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Os irmãos Grimm nos enganaram sobre o amor

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Juan Ávila Estrada - Aleteia Vaticano - publicado em 12/07/13

Entenda por que o amor é ao mesmo tempo o sentimento mais forte e mais frágil que existe

De todas as relações fortes que se estabelecem entre humanos, não existe nenhuma mais frágil que a relação de amor entre esposos. A presença inoportuna de alguns membros da família que intervêm nela e que opinam, a presença de certos amigos, que podem ser considerados mais importantes que a família, a perigosa chegada de uma terceira pessoa, que aparentemente oferece novidades ao tédio e à rotina, e até o nascimento de um filho fazem que, com muita probabilidade, você possa começar a chamar seu parceiro de "ex".

A família sempre opina, sempre diz saber o que é melhor para cada um e, com suas palavras e atitudes, leva a outra pessoa a não resistir mais e acabar afirmando: "Eu não me casei com os seus pais". A chegada de uma terceira pessoa sempre aparece como novidade, ela sempre parece mais bonita, com presença mais agradável e com a oferta de trazer mais "aventura" e adrenalina a uma relação que pode estar vivendo uma fase de monotonia.

A intervenção dos amigos, com o argumento de aliviar o peso da vida, pode acabar afastando os esposos, até o ponto de que cada domingo deixa de ser o dia da família para se tornar o dia dos amigos e do futebol. Mas também a chegada de um filho pode atrair toda a atenção dos pais, até chegarem a esquecer de si mesmos e dedicar ao recém-nascido um amor que deveria ser direcionado ao casal também.

Amar nunca foi tão fácil e é por isso que os cristãos acreditam que o amor verdadeiro é um dom de Deus e que, sendo Ele mesmo o Amor, então, só Ele pode nos ensinar a amar.

A inocente credulidade de pensar que o amor é instintivo e que, portanto, basta seguir os movimentos do coração, levou-nos a deixar por conta da natureza algo sublime e perfeito, que é este dom que Deus nos dá e pelo qual nossa vida adquire o maior dos sentidos.

Talvez o maior dano seja causado pela leitura contínua de contos como os dos irmãos Grimm, que sempre terminam suas histórias dizendo que "se casaram e viveram felizes para sempre". Seria preciso escrever a história depois do casamento, pois é aí que começa o autêntico caminho, a verdadeira luta para dar forma ao amor que se tem.

O amor esponsal é frágil e não podemos nos esquecer disso. E tem muitos inimigos. A paixão sexual não tem poder para manter duas pessoas unidas, não tem força suficiente para isso, é efêmera, alimenta-se dos sentidos e prontamente repousa seu olhar sobre outras pessoas. Se antes os pais se mantinham unidos pelo bem dos seus filhos, hoje isso não é obstáculo para romper qualquer casamento; os filhos também não conseguem manter nenhum casal unido.

Para amar, é importante ser como um agricultor: conhecer as estações, os sinais do céu, as épocas para semear e colher, e conhecer o estilo da planta que temos em casa, pois ela não é nem de sol pleno (que a queimaria) nem de sombra constante (que a faria murchar), mas precisa de espaços de sol e espaços de sombra. Isso é uma arte e nem todos estão preparados.

O que encontramos hoje? Maus agricultores que, no início do relacionamento, ficam expostos ao sol permanentemente, deixando que a paixão os consuma, que o ciúme os acompanhe, não querem se separar em nenhum momento, controlam seu tempo, seus amigos e seus espaços; mas, depois de alguns meses, submetem esta mesma planta à sombra total: descuido generalizado, falta de detalhes, poucas palavras, pouco diálogo, rotina e morte.

A tudo isso se une a escassa capacidade de perdoar, pois as pessoas se esquecem de que esta é uma exigência do amor, já que a perfeição humana não existe e todos nós erramos. Tais erros tornam necessário ser misericordiosos, ter paciência, ajudar-se mutuamente a crescer, a amadurecer. Quem não está disposto a perdoar, não deve se casar, pois fracassará e sairá correndo diante  do primeiro erro.

Amar é uma arte e só Deus é o professor, por meio de Jesus. É preciso olhar para Ele, aprender dele, para chegar a ter um amor semelhante ao seu.

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