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O mito dos essênios: eles não eram uma seita esotérica

Lucandrea Massaro - publicado em 12/06/13

Esclarecimentos sobre os supostos eremitas do Mar Morto e dos papiros de Qumran

Existem muitos mitos e muita desinformação sobre a comunidade dos essênios e seu papel na vida e na formação de Jesus.


Os essênios eram uma comunidade como outras, no variado panorama das escolas político-filosóficas do judaísmo antigo, mas não uma seita esotérica.


Quem nos ajuda a esclarecer este tema é o professor Simone Paganini, quem, além de participar do Festival Bíblico de Vicenza, recentemente publicou um livro com este tema: "Qumran: as ruínas da lua".


Paganini reside em Aachen, onde é professor de hebraico, aramaico, exegese do Antigo e do Novo Testamentos e judaísmo na universidade local.

Para começar, quem são os essênios?


Nós os conhecemos sobretudo graças à historiografia de Flávio Josefo, que se ocupa de restituir uma imagem do judaísmo entre os séculos I a.C. e I d.C. Ele divide a sociedade judaica em 3 grandes escolas filosófico-culturais: fariseus, saduceus e essênios.


Flávio Josefo os descreve como judeus crentes que vivem em comunidade, dedicados ao estudo das Escrituras, mas também da medicina e de outras ciências; alguns casados, outros não; portanto, não podemos defini-los como "comunidade monástica". O mais interessante é a exclusividade da fonte, pois só Flávio Josefo nos fala deles, mas não os evangelhos – pelo menos não com esta definição.

Como foi que eles entraram no debate científico, então?


A partir de 1946, encontraram 22 grutas do deserto judaico muito perto do antigo povoado de Qumran, os chamados "manuscritos do Mar Morto". Em algumas destas obras, descreve-se uma comunidade com características similares às enunciadas por Flávio com relação aos essênios.


A comunidade científica da década de 50 e 60 começou a pensar que poderia existir uma correlação entre o grupo descrito nos manuscritos – identificado imediatamente, mas com certeza de forma equivocada, com os habitantes de Qumran – e o grupo descrito por Flávio Josefo. Hoje, graças ao aprofundamento da investigação, é possível ter uma visão mais completa e diferenciada, que coloca em discussão esta teoria, que parecia ser um dado comprovado.

E então?


Resumidamente, podemos afirmar que em Qumran não viviam somente os essênios, por três motivos:


– Os manuscritos não falam apenas de um único grupo;


– Os documentos encontrados não foram escritos em Qumran. O lugar foi habitado durante 120 anos, por um grupo muito pequeno, que não poderia, materialmente, ter escrito 1.500 documentos.


– As pesquisas mostram que Qumran provavelmente não era outra coisa a não ser uma grande "indústria agrícola", na qual se produziam objetos de cerâmica ritualmente pura. No interior do povoado, não se encontrou sequer um fragmento de pergaminho escrito.

Por que estes manuscritos são importantes?


Os manuscritos são importantes porque nos ajudam a entender a sociedade judaica no período imediatamente precedente à descrição dos Evangelhos, que também são documentos históricos que nos permitem reconstruir não somente as biografias, mas a sociedade da época.

Os anos de "vazio", que vão desde Jesus adolescente no templo até o início da pregação pública, não foram passados por Jesus em uma comunidade essênia?


Jesus teve contato com os fariseus e os saduceus, mas os Evangelhos não falam de essênios. A vida de Jesus se desenvolve na Galileia, e os essênios tinham seu centro principal em Jerusalém.


Na cultura literária antiga, se não se diz uma coisa, é porque isso não é considerado essencial. O "vazio" de acontecimentos é atribuído à não essencialidade desse período. Não há nenhum segredo esotérico: é que os contatos formativos não foram fundamentais. É preciso se desfazer desta espécie de mito.

E João Batista?


João Batista vivia no deserto. É uma figura carismática que traz a inovação do perdão dos pecados individuais com o batismo.


No judaísmo, existia uma lavagem ritual, com a qual se eliminava a impureza ritual, Também os essênios faziam isso, com grande frequência, mas não se trata de um rito comparável com o de João Batista.


Os essênios viviam em condições de pureza ritual muito estrita. João, no entanto, não estava interessado na observância destes preceitos. Além disso, para os essênios, não havia salvação longe da terra de Abraão.


Tanto Jesus como João Batista viveram o judaísmo de maneira diferente dos outros; queriam reformá-lo, destacar elementos que haviam sido esquecidos ou eram pouco considerados, mas não queriam aboli-lo.

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