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Religião

O "papa negro" vestido de branco

Sandro Magister - publicado em 19/06/13

Ele governa a Igreja como um superior-geral dos Jesuítas

Tudo o que estava faltando era um guru da McKinsey para projetar aquela reforma da cúria que todos esperam do Papa Francisco. E aqui está ele.


Seu nome é Thomas von Mitschke-Collande, ele é alemão e foi manager da filial de Munique da empresa mais famosa e misteriosa de consultoria de gestão no mundo.


Em matéria de Igreja, ele sabe o que faz. No ano passado, publicou um livro com um título não muito reconfortante: "A Igreja quer destruir a si mesma? Fatos e análises apresentadas por um consultor de negócios". A diocese de Berlim recorreu a ele para colocar suas contas em ordem, e a conferência episcopal alemã pediu-lhe para elaborar um plano para economizar em custos e pessoal.


A proposta, que ele acolheu com entusiasmo, foi feita a ele pelo Pe. Hans Langerdörfer, o poderoso secretário da Conferência Episcopal Alemã, um jesuíta.

Bergoglio também é um jesuíta, e agora suas ações deixaram claro que ele pretende aplicar ao papado os métodos de governo típico da Companhia de Jesus, na qual o superior geral, apelidado de "papa negro", tem poder quase absoluto.


Sua resistência em atribuir a si mesmo o título de "papa" e sua preferência por chamar a si mesmo "bispo de Roma" fizeram os campeões da democratização da Igreja se alegrarem.


Mas eles se iludem. Quando Francisco, em 13 de abril, nomeou oito cardeais "para assessorá-lo no governo da Igreja universal e para estudar um projeto para a revisão da cúria romana," ele os escolheu sozinho.


Se ele tivesse seguido as sugestões do pré-conclave, teria encontrado o "conselho da coroa" pronto. Tudo o que ele teria a fazer seria chamar em torno de si os doze cardeais, três para cada continente, eleitos no final de cada sínodo – portanto, do último, de outubro de 2012. Eleitos por voto secreto e representantes da elite do episcopado mundial, com quase todos os nomes influentes do último conclave: cardeais Timothy Dolan, de New York, Odilo Scherer, de São Paulo, Christoph Schönborn, de Viena, Peter Erdö, de Budapeste, Luis Antonio Gokim Tagle, de Manila.


Mas não. O Papa Francisco quis que seus oito conselheiros fossem escolhidos por ele mesmo, não pelos outros. Chamados a responder apenas a ele, não a uma assembleia eletiva.


Ele queria uma para cada área geográfica: Reinhard Marx para a Europa, Sean Patrick O'Malley para a América do Norte, Andrés Rodríguez Maradiaga para a América Central, Francisco Javier Errázuriz Ossa para a América do Sul, Laurent Monsengwo Pasinya para a África, Oswald Gracias para a Ásia, George Pell para a Oceania, e um de Roma, não da cúria, estritamente falando, mas da Cidade-Estado do Vaticano, Giuseppe Bertello.


Quase todos eles têm ou tiveram cargos executivos em instituições eclesiásticas continentais.


Mas isso é exatamente o que acontece na Companhia de Jesus. Bergoglio foi um dos seus superiores provinciais e assimilou seu estilo. Na liderança da Companhia, os assistentes que cercam o superior geral, nomeados por ele, representam suas respectivas áreas geográficas. As decisões não são tomadas colegialmente. Só o superior geral decide, com poderes diretos e imediatos. Os assistentes não precisam concordar um com o outro e com ele; eles aconselham o superior geral, um por um, na maior liberdade.


Um dos efeitos desse sistema sobre a reforma da cúria romana anunciada pelo Papa Francisco é que nenhuma comissão de especialistas foi instalada com a tarefa de elaborar um projeto unificado e completo.


Os oito cardeais estão pedindo separadamente a contribuição de pessoas de sua confiança, com os mais variados perfis. Além do representante McKinsey recrutado pelo cardeal Marx, pelo menos uma dúzia deles foram consultados, de vários países.


Outros chegaram por iniciativa própria, como por exemplo, o cardeal Francesco Coccoalmerio, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, o designer de um projeto de reforma centrado em um "moderador curiae", que cuidaria do funcionamento da máquina.


No início de outubro, os oito se reunirão com o Papa. Eles lhe apresentarão inúmeras propostas. Ele será o único a decidir. Sozinho.

(Publicado originalmente em Chiesa, em 13 de junho de 2013)

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