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A luta secreta dos santos Inácio e Afonso: a escrupulosidade

William Van Ornum - publicado em 29/07/13

Como ameaça secreta, o escrúpulo impede os cristãos de acreditarem realmente na misericórdia e graça de Deus. Mas há esperança!

Daqui a alguns dias, celebraremos Santo Inácio de Loyola (31 de julho) e Santo Afonso de Ligório (1º de agosto). Muitos não sabem disso, mas estes dois santos sofriam de formas graves de escrúpulo, uma variação do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Nos últimos 15 anos, esta doença tem sido cada vez mais reconhecida e estudada pelos psicólogos.


Santo Inácio sofreu muito com o escrúpulo. Ele temia estar cometendo uma blasfêmia se pisasse em algo semelhante a uma cruz. Sempre que um pensamento lascivo ou agressivo entrava em sua consciência, ele acreditava ter cometido um pecado mortal.


Da mesma forma, Santo Afonso experimentou escrúpulos que o mantinham em um estado constante de angústia e dúvida. Ele usou suas próprias batalhas internas para tornar-se compassivo com os outros. Curiosamente, as pessoas com TOC muitas vezes temem ser controladas por seus escrúpulos.


Santo Inácio enfatizou quão necessário era combater os escrúpulos pessoais – um dos principais princípios do moderno tratamento conhecido como terapia cognitivo-comportamental. O cardeal John O'Connor (entrevistado em meu livro, "A Thousand Frightening Fantasies") explicou isso da seguinte maneira:


"Santo Inácio tinha um princípio fundamental com o qual talvez você esteja familiarizado: 'Age quod agis' ('Faça o que você está fazendo'). Ele aconselhava estar plenamente presente no momento atual."


Como é a vida para quem sofre de escrúpulos ou de TOC? Algumas características sobre eles são: costumam esconder seus escrúpulos; preocupam-se seletivamente; as coisas que podem incomodar os outros passam por eles; números podem ser mágicos (ou seja, contar orações, verificar várias vezes o número de Ave-Marias no terço etc.); seus sentimentos os confundem; alguns recorrem ao álcool; a sexualidade os assusta; estão sempre preocupados; muitas vezes lavam ou verificam as coisas em excesso, ou certificam-se de que os objetos sejam colocados em uma determinada ordem. Podem sentir o perigo de um pecado mortal a qualquer momento.


Um homem observou: "Minha imagem de Deus é a de um Deus punitivo. Eu sinto que Ele observa cada movimento meu e espera que eu peque. Ele marca isso em um livro no céu. Não posso escapar da punição que eu sei que mereço".


Outro afirmou: "Quando vou à Missa, eu devo ser perfeito. Não deve haver nenhum defeito em minhas roupas. Eu me preocupo se o sacerdote ou diácono faz o seu trabalho direito. Será uma Missa válida? As orações finais me deixam preocupado. Tenho medo de que o padre esqueça de dizer: 'Vá em paz, a missa terminou', ou que diga estas palavras na ordem errada".


As terapias modernas incluem a terapia cognitivo-comportamental, um tratamento em que a pessoa enfrenta temores escrupulosos e os substitui por pensamentos saudáveis ​​sobre a espiritualidade.


A medicação também é utilizada em muitos casos; quando ela dá resultado, pode literalmente dar a algumas pessoas sua vida de volta. Um estudo indicou que a direção espiritual pode ser especialmente útil. O cardeal O'Connor sublinhou que é preciso encontrar o equilíbrio entre o tratamento psicológico e a vida espiritual:


"Como alguém com certa experiência em psicologia clínica, e psicologia combinada com mais de cinquenta anos de sacerdócio ativo, sou muito grato por aquilo que estas ciências oferecem, consciente de que nem a fé nem a teologia são um substituto adequado quando a psicologia ou a psiquiatria são essenciais. O inverso dessa obviedade, é claro, é igualmente importante."


Há um grupo de apoio para pessoas escrupulosas, patrocinado pelos padres redentoristas. Eles enviam boletins regulares, mediante pedido, e disponibilizam uma grande quantidade de informações na internet.


A pobreza econômica não é a única forma de ser pobre. Talvez pessoas que sofrem de escrúpulos ou TOC sejam abençoados, porque são "pobres de espírito". A comemoração de Santo Inácio e Santo Afonso nos lembram que os problemas emocionais não precisam manter as pessoas presas ou impedi-las de ajudar os outros.


Aprender mais sobre escrúpulo e transtorno obsessivo-compulsivo pode um dia ajudar você a ajudar alguém – uma forma verdadeiramente única de evangelização.

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