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Mãe, estou feliz por não ter matado você

CC Toshimasa Ishibashi
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A eutanásia nunca é um ato de amor

Esta é uma resposta ao artigo de Tracey Spicer, "Me desculpe por não ter matado você, mãe". O texto se inspira no artigo de Spicer e foi escrito como uma carta para a tia-avó da autora, que morreu recentemente, depois de quase 40 anos de artrite reumatoide crônica.
 
Querida tia:
 
Eu te amo.
 
Nós todos amamos você, e sentimos saudades.
 
Como alguém poderia prejudicá-la?
 
Você passou por uma dor terrível, e eu sei que mesmo a morfina e o fentanil não puderam ajudar quando a dor piorou. Você me ensinou muito sobre o amor e sobre o sacrifício. Alguns dias, era um tipo de martírio para você, inclusive sorrir, mas você sorria toda vez que eu a via.
 
Receber visitas a deixava feliz. Nós nos reuníamos no hospital, com a intenção de animá-la, mas sempre recebemos muito mais do que demos. Ao invés de falar sobre você mesma (uma tentação fácil, especialmente para os doentes!), você gostava de ouvir sobre a vida de seus visitantes. Quando estávamos felizes, você se alegrava. Quando estávamos abatidos, você era o melhor edredom.
 
Você enxugou nossas lágrimas quando tentamos enxugar as suas.
 
Você viveu com dignidade, e morreu com dignidade. Você era maior do que a dor que sentia. Mais do que apenas uma coleção de órgãos e partes, você foi uma engraçada, inteligente, bela mulher, com muito a oferecer ao mundo.
 
Estou feliz por nunca ter visto você – e você nunca se considerou assim – apenas como uma sofredora, ou como um corpo em crise. É verdade que sabíamos que você não poderia ser curada. Lentamente, seus rins estavam falhando, e todos os seus sistemas foram definhando. Se não houvesse nada mais para você que a biologia, a sua dor teria sido demais para suportar.
 
Mas você era mais que isso. A mulher que contava histórias alegres sobre seu neto querido e que pendurou uma imagem meio desajeitada e velha de sua amada cunhada em seu quarto no hospital nunca poderia ser reduzida a mera biologia. O brilho nos seus olhos quando você me olhava, as palavras que você sussurrava quando me abraçava, isso me mostrava algo mais: a dignidade e o espírito que ofuscaram todo o resto.
 
Você se desculpou por não ser mais útil, e lhe custava ser incapaz de se unir a nós em passeios a pé, ou preparar as refeições para a família quando Felicity nasceu. Mas ninguém nunca a viu como um fardo: você nos levantou quando não conseguíamos nos erguer.
 
Você me ensinou a rir de mim mesma.
 
Você me ensinou a amar (eu aprendi mais sobre o amor vendo você e tio Paul olhando um para o outro do que eu poderia aprender em qualquer explicação ou discurso).
 
Tia, o dia em que você morreu foi trágico. Já se passaram quase 10 semanas, e eu ainda não posso acreditar que você se foi. Nós nunca deixaremos de guardar luto por você.
 
Muitas pessoas se arrependem quando seus entes queridos morrem. O meu arrependimento é por não tê-la visitado com mais frequência, não ter dito o suficiente o quanto você significava para mim, e nem sequer perceber o quanto você me ensinou, até que já era tarde demais…
 
Inclusive o seu sofrimento era um testemunho de sua força e amor. Você nos deu coragem para ajudá-la quando você mais precisava, quando a artrite progrediu.
 
Especialmente nos últimos meses.
 
Quando você gritava durante a noite, ou quando você não conseguia parar de chorar entre as doses de morfina, nossos corações doíam. Mas você nos ensinou (e continua nos ensinando) como ser compassivos e corajosos, como você, até o fim. Fizemos tudo o que pudemos para impedir a sua dor, sem violar a sua enorme dignidade. Quando você faleceu – simultaneamente em dor e em paz –, estava cercada da família e dos amigos que a amaram. E, porque eles a amaram, choraram por você quando você estava sofrendo, e chorraram por si mesmos quando você se foi.
 
Você os ensinou a amar.
 
Sua vida foi inútil? Não, nunca. Você ofereceu muitas coisas para as pessoas que você amou (família, amigos, médicos, enfermeiros). Você nos acordou, nos fez sair de nós mesmos e ter uma melhor compreensão da vida e da morte.
 
Deixe sua vida ser um sinal para aquelas pessoas bem-intencionadas, mas confusas, que pensam que assassinato é compaixão, e que as pessoas são meros corpos.
 
Será que, vendo uma heroína como você, estas pessoas seriam capazes de continuar cometendo estes trágicos erros?
 
Eu não poderia.
 
Eu amo você, tia.
 
Rachel
                                                                                      
(Publicado originalmente em MercadoNet, em 14 de junho de 2013)
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