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Violência aumenta no mundo e as crianças são as que mais sofrem

Jeremy Ravinsky - publicado em 19/06/13

Trabalho infantil, exploração sexual, escudos humanos em guerras e casamentos forçados

O mundo se tornou muito menos pacífico desde 2008: 5% a menos, recordando os números exatos daqueles que os calculam. E grande parte deste peso cai no grupo mais vulnerável do mundo: as crianças.

Enquanto alguns países, como o Cazaquistão e Índia, têm melhorado seus índices de guerra, mais de 110 nações pioraram, de acordo o Índice Global da Paz (IGP) 2013. Isso não é saudável para a população mais jovem desses lugares.

O problema para as crianças vai além da exposição à guerra e à violência. Muitas delas enfrentam abusos e privações diariamente, geralmente pelas mãos daqueles de quem dependem para comer e viver. As ameaças continuam variando, de formas de escravidão à exploração sexual.

O trabalho infantil nas casas

Um relatório publicado esta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, destaca o amplo uso do trabalho infantil em ambientes domésticos. Estima-se que 10,5 milhões de crianças trabalhadoras, quase a metade com menos de 14 anos, são usadas ​​para o trabalho doméstico, segundo o relatório.

Enquanto muitas crianças são raptadas e forçadas à servidão, em muitos casos, os pais simplesmente enviam seus filhos para trabalhar na casa de alguém, às vezes enganados sobre condições de trabalho e oportunidades educacionais.

Crianças trabalhadoras domésticas são particularmente difíceis de proteger, porque permanecem muitas vezes invisíveis. São escondidas nas casas dos seus empregadores, onde são expostas a condições terríveis e maus-tratos. Como afirma o relatório da OIT:

"A situação delas as torna altamente dependentes de seus empregadores para as suas necessidades básicas. Este isolamento e dependência tornam as crianças trabalhadoras domésticas particularmente vulneráveis, e às vezes isso pode resultar em violência física, psicológica e sexual."

Mas o trabalho infantil doméstico é apenas uma pequena parte das atividades das cerca dos 215 milhões de crianças do mundo envolvidas em empregos questionáveis. Grande parte do trabalho abusivo é visto em fábricas ou minas e envolve riscos e longas horas, para citar apenas alguns dos perigos. O comunicado de imprensa de Human Rights Watch sobre o trabalho infantil na indústria de mineração de ouro do Gana considera que "um terço das crianças do Gana, com idades entre 5 e 14, está trabalhando".

Crianças como escudos humanos

Outro relatório recente das Nações Unidas, do secretário-geral Ban Ki-Moon, examina crianças que sofrem na guerra. Na Síria, milhares de crianças foram mortas no decurso da guerra civil longa e sangrenta que tem sido travada lá desde 2011.

De acordo com secretário-geral, o governo sírio usou crianças como escudos durante o combate. Outras foram torturadas, estupradas e interrogadas por suposta ligação com as forças rebeldes.

Além disso, as forças armadas na Síria são acusadas de atacar escolas ou utilizá-las para fins militares. Ao invés de servir como refúgios, as escolas passaram a representar terror e trauma para essas crianças, muitas das quais se recusam a voltar a elas.

Mali também estava no relatório da ONU no referente aos abusos de crianças, inclusive no uso de crianças como soldados. O conflito no norte de Mali entre o governo e os extremistas islâmicos – alguns com laços com a Al Qaeda – teve um custo elevado para as crianças, como confirma o relatório Watchlist on Children and Armed Conflict.

As crianças, que constituem mais de metade da população do Mali, sofrem muitos danos nos ataques, e as mais velhas são recrutadas ou raptadas em unidades armadas, de acordo com o relatório.

Estupro em guerra

O conflito também tem visto um aumento da violência sexual, incluindo o estupro e o casamento forçado. Embora seja difícil de discernir os números exatos devido à falta de documentação, relatórios e histórias de amigos e familiares das vítimas revelam a prevalência de estupros por combatentes rebeldes. Muitas vezes, as meninas são raptadas e estupradas.

Numerosas meninas estão sendo forçadas a se casar sob ameaça de violência, ou por seus pais, que são seduzidos pela oferta de um dote. Muitos desses casamentos ocorrem como resultado de estupro e a subsequente gravidez.

Isso representa um risco para as meninas, uma vez que podem ​​ter serias complicações de saúde, além de impactos psicológicos associados à vergonha e rejeição dentro de suas comunidades.

Esforços para ajudar as crianças

Embora as crianças enfrentem essas iniquidades, há esforços que estão sendo feitos por vários organismos, que vão desde ONG locais a grandes organizações internacionais, para proteger as crianças e prevenir a sua exploração e sofrimento.

A OIT aprovou uma série de convenções e recomendações em matéria de proteção das crianças e de crianças trabalhadoras. Desde a sua adoção, vários países reforçaram as suas leis de trabalho infantil, incluindo o Brasil, a Índia, a Tailândia e o Vietnã.

E crimes contra as crianças não passam despercebidas ou impunes. A ONU tem utilizado um mecanismo de monitoramento e comunicação (MRM) para reunir provas de crimes contra as crianças para o Conselho de Segurança, que usa essas informações para tomar medidas contra as partes ofensivas.

(Publicado originalmente por UCANews, em 14 de junho de 2013)

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Abusos SexuaisFilhosViolência
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