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Como a legalização da eutanásia transformou a Bélgica

© DR
Morir en Bélgica
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Será que ser cego realmente faz a vida deixar de valer a pena?

Em 2002, a Bélgica se tornou o segundo país do mundo (depois de sua vizinha, a Holanda) a legalizar a eutanásia. Na última década, o nosso país se tornou um laboratório vivo para a mudança social radical. Como muitos outros países estão debatendo tal legalização neste momento, vale a pena parar para dar uma boa olhada em seus resultados.
 
A lei diz que os médicos podem ajudar os pacientes a morrer quando eles expressam livremente o desejo de morrer, por estar sofrendo uma dor intratável e insuportável. O paciente deve consultar um segundo médico independente; para doenças não terminais, um psiquiatra independente deve aprovar. Na prática, no entanto, esta independência é irrelevante. A Bélgica é um país pequeno e os médicos complacentes são fáceis de encontrar.
 
Uma série de casos recentes não deixa dúvidas de que a lei da eutanásia foi fundamental e mudou drasticamente a sociedade belga. No ano passado, os gêmeos surdos de 45 anos de idade não puderam suportar a ideia de ficar cegos e pediram a eutanásia. Os médicos autorizaram a eutanásia porque "eles não tinham razão para viver".
 
Em outro caso, uma mulher de 44 anos com anorexia nervosa crônica pediu eutanásia. Em seguida, uma mulher de 64 anos que sofria de depressão crônica pediu eutanásia sem sequer informar seus parentes. Os médicos defenderam suas decisões, explicando que esses casos extremos e excepcionais eram legítimos porque todos os requisitos legais foram cumpridos.
 
A eutanásia é o endurecimento de uma opção médica que se torna uma ideologia. Médicos que praticam a eutanásia da Bélgica ainda acreditam que estão sendo humanos, porque libertam as pessoas de sua miséria. Humanistas fundamentalistas vão mais longe e descrevem a eutanásia como o último ato de autodeterminação. A opinião da família do paciente não tem peso algum.
 
Um médico tem o direito de dar uma injeção letal a uma mãe de família sem oferecer qualquer explicação para os seus filhos. A eutanásia está sendo promovida como uma forma "bonita" e positiva de morrer. Os médicos estão transplantando órgãos de tais pacientes (isso é dito para tornar suas vidas significativas). A lei poderá em breve permitir que crianças e pacientes com demência recebam a eutanásia.
 
Além da Igreja Católica, há alguns críticos importantes da eutanásia. O filósofo belga Herman De Dijn é um opositor ferrenho. Ele descreve a Bélgica como uma "sociedade sentimentalista", em que os valores tradicionais foram drasticamente minimizados e substituídos por preferências subjetivas.
 
De Dijn considera que este é o cerne do problema. Um ser humano não é um conjunto de sentimentos individuais, opiniões e preferências, mas parte de uma espécie, um membro da humanidade, um elo vital na ecologia moral, na qual cada indivíduo tem um valor simbólico único. O respeito pela dignidade humana inclui não só o respeito às escolhas pessoais, mas também aos vínculos com seus entes queridos e com a sociedade.
 
Os que apoiam a eutanásia repudiam esta crítica secular, bem como a influência perniciosa da Igreja Católica. No entanto, a sua ideologia de autodeterminação absoluta tornou-se tão forte, que está se transformando em uma teologia, um fanatismo quase religioso.
 
Inventaram símbolos reconfortantes e rituais para expressar suas crenças. Um cartão de autodeterminação descreve desejos do finais paciente, de modo que o assistente social saiba o que fazer em uma doença terminal. Existem centros onde as pessoas podem se orientar sobre como a eutanásia pode ser realizada. Há doutrinamento na autodeterminação para os médicos e voluntários, que exibem seus certificados de facilitadores de eutanásia como medalhas de honra.
 
No entanto, estamos esperançosos. Certamente, deve ser possível convencer o público belga de que algo está realmente errado quando os políticos debatem se os pais podem matar legalmente seus filhos. Isso não é humano, não é científico. Não há escala científica do sofrimento insuportável. Com o avanço no alívio da dor, a eutanásia não é sequer necessária.
 
Todos os seres vivos estão interligados – mesmo nós, seres humanos. Especialmente nós, seres humanos. O trabalho dos políticos é proteger essa conexão. Caso contrário, por que os pais deveriam cuidar dos filhos? Por que os filhos deveriam cuidar dos pais?
 
Uma vez que perdemos a consciência de que cada um de nós está ligado a um outro com laços invisíveis de comunhão, vamos acabar matando todos aqueles que são um peso para a sociedade. E em algum momento, todos nós seremos um peso.
 
A eutanásia não ameaça dogmas religiosos. As igrejas permanecerão abertas, não importa o que acontecer em hospitais e asilos. O que está sendo ameaçado é o humanismo. Ao invés de nos tornar fortes, unidos como irmãos e irmãs, o dogma da autodeterminação nos separa, nos coloca em bolhas de isolamento e, em seguida, se oferece para nos matar, se quisermos. Na Bélgica, todos nós corremos este risco.
 
(Publicado originalmente em MercatorNet em 17 de maio de 2013)
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