitment therapy, uma categoria da psicoterapia cognitivo-comportamental baseada na aceitação e no compromisso, é o mais eficaz e atualizado método de gestão não só da dor física, mas também de todas as respostas emocionais à doença, que são, de alguma forma, inevitáveis. Outra indicação é fazer parte de grupos de autoajuda formados por pessoas que sofrem da mesma doença.

A dimensão espiritual pode ajudar?


As pesquisas mostram que as pessoas com recursos espirituais são capazes de se adaptar mais facilmente e também dar um sentido ao que aconteceu dentro de sua existência.


Por isso, também pode ser de ajuda reapropriar-se do aspecto religioso, que talvez possa ter sido abandonado no decorrer da vida. É importante não se isolar e ser capaz de comunicar-se com os outros, com os familiares, com os amigos, talvez simplesmente expressando um desejo de ser ouvido, sem pretender encontrar uma solução a qualquer preço.

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