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Creio em Deus: não estou sozinho!

Aleteia Vaticano - publicado em 04/06/13

“Creio em Deus” não pode ser uma afirmação neutra e sem consequências; se é verdadeira, a fé se expressa nas “obras da fé”

No domingo da Santíssima Trindade, celebramos na liturgia a fé em Deus, que a Igreja professa. Se observarmos bem, uma boa parte do “Credo”, nossa profissão de , diz respeito à nossa fé em Deus – Pai, Filho e Espírito Santo.

De fato, a primeira e mais fundamental questão da nossa é a que se refere a Deus; tudo o mais, decorre desse ato de fé primordial que expressamos: creio em Deus. Por isso, a Igreja nos encoraja a renovar e aprofundar o sentido e a experiência de nossa fé em Deus ao longo deste Ano da Fé; crendo com mais clareza e firmeza em Deus, seremos capazes de crer também no ensinamento da fé oferecido pela Igreja. O Catecismo da Igreja Católica é uma ajuda inestimável para a compreensão da nossa fé eclesial.

Uma pergunta preliminar: é possível falar algo sobre Deus, se não o vemos, nem o tocamos e nem podemos demonstrar “cientificamente” nossas afirmações? A resposta é positiva: sim, podemos, embora sempre de maneira imperfeita e insuficiente! Nossa inteligência é “capaz de Deus”, ou seja, ela não está fechada nem é inapta para acolher a verdade sobre Deus! Há muitos sinais, que “falam” de Deus e dão testemunho dele; e nós somos capazes de perceber e interpretar esses sinais.

No entanto, Deus não é propriamente objeto das ciências, como o são as coisas deste mundo; não porque Deus seja uma ilusão, mas porque os métodos das ciências naturais, sendo próprios para conhecer as coisas deste mundo, não são apropriados para tratar de Deus. Deus é transcendente, ou seja, uma realidade que está além das coisas deste mundo.

A filosofia usa um método diverso, apropriado para tratar de Deus; naturalmente, faz afirmações sobre Deus sempre nos limites da racionalidade humana e daquilo que ela é capaz de afirmar com argumentos. E a teologia fala de Deus a partir de um horizonte diferente: da racionalidade humana apoiada pela fé. Para nós, cristãos, não se trata apenas da fé subjetiva e individual, mas da fé eclesial, baseada na revelação divina e na Palavra de Deus. Assim, a teologia é capaz de afirmar muito sobre Deus.

Outra pergunta que se faz com frequência é se todas as maneiras de crer são igualmente verdadeiras e boas. A resposta é não. A consciência e a maneira pessoal de cada um crer deve ser respeitada; mas não é possível afirmar que todas as afirmações sobre Deus são igualmente verdadeiras; se assim fosse, estaríamos relativizando todas as afirmações sobre Deus e seríamos nós, finalmente, os “criadores” de Deus… Para começar, é inconcebível afirmar que haja mais de um Deus; só pode existir um único Deus, que é a perfeição de tudo o que já percebemos de bom neste mundo. Em Deus, não há maldade nem defeito; e Deus não pode ser igualado, simplesmente, às criaturas, embora essas revelem algo sobre Deus, especialmente a criatura humana.

Nossa fé cristã nos ensina que Deus, perfeito e todo-poderoso, também está próximo de nós e se interessa por nós e pelo mundo; embora tenha dado às criaturas uma existência e dinâmica próprias, não as abandona a si mesmas, nem a alguma outra “força superior” autônoma, capaz de tomar conta ou de prejudicar as criaturas. Deus está na origem de tudo e a tudo quis para uma finalidade boa.

Cremos em Deus; e isso não significa que cada um crê do seu jeito, mas “como” a Igreja crê. Não seríamos capazes de afirmar por nós mesmos muitos artigos de nossa fé; nesse caso, cremos “com” a Igreja, e isso significa que temos a mesma fé dos apóstolos e mártires, dos santos e grandes homens e mulheres de Deus que professaram com firmeza essa mesma fé. Cremos também com grandes mestres da fé, os pastores e doutores da Igreja, os missionários e místicos, e com a imensa multidão dos fiéis, que viveu antes de nós e transmitiu essa fé ao longo de quase 2 mil anos, até chegar a nós.

“Creio em Deus” não pode ser uma afirmação neutra e sem consequências; se é verdadeira, a fé se expressa nas “obras da fé”, mediante a prática assídua e sincera da religião, a vida moral orientada pela obediência aos mandamentos de Deus e pela dignidade de filhos de Deus, e pela participação ativa na edificação do mundo conforme Deus.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 04.06.2013

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