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Brasil: Tua doença tem cura!

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Aleteia Vaticano - publicado em 24/06/13

Sabe-se também que quando uma pessoa sente-se rejeitada sua busca pelo poder tende a ser maior e muitas vezes desequilibrada

O termo Nação significa um agrupamento humano, cujos membros são ligados por laços históricos e culturais. Em uma nação, como em todo grupo humano, a lógica que prevalece é a dos vínculos afetivos, o ser humano deseja sempre ser aceito pelos grupos em que está inserido, mas não apenas aceito, deseja ser importante para o grupo, ter um papel ativo, de um certo modo este desejo é também um desejo pelo poder que quando unido ao respeito pelo bem comum é sempre positivo. Alfred Adler, psiquiatra vienense, afirmava que a maior busca do ser humano é a busca pelo poder. Sabe-se também que quando uma pessoa sente-se rejeitada sua busca pelo poder tende a ser maior e muitas vezes desequilibrada. Em uma democracia homens e mulheres são livres a apresentarem-se como candidatos ao serviço público, a assumirem a missão de governar. Quando a política é vivida apenas como exercício do poder em detrimento do bem-comum ela se torna doentia e traz severas conseqüências para a sociedade.

O Brasil, como muitos países do mundo, é uma nação jovem que teve suas raízes na miscigenação de povos indígenas, europeus, africanos e ao longo de sua história também com povos da Ásia. Sergio Buarque de Holanda dizia em sua obra Raízes do Brasil que o brasileiro é um homem cordial, referia-se a esta cordialidade não pela educação ou gentileza, mas sim pela emoção, pela tendência a agir sempre com o coração. Um povo cordial pode ser considerado um povo “bom” e o brasileiro é assim, todo estrangeiro que visita o país maravilha-se com a gentileza e alegria com que é recebido. O brasileiro é generoso, solidário e reconhecido assim também na política internacional. Mas nem tudo é bondade nesta forma brasileira de se viver a vida. A cultura é uma paternalista e também patrimonialista, e o que isto significa? Paternalista porque as pessoas sempre esperam que alguém resolva seus problemas, o governo é visto como um pai que tem a obrigação de pagar as contas, resolver os problemas, e também interferir nas decisões pessoais, quanto mais o governo absorve o papel paternal, menos livre e independente são as pessoas. Patrimonialista porque valoriza quem tem mais dinheiro, mais posses, ainda como uma herança da Monarquia, o brasileiro carrega a ideia de que algumas pessoas são mais especiais que outras e por isso merecem o poder. 

Do outro lado há aqueles, também filhos dessa cultura, que de alguma forma encontraram o caminho para o poder. A história da maioria dos líderes políticos que hoje configuram o cenário nacional teve seu início com um desejo em sua maioria legítimo de exercício do poder para o bem-comum, muitos deles, eram pobres, operários e sonhadores, sonhavam construir um novo país livre dos problemas de sua época. Porém, quando conseguem a confiança do povo para assumir o governo deparam-se com um sistema frágil, eles que outrora eram pobres agora se vêem em uma situação confortável, com inúmeros recursos ao seu dispor e com muito dinheiro no caixa. Um salário altíssimo, muito distante da realidade das pessoas que o elegeram com todo tipo de regalia e o pior, sem a fiscalização do povo, por quê? Porque o povo “cordial” está preocupado trabalhar para sustentar a família e aproveitar a vida, pensam que se escolheram alguém para representá-los não precisam se dar ao trabalho para fiscalizar. A busca pelo poder, embora seja natural, quando distancia-se do respeito ao outro torna-se doentia! O Brasil formou políticos doentes pelo poder! 

Ao longo do tempo, muitos partidos tiveram casos de corrupção. Mas, hoje, observa-se uma corrupção diferente. Se outrora as pessoas não tinham acesso às informações e por isso não “se davam conta”, hoje todos sabem o que acontece, a mídia contribuiu muito para esta conquista. Contudo, a doença do poder trouxe consequências ainda mais preocupantes, o político que se afastou da realidade do povo e não mais busca o bem-comum sofre os seguintes sintomas: 1) Dissimulação – Nega todo e qualquer tipo de realidade que ameace seu poder a fim de se proteger das críticas e continua agindo como se nada tivesse acontecido, sua preocupação não é mais o exercício da política para o bem-comum, mas sim a manutenção de seu status quo. 2) Soberba – Acredita piamente estar em seu direito e o voto que recebeu do povo lhe dá o poder para fazer o que bem entenda, nega o fato de que a política é um serviço para o bem-comum, trata as pessoas com indiferença e aproveita-se da cultura paternalista para subjugar ainda mais as pessoas que confiaram nele, é capaz de convencer seu eleitor que o serviço que exerce é um favor digno de elogios, jamais aceita qualquer tipo de crítica ou oposição. 3) Paranóia – Acredita que todos os que tentam fiscalizar suas ações querem na verdade destituí-lo do poder a qualquer preço ou tomar o seu lugar, desta forma nenhuma crítica é aceita e, além de tudo, todos que ousarem colocar-se contra suas vontades e ações devem ser punidos, busca elaborar leis para se proteger de toda e qualquer acusação ou investigação. 

A pior conseqüência da doença do poder é a sua disseminação, ela ocorre como uma epidemia, é quando os três principais sintomas se espalham e tomam todo um grupo. A paranóia faz com que este grupo se torne ainda mais fechado, hermético, e se fortaleça gerando até nos grupos opositores a sensação de que devem agir também como eles, assumindo os mesmos sintomas, desta forma a democracia adoece, toda a sociedade se vê ainda mais subjugada e enfraquecida em sua liberdade. 

Todo ser vivo que adoece tem suas defesas, anticorpos poderosos que se colocam em ação para curar o corpo. As manifestações que acontecem no Brasil são a resposta daqueles que estão saudáveis, daqueles que não se esqueceram dos vínculos afetivos que formam a nação, são homens e mulheres, pais e mães de família, jovens, adolescentes e até crianças que amam ser brasileiros, que têm orgulho de levar as cores de sua bandeira para todas as partes do mundo, a resposta de um povo que sabe que sua “cordialidade” tem limites. Embora muitos ainda não creiam, o povo brasileiro tem sim capacidade de se indignar e de se mobilizar sem ser manipulado, pois esta é também uma capacidade humana e é justamente de seres humanos que é formada uma Nação.

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