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Este é um país livre – mas livre para quê?

John Zmirak - publicado em 05/06/13

O fato de não ser um sociopata faz de você uma pessoa "boa o suficiente"?

Todos nós sabemos que não devemos violar os direitos de outras pessoas. Estes incluem vida, liberdade e a busca da felicidade. Como Leão XIII ensinou na Rerum Novarum, a "propriedade privada" deve estar na lista sagrada. Mas você não precisa de um pronunciamento papal saber que as coisas de que ninguém é dono tendem a ficar desgastadas, ser negligenciadas, desperdiçadas. Certas coisas boas não podem ser propriedade – como o ar e os oceanos – e esses bens devem ser protegidos pelo governo. E moralmente, não podemos abusar dessas coisas boas, também.


Ao ver situações de injustiça e abuso na sociedade atual, talvez você não se sinta bem, e isso pode ser porque você acha que deve haver algo mais para a felicidade humana do que apenas sentir-se bem o tempo todo, e que deve existir um padrão moral que inclua o respeito aos direitos individuais.


Você não precisa ter aceitado Jesus Cristo como seu salvador pessoal, ou ter completado a consagração de Montfort, para concluir que deve haver "algo mais" para a vida humana do que a simples busca do bem-estar. Os filósofos pagãos propuseram diferentes respostas que não dependem de fé religiosa. Eles ofereceram bens como a virtude, a fama, a esperança de descendência e o amor patriótico pela sua cidade-estado como elementos que devem superar o prazer momentâneo.


O que nós chamamos de "algo mais"? O filósofo político Samuel Gregg revive a ideia de Aristóteles de "florescimento humano". O objetivo de se ter uma sociedade livre não é apenas ter uma sociedade livre.


Claro, a liberdade religiosa e política não são pouca coisa. Mas todos nós queremos algo a mais da vida do que simplesmente uma liberdade negativa. Sim, é muito importante que nós não tenhamos a polícia secreta batendo em nossas portas ou burocratas gastando 90% da nossa riqueza. Mas por que isso é importante? Seria simplesmente porque aqueles policiais secretos ou burocratas nos infligiriam dor, ou dificultariam a nossa busca de momentos mais felizes?


Não, argumenta Gregg: nós queremos ser livres de coerção para que possamos ser livres para fazer outra coisa. Buscamos saúde não apenas porque a doença é dolorosa, mas porque ela estorva o caminho. Caminho de quê? De buscar as coisas boas da vida, que incluem uma vasta gama de experiências, indisponíveis para um viciado em heroína, por exemplo.


Parece pedante enumerá-los, mas uma pequena amostragem inclui alcançar metas, fazer amizades, encontrar um amor, educar os filhos, e deixar um legado de boas ações para poder olhar para trás com orgulho justificado.


Temos certas faculdades humanas que são entorpecidas pelo desuso e fortalecidas pela prática, e qualquer noção de felicidade digna de seres humanos teria de incluir sua utilização. Queremos ser livres para que possamos fazer o que é bom para nós, mas é claro que muitas vezes nossas percepções são confundidas sobre o que é bom, ou atraídas pela perversidade da nossa natureza (chamemos isso de pecado original), para agir contra o nosso interesse racional.


A "liberdade" para bater na própria cabeça com um martelo, ou viver em um calor infernal com um chapéu de papel alumínio, não seria uma liberdade significativa. É por isso que, às vezes, pode ser válido intervir para ajudar os doentes mentais ou dependentes químicos, substituindo temporariamente sua autonomia absoluta, na esperança de ajudá-los a voltar, de alguma maneira, a ser livres.


Neste ponto, os libertinos aumentam sua legítima preocupação sobre o paternalismo. "Bem, então, se você quer que o Estado intervenha para garantir a verdadeira felicidade das pessoas e a liberdade, por que estabelecer um limite na medicação dos loucos? Já que você acredita que a verdadeira felicidade vem de conhecer Deus, por que não usa todos os meios que você puder para forçar batismos e promover a sua própria religião? Por que não colocar câmeras de segurança nas casas de todos para impedi-los de fornicar?"


Bem, como nos ensinou Tomás de Aquino, não é prudente para nós punir tudo, e uma ampla faixa de autonomia humana é necessária para que possamos ser livres para fazer o bem. É por isso que deixamos as pessoas dirigirem carros, mesmo sabendo que alguns certamente vão dirigir bêbados.


Quanto à promoção da religião do Estado, o Concílio Vaticano II nos ensinou que o governo não tem o direito de limitar a liberdade de consciência que Deus deu a cada alma humana. Isso significa que o Estado só pode proibir coisas que violem a lei natural – a perspectiva do florescimento humano que pode ser vista pela razão. E mesmo dentro da lei natural, devemos ser extremamente cuidadosos ao interferir na vida do cidadão, por duas razões principais:


1) Ao restringir o poder do povo, podemos infantilizar e degradar as pessoas, dificultando a sua liberdade para escolher fazer o bem.


2) As pessoas do governo são tão fracas quanto aquelas a quem governam – normalmente são mais ainda, já que o poder corrompe e atrai os que já são corruptos.


Uma vez que as duas razões são verdadeiras, existem grandes áreas de negociação entre o libertino secular e o católico sóbrio preocupados pelo bem comum; mas também há diferenças irreconciliáveis.

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