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China: Igreja do Estado, "prisões negras" e abortos forçados

Harry Wu - publicado em 24/05/13

A perseguição à Igreja na China em suas muitas dimensões e o que é preciso fazer

A complicada relação entre a China e a Igreja Católica está historicamente enraizada nas antigas expedições missionárias e teve um impacto duradouro na cultura chinesa ao longo dos séculos.


O legado dos jesuítas pioneiros à China dinástica, que chegou no século XVI, gerou uma revolução e alimentou as almas de inúmeros chineses.


Cauteloso diante desta força transformadora, o Partido Comunista Chinês buscou firmemente controlar a expansão do cristianismo no despertar das reformas econômicas implementadas no início dos anos 80, que expuseram a China a influências internacionais.


Apesar de tais esforços, o catolicismo emergiu como um movimento poderoso, em uma cultura desejosa de realização espiritual, depois de décadas nas quais as leis comunistas dizimaram a rica base tradicional religiosa chinesa.


Apesar de o catolicismo ter enriquecido a vida de milhões de chineses que se converteram, os católicos que proclamam lealdade ao Vaticano, acima das igrejas oficialmente sancionadas, enfrentam uma intensa perseguição.


As autoridades chinesas inicialmente viam o ressurgimento cristão como um movimento político rival e uma oportunidade de exercer o controle sobre seus defensores. Em uma tentativa de controlar o crescimento do cristianismo e o sistema de crenças dos convertidos, o Partido Comunista estabeleceu duas organizações que tinham a tarefa de controlar o cristianismo no país: o Conselho Cristão Chinês e a Associação Patriótica Católica.

Estas duas organizações ditam os ensinamentos da Igreja e controlam as nomeações do clero, cujos membros devem jurar lealdade ao estritamente ateu Partido Comunista. É ilegal pertencer à Igreja não regida por alguma dessas duas organizações.


Logicamente, as relações entre o Vaticano e a Igreja Católica Chinesa patrocinada pelo Estado são tensas.


Esta situação coloca os católicos chineses diante de uma decisão difícil: aliar-se à instituição oficial do Estado ou, ilegalmente, rezar em uma igreja expressando lealdade ao Vaticano. Mais que uma mera crise de identidade, os católicos chineses que escolhem rezar na Igreja clandestina (leal ao Vaticano) enfrentam uma potencial perseguição.


A polícia local muitas vezes destrói igrejas, assedia praticantes, coloca fiéis em hospitais psiquiátricos ou nas chamadas "prisões negras".


Basicamente, o Partido Comunista teme o catolicismo porque ele atua como potencial forte rival do poder, que prega uma mensagem em rigoroso contraste com sua vazia ideologia de nacionalismo, ambição e desvalorização da pessoa humana.


O firme compromisso da Igreja Católica na promoção da dignidade inerente de cada vida contrasta com as políticas de planificação familiar do Partido Comunista, justificativa para realizar abortos forçados nas mulheres que desobedecem a política de um só filho.


Em resposta ao aniquilamento de tradições religiosas nativas e ao vazio das bases ideológicas do Partido Comunista, os chineses estão cada vez mais voltando aos ensinamentos que foram levados ao continente pelos valentes sacerdotes jesuítas, há séculos.


Frente à estendida repressão, muitos seguidores exibem o mesmo grau de fortaleza exposto pelos primeiros sacerdotes, simplesmente rezando o terço em suas igrejas locais.


À luz desta realidade, convido meus irmãos católicos a orar pelos nossos irmãos e irmãs que são perseguidos na China.


— —

* Harry Wu é diretor executivo da Fundação de Pesquisa Laogai e do Museu Laogai

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