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Venezuela: o fim de um ciclo

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Jaime Septién - publicado em 18/06/13

O regime herdado de Hugo Chávez enfrenta um panorama complexo em termos sociais e políticos

A recente visita do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao Papa Francisco mostra o estado atual em que se encontra o regime herdado de Hugo Chávez, com um panorama complexo em termos sociais e políticos.

Segundo o historiador Tomás Straka, professor da Universidade Católica Andrés Bello, na Venezuela, "há vários anos se observa como algumas linhas que marcaram pauta se encontram em crise, a ponto de quebrar-se ou perto de possíveis redefinições".

Straka faz parte de um grupo de destacados profissionais venezuelanos que defende a construção de um consenso nacional que permita superar a crise.

Para ele, "a sociedade venezuelana enfrenta hoje muitos desafios, e o primeiro deles é sair da confusão; se observarmos de maneira muito ampla, a sociedade está saindo de um ciclo de uns 25 ou 30 anos. Está se fechando um ciclo em termos gerais e nisso coincidiram muitos pesquisadores que observam o seu funcionamento".

"Não sabemos quanto falta para que esse ciclo termine de se fechar. Nós, historiadores e cientistas sociais, não podemos predizer qual será o desenlace, mas é evidente que está se fechando um ciclo importante no qual um modelo de desenvolvimento de país, que havia sido exitoso, entrou em crise a meados da década de 80, e nos obriga a uma nova definição, na qual se deve assumir o novo que nos resta, superar o negativo e gerar novas propostas frente aos problemas dos últimos tempos", disse Straka, em uma entrevista publicada pelo Reporte Católico Laico.

Um dos sinais deste ciclo que está se fechando na Venezuela é a greve de fome que quatro estudantes realizam, reivindicando direitos no setor universitário.

No domingo passado, inclusive a Igreja Católica se uniu à causa, realizando uma celebração da Palavra na entrada da Universidade Centro-Ocidental Lisandro Alvarado, onde permanecem os grevistas da instituição e a Unexpo.

O Pe. Venancio Ancajima, assessor da Pastoral Universitária, presidiu a celebração. Ao terminar, comentou que este é "um ato simples, no qual também expressamos nossas petições ao Senhor, com o que realmente há no fundo no nosso coração, com a confiança de saber que estamos com o Deus da história, capaz de tocar os corações para as mudanças que pedimos".

O acompanhamento da Igreja do setor universitário, professores e estudantes é feito a pedido do arcebispo de Marquisimeto, Dom Antonio José López Castillo.

Sobre a greve de fome dos jovens universitários e a marcha dos professores em Caracas, o Pe. Ancajima manifestou seu respeito "à expressão de uma reivindicação justa, que cresce com a demonstração da generosidade dos jovens que arriscam sua vida em função de dar esperança a todos os companheiros".

"Eles estão oferecendo suas vidas pelo bem dos outros. Não somente como estudantes ou professores, mas em prol de todo o setor universitário. É um exemplo", comentou o sacerdote venezuelano.

Também o núncio apostólico na Venezuela, Dom Pietro Parolín, reuniu-se no domingo passado com os três estudantes que fazem greve de fome na entrada da nunciatura, situada na cidade de Caracas.

Liliana Guerrero, presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade de los Andes (ULA), comentou que os grevistas são Vilca Fernández, integrante do "Movimiento 13", Roberto Méndez e Gabriela Scattaglia.

Os jovens exigem do governo nacional um orçamento universitário digno. Previamente, Guerrero havia informado que Dom Parolín conversou com eles na noite do domingo passado.

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