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Crianças e Facebook: violação da idade legal

Silvia Costantini - publicado em 22/05/13

Os riscos do uso prematuro das redes sociais

Cerca de 90% das crianças entre 9 e 10 anos já têm um perfil no Facebook e uma ampla rede de contatos online, ainda que a idade mínima legal de acesso seja de 14 anos.


Esta é a denúncia que surge de um recente estudo feito pela Associação Meter Onlus, fundada por Fortunato Di Noto, em algumas escolas de Ensino Fundamental de Avola, com 770 alunos.


A Aleteia conversou sobre este assunto com o Prof. Ezio Aceti, psicólogo infantil e educador, no contexto da 47º Jornada Mundial das Comunicações Sociais, com o tema "Redes sociais: portas de verdade e de fé, novos espaços de evangelização", realizada no dia 12 de maio.

Quais são os perigos para uma criança desta idade que tem perfil no Facebook?


Antes de tudo, devemos nos perguntar por que a criança de 9, 10 anos entra tão facilmente no Facebook. Fizemos uma observação, fotografando milhares de quartos das crianças de hoje, comparando-os com os das crianças de 40 anos atrás. Os quartos das crianças de hoje estão cheios de coisas; isso significa que uma criança de 0 a 10 anos é bombardeada com estímulos desde pequena.


Portanto, a criança aprende muito cedo a vincular estes estímulos, é habilidosa, rápida, veloz. Por isso, é capaz de entrar no Facebook. Mas lhe falta a profundidade para entender as coisas, os estímulos.


Os riscos são exatamente estes, ligados ao fato de que a criança não é capaz de discernir o bem do mal, a superficialidade da profundidade. O risco é o da "adultização infantil", ou seja, a criança, na rede social, faz coisas que são maiores que ela.

O comportamento dos pais frente à exigência de viver socialmente pode ser de rejeição, acompanhamento ou indiferença. O que você aconselha, neste sentido?


Minha primeira sugestão é que todos os pais configurem o Controle dos Pais nos seus computadores, de maneira que a publicidade pornográfica não possa aparecer. Isso não significa privar a criança de liberdade, mas é algo preventivo.


Em segundo lugar, que o computador esteja no centro da casa, de maneira que não haja nada privado, nada secreto, pelo menos até os 14, 15 anos. Isso não é falta de confiança, mas outra maneira de prevenção. Confiar não significa deixar os menores à mercê das manipulações externas.


Em terceiro lugar, os pais podem "combinar" com os filhos sobre quanto tempo estes podem permanecer conectados. Isso significa tratá-los como adultos. Não são os pais sozinhos que decidem quanto tempo os filhos podem estar no Facebook, mas isso deve ser estabelecido juntos.


O problema é mais profundo. É preciso ter uma educação para a paternidade. É preciso fazer isso de maneira que a educação para a paternidade se torne algo cotidiano, obrigatório para todos os que têm filhos pequenos.

Que tipo de problema o uso das redes sociais pode gerar na criança, no âmbito relacional e de crescimento pessoal?


Há diversos problemas: os vinculados a tempos de exposição, como tics, manias e dependências; existem também distúrbios ligados à adultização infantil, fazendo que as crianças vivam emoções grandes demais para elas, e as crianças não são capazes de gerenciar as emoções que sentem.

Quais são os aspectos positivos da rede, com relação aos menores?


O fato é que, na dose certa e sob a vigilância dos pais, as redes são uma forma de conhecer o mundo. O mundo está cada vez mais globalizado, e nele é preciso saber gerenciar muitas redes. Com as redes sociais, as crianças se acostumam a ter muitas relações, ainda que sejam estruturadas, protegidas e pouco expostas.


Eu concluiria convidando os pais a ser prudentes e precavidos, aprendendo reciprocamente (pais-filhos) a utilizar estes instrumentos "socialmente", encontrando espaços de acordo e diálogo

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