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Ocidente desocidentado?

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Algumas reflexões sobre a dignidade humana, a defesa da vida e o relativismo

A cultura light de relativismo, permissividade, utilitarismo e falta de respeito pelo outro não pertencem à tradição cultural do Ocidente, segundo a cientista política Beatriz Eugenia Campillo Vélez, docente do Instituto de Humanismo Cristão da Universidade Pontifícia Bolivariana, em um artigo publicado no site da FIAMC (Federação Internacional de Associações Médicas Católicas).
 
Beatriz se refere às raízes da cultura ocidental: Grécia, Roma e o cristianismo. Em primeiro lugar, destaca, "dos gregos aprendemos o logos, entendido como o argumento, a razão, a palavra – ainda que não como oposição ao mythos –, que abre precisamente o diálogo, aquela aproximação de pontos contrários que não necessariamente pretendiam chegar a um consenso, mas que, seguindo o bom exemplo socrático, expunham as ideias a fim de aproximar-se da verdade, ainda que esta fosse bastante esquiva".
 
"Dos romanos, herdamos aquela ideia de que a melhor forma de organizar uma sociedade é mediante normas, principalmente jurídicas", continua.
 
Em terceiro lugar, sublinha a ideia do "próximo", própria do cristianismo, não tanto em um sentido religioso, mas especialmente em um sentido cultural; a mensagem revolucionária de Jesus, que propõe "amar o próximo como a si mesmo" dará lugar, mais adiante, à elaboração de discursos como o dos direitos humanos, já que só posso falar de dignidade humana quando concebo o outro como igual a mim; finalmente, é uma questão antropológica".
 
"Estes discursos se ancoram no Direito Natural – escreve a cientista política –, o que, por sua vez, faz que, partindo de uma ética de tradição latina, seja normal que falemos da verdade como uma busca do objetivo, da intensificação do bem (a virtude) e do mal (o vício); mas, sobretudo, que se fale da pessoa humana, alguém que, por sua dignidade, merece cuidado e respeito."
 
Com o passar dos séculos, tudo o que era propriamente ocidental sofreu um reducionismo na Modernidade. "O logos foi entendido como científico, como o conhecimento verdadeiro, em termos do que pode ser comprovado; então, começou a opor-se ao mythos, que, na Antiguidade, costumava acompanhá-lo como recurso."
 
"A Modernidade, sob paradigma do dualismo cartesiano, tentou ver a pessoa da ótica do método científico, esquecendo das suas múltiplas dimensões, do seu mistério, que não pode ser limitado ao que as ciências duras pretendem comprovar ou dizer, no sentido de medir, pesar, quantificar, porque somos muito mais que isso. Mas, quando o esquecemos, começamos a nos coisificar e abrimos a porta a correntes utilitaristas, que nos avaliam segundo nosso grau de utilidade ou não para os sistemas econômicos, e não levam em conta a nossa dignidade", explica.
 
"O Ocidente, de certa forma, foi renunciando à pergunta pela verdade e se conformou com aceitar o que a ciência e a técnica lhe ofereciam", prossegue, antes de citar a encíclica Lumen fidei, do Papa Francisco, que recorda que "na cultura contemporânea, tende-se muitas vezes a aceitar como verdade apenas a verdade tecnológica".
 
"Esta concepção acabou invadindo o mundo jurídico e complicou a defesa da vida – acrescenta. Como o Ocidente deixou de se perguntar pelo bem e pelo mal, da mesma maneira, o Direito deixou de se perguntar se as normas eram justas ou não; inclusive nublou a fronteira entre o Direito e o delito, e substituiu a pergunta simplesmente por: quem diz a norma? As discussões de hoje, particularmente aquelas que têm a ver com a vida humana, fecham-se assim que são citados argumentos de autoridade."
 
Para Beatriz, "no entanto, o ponto que gera maior incerteza é que inclusive a confiança na ciência se enfraqueceu, passando a ser servidora do poder, negando ou interpretando de maneira manipulada ou ideologizada o que a simples evidência mostra".
 
Como exemplos, propõe "as mudanças de linguagem utilizadas para ocultar a realidade: termos como "pré-embrião", "interrupção voluntária da gravidez", "morte digna", "direitos sexuais e reprodutivos" etc., que hoje não só estão nas legislações, mas também em livros de medicina, mesmo não sendo termos precisos, nem científicos e que violam a dignidade tanto do paciente que inicia sua vida (talvez ainda em um estado embrionário ou fetal), como de quem a está finalizando".
 
"Parece que o Ocidente, particularmente na pós-modernidade, renunciou a falar da verdade e da sua busca, e olha com receio quem se atreve a dizer que algo é bom ou mau de forma objetiva, mas esta não é realmente sua tradição original como cultura", afirma.
 
E acrescenta: "O pretexto é que estes discursos ficaram ligados aos totalitarismos do século XX, e assim justificamos o esquecimento da episteme grega e ficamos com a mera doxa, supostamente para mostrar-nos abertos e pluralistas, caindo em um profundo relativismo, que, no demais, é absolutista, por se impor a todos".
 
No entanto, "no Ocidente, a bioética personalista tenta fazer uma autêntica defesa da vida, enfrentando os relativismos, coloca a pessoa no centro e fala com uma linguagem clara, partindo daquilo que a própria ciência conheceu: o ser humano é pessoa desde o momento da concepção e sua vida deve ser protegida até a morte natural", destaca.
 
Para a especialista, "a defesa da vida humana empreendida pela bioética personalista tem então como missão fundamental recordar aqueles argumentos que são óbvios e simples, mas que às vezes são esquecidos… ou negados".
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