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Religião

Por que expus os abusos da Igreja nas Filipinas

Aries Rufo - publicado em 17/06/13

Reconhecer a verdade é o primeiro passo para corrigir os problemas

Por que eu escrevi este livro sobre a Igreja Católica? É um crime assumir isso, mas estou quebrando esta regra. Estou certo de que questão está girando em sua mente.



Na verdade, por que escrever sobre esta venerável instituição, que tem sido a base da fé para a maioria dos filipinos, uma instituição divina que rege a forma como vivemos, como nos comportamos como seres humanos, como nós nos relacionamos uns com os outros e até mesmo como nós procriamos?



É como cometer um sacrilégio.



Igreja rivaliza com o Judiciário como uma instituição clandestina, operando em um mundo distinto e separado para além de nós, meros mortais, com suas próprias leis, códices e regulamentos.



Apenas alguns mortais escolhidos são autorizados a ter um vislumbre desse mundo secreto e até mesmo eles são obrigados a sigilo, sob pena de excomunhão.



Quando eu escrevi sobre um bispo particular que gerou um filho, um funcionário da nunciatura papal me disse: "A Igreja tem sua força divina, bem como as suas fraquezas humanas".



O livro pretende tratar das fraquezas dos seres humanos. Mas então, por que sobre eles, quando não são eleitos oficiais do dinheiro público, quando não são políticos, cujas decisões e ações afetam todos nós?



Anos atrás, eu propus uma história sobre a responsabilidade financeira dos funcionários da Igreja. Ninguém realmente sabe para onde vão as doações feitas à Igreja, como elas são gastas, como são contabilizadas. Um amigo e eu apresentamos a nossa história a uma organização que tem se destacado como uma referência do jornalismo filipino.



O chefe do grupo de mídia nos fez esta pergunta: "Por que questionar as doações, quando são dadas livremente pelos fiéis? Você está tentando questionar a sua fé?". Em outras palavras, a nossa proposta foi rejeitada.



Argumentei que os fiéis estão dando suas doações à Igreja com fé e confiança. Mas como podemos ter certeza de que esta confiança não é violada? Como podemos ter certeza de que se honra essa confiança?



Como guardiões morais e os detentores de nossas almas, os líderes daIgreja são colocados em um padrão elevado, especialmente em questões de confiança. Eles não só são responsáveis ​​perante o povo, mas também modelos de responsabilidade moral.



Como pastores, com capacidade de influenciar os outros, e com o poder legitimado, já existe um desequilíbrio na relação entre o pastor e as ovelhas.



Quando a autoridade clerical ou o poder são mal utilizados, por exemplo, em casos de abusos sexuais por parte de padres e funcionários da Igreja, isso não é diferente de tirar proveito da vulnerabilidade dos fiéis.



No livro, você vai ler exemplos específicos de como tal desequilíbrio de poder foi exercido por líderes da Igreja, como foi usado para perpetrar o manto do sigilo e da cultura do silêncio para esconder irregularidades cometidas por seus membros. Ele mostra uma Igreja de origem e inspiração divinas, mas com as suas fraquezas humanas.



Será que estamos tentando destruir a Igreja?



A resposta é não. Como pode um livro destruir a Igreja, que já existe há dois mil anos? Como meu arcebispo favorito, Oscar Cruz, disse, "a Igreja existe há dois milênios. Deve haver algo de divino nela para sobreviver tanto tempo".



Pelo contrário: tentamos retratar uma Igreja que é divina e humana, uma Igreja local tentando dar o seu melhor para instituir reformas, engatinhando na tentativa de responder aos novos tempos, sem comprometer seus princípios e dogmas.



Você vai ler histórias sobre homens da Igreja que tentam navegar segundo a missão e a visão da Igreja no contexto da mudança dos tempos, mas ainda mantendo-se fiéis ao seu mandato divino.



É consolador saber que há líderes da Igreja que propõem os padrões para o crescimento dos fiéis, como sinal de responsabilidade. E conforta ver que há líderes da Igreja que permaneceram fiéis à sua vocação, evitando as armadilhas do poder, trabalhando silenciosamente nos bastidores em prol de uma sociedade melhor.



(Publicado originalmente em UCANews, em 12 de junho de 2013)

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