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A juventude e o convite ao amor em Bento e Francisco

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Aprender a amar implica em voltar-se aos sofredores e aos desamparados; o Papa Francisco tem mostrado isso com palavras e gestos que encantam o mundo

Vivemos um tempo paradoxal: nunca as pessoas tiveram tanta liberdade para amar e provavelmente nunca as pessoas tiveram tantas dúvidas sobre o amor. Boa parte da juventude parece não ter dúvidas ou inibições quanto à prática sexual, mas uma parcela igualmente grande parece cada vez mais cética e insegura com relação ao amor. Mas nem por isso o amor deixa de estar no centro das tramas do cinema, da televisão ou da literatura. Todos precisamos amar e ser amados, mesmo que não saibamos como fazer isso ou que até mesmo não acreditemos mais que isso seja possível.

 

O amor é algo natural ao ser humano, uma força presente em todos os seres humanos e que, portanto, não depende da religião para acontecer. Porém, a confusão e a insegurança com relação ao amor em nossa sociedade, cada vez mais secularizada e agnóstica, nos permite pensar que a experiência religiosa desempenha um papel fundamental na educação dos afetos. Um mundo que não reconhece a face de Deus parece também não saber reconhecer o amor verdadeiro.

 

Bento XVI percebeu claramente este drama do nosso tempo, quase onipresente, mas oculto por uma mentalidade niilista que faz com que a desesperança se confunda com realismo. Não é à toa que o amor é o tema de duas de suas três encíclicas – “Deus caritas est” (“Deus é amor”) e “Caritas in veritate” (“O amor na verdade”) – e que a palavra amor aparece 134 vezes nos 60 pontos da encíclica “Lumen fidei”, escrita “a quatro mãos” por Bento e Francisco. E quem acompanha as palavras do Papa Francisco verá que é raro o dia em que ele não fala explicitamente do amor – provavelmente o tema mais recorrente de seu magistério.

 

Por isso, durante a Jornada Mundial da Juventude, as palavras de Francisco com relação ao amor devem ser ouvidas e estudadas com especial atenção não só pelos jovens, mas por todos nós. Mas, se olharmos retrospectivamente, quais são os pontos centrais deste rico magistério destes papas com relação ao amor? Como ele interpela a nossa cultura atual?

 

Em primeiro lugar, o anúncio de que Deus é amor, que Ele nos ama de modo gratuito, por meio de Jesus Cristo se entregou por nós. Ao longo da história, a mensagem cristã foi banalizada e a desconcertante novidade desta afirmação muitas vezes passa despercebida. Numa sociedade que continuamente acusa a Igreja de moralista, o amor gratuito de Deus nos mostra que a verdadeira moral cristã não é uma imposição ou um comércio entre a pessoa e a divindade (cumprimos seus mandamentos e ganhamos a vida eterna). A moral cristã é antes de tudo gratidão e desejo de estar sempre perto Daquele que nos ama. Quantos homens e mulheres de boa vontade não veriam com outros olhos a Igreja se os cristãos dessem um testemunho preciso e explícito deste modo de viver a moral cristã…

 

Por que o amor de Deus é doação gratuita de si mesmo, também o amor humano só se realiza plenamente na doação de si ao outro. Bento XVI, na “Deus caritas est” descreve com clareza esta dinâmica do amor humano: começamos, justamente, querendo ter o outro – aquele cuja beleza, bondade ou modo de ser nos atrai. Mas este desejo de possuir o objeto do amor não nos satisfaz, quando parece que conseguimos “ter” o outro ainda nos resta uma incompletude, um desejo de mais. Para realizarmos plenamente nosso amor, prossegue o Papa, temos que nos doarmos à pessoa amada, assim como deus se doa por nós. E aqui talvez esteja a lição para nossa sociedade confusa e descrente no amor: ele só se realiza na doação, quem pensa o amor de modo individualista, egoísta, nunca conseguirá amar de verdade e acabará nem mesmo entendo o que é o amor.

 

Mas o amor-doação não pode ficar restrito ao amor romântico entre homem e mulher, aos laços familiares ou de amizade. O amor de Deus é infinito e o ser humano, feito á imagem de seu Criador, em seu impulso de querer estar perto de Deus, tende a amar sempre mais, a se doar sempre mais. O amor precisa sempre crescer para não morrer, para não ficar amortecido e insosso – como é o amor de tantas pessoas mais velhas, que parecem ter perdido todo o ímpeto afetivo da juventude! Por isso o cristão se sente chamado a amar a todos, voltando-se de modo particular aos que sofrem, aos mais pobres, aos desamparados.

 

Aprender a amar implica em voltar-se aos sofredores e aos desamparados. O Papa Francisco tem mostrado isso com palavras e gestos que encantam o mundo. Cabe a cada cristão transformar esta mensagem em testemunho vivo, para o seu bem e para o bem de toda a humanidade.

 
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