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Eutanásia: filhos são sacrificados para aliviar seus pais

Isabelle Cousturié - publicado em 26/06/13

Na Bélgica e nos Países Baixos, a eutanásia pode ser aplicada em crianças com anomalias graves

A Bélgica e os Países Baixos, denominados "civilizados", rendem-se cada vez mais à eugenia.


Enquanto a prática da eutanásia pode ser aplicada na Bélgica diante das menores queixas de enfermos incuráveis, seus vizinhos holandeses não querem ficar de fora e publicaram um documento detalhado no qual os médicos explicam suas razões e oferecem diretivas a ser seguidas quando chega a hora.


"Isso já não é um campo escorregadio, mas um precipício", comenta Emanuela Vinai, em um editorial publicado no dia 18 de julho pela agência informativa da conferência episcopal italiana SIR, no qual apresenta e analisa o documento.


O artigo explica que, com o Protocolo de Groningen, que permite aplicar a eutanásia em bebês com alguma deficiência, a Royal Dutch Medical Association (KNMG), que representa os médicos dos Países Baixos, emitiu um comunicado intitulado "Decisões médicas relativas à vida dos neonatos com anomalias graves", que explica por que seria aceitável, e às vezes necessário, praticar a eutanásia com crianças.


Neste surpreendente documento, a associação de médicos elaborou um relatório sobre as diretrizes a serem seguidas com relação aos pequenos pacientes com doenças incuráveis.


Entre suas sugestões, dirigidas a encurtar o sofrimento das crianças e das suas famílias, é explícito o recurso à eutanásia, invocando um argumento objetivamente paradoxal: o sofrimento dos pais pode ser um motivo para aplicar a eutanásia ao filho.


De fato, diz-se, entre outras coisas, que uma injeção letal de relaxante muscular é possível sem que represente nenhum problema ético, quando "persiste uma respiração ainda ofegante e se prolonga uma morte inevitável, apesar de uma boa preparação, que provoca fortes sofrimentos nos pais".


"A agonia é insuportável: então seria melhor ajudar a morrer do que fazer sofrer", escreve Vinai. E acrescenta: "A pergunta que não quer calar: de quem estamos falando? Quem é o sujeito da frase?".


"Alguns textos não são simples dissertações, mas documentos históricos – adverte o editorial. É fundamental entender esta inversão de valores: agora podemos matar um ser humano inocente pela simples razão de que a sua existência poderia ser dolorosa para os outros."


Eduard Verhagen, um dos autores do informe KNMG e arquiteto do Protocolo de Groningen, explicou ao jornal holandês Volkskrant por que a angústia dos pais é importante: "Estas crianças são cinzas e frias; seus lábios se tornam azuis e, de repente, em minutos, têm respirações muito profundas. Esta situação é dolorosa de se ver; pode durar horas e, às vezes, dias".


Então, a tarefa dos médicos é salvar os pais da "abominação" de ver seu próprio filho morrer de maneira dolorosa, segundo o Dr. Verhagen. E isso faz parte de um "cuidado paliativo" de qualidade.


No entanto, anos de estudo e de prática médica demonstraram que os cuidados paliativos são algo totalmente diferente.


O editorial do SIR acrescente que "adultos que se dizem sensatos decidem assim sobre a vida e a morte de pessoas às quais é impossível expressar seu desacordo. Hoje se fala de crianças com alguma deficiência grave; amanhã, poderão ser adolescentes com danos cerebrais; depois de amanhã, pessoas idosas com doenças degenerativas. Isso já não é um terreno escorregadio, mas um precipício!".


Na Bélgica, 10 anos após a lei que descriminalizou parcialmente a eutanásia, o senado examina, desde 12 de junho, uma proposta de lei para estender esta possibilidade aos menores que dispuserem de "capacidade de discernimento". Parece ter surgido uma maioria política a favor da proposta, apesar da oposição de dois partidos de inspiração cristã, membros da coalizão governamental.


Os bispos belgas, já opostos à de 2002, responderam com força a esta possível extensão. Considerados legalmente incapazes para certos atos, como comprar um imóvel, casar-se etc., os menores seriam de repente considerados maduros, aos olhos da lei, para causar a própria morte, "a decisão mais grave que poderia ser tomada com relação a eles"?, objeta o arcebispo André-Joseph Léonard.


Segundo uma enquete organizada por um grupo de jovens sobre a eutanásia em menores, à pergunta "Eutanásia: menor, mas livre para decidir?", houve 13% de "sim" contra 87% de "não".

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