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Religião

Três pontos importantes sobre a viagem do Papa Francisco ao Brasil

Filipe Domingues - publicado em 13/08/13

Francisco foi quase sempre descrito como um homem inteligente, carismático, simpático, carinhoso, próximo ao povo e, acima de tudo, humilde

O pontificado do Papa Francisco pode ser dividido entre antes e depois da viagem ao Brasil. A viagem para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), entre 22 e 28 de julho, já é considerada o fato mais importante de seu pontificado até agora. Poderíamos analisar muitos aspectos dessa viagem: cada mensagem e cada discurso carregam um profundo conhecimento sobre o que é a Igreja e sobre os problemas da atualidade.

Porém, queremos destacar neste post apenas três pontos que consideramos essenciais nessa discussão. São três aspectos dessa viagem que, a nosso ver, não podem ser ignorados por ninguém que queira entender algo sobre a importância da visita do Papa ao Brasil. Dividimos em tópicos pra facilitar sua leitura.

1) Um marco para o pontificado – Em sua primeira “viagem apostólica”, o primeiro Papa latino-americano viajou para o maior país da América Latina. Coincidência ou Providência Divina, a viagem já havia sido marcada pelo seu predecessor, o agora Papa Emérito Bento XVI. Enquanto esteve no Brasil Francisco teve a oportunidade de falar para diversos grupos sociais: os jovens, as autoridades políticas, os padres e bispos, os pobres, as famílias, os idosos, os artistas, os dependentes químicos…

Mais do que isso, Francisco tratou de praticamente todos os temas que a Igreja pretende apresentar à sociedade, inclusive os polêmicos. Diversas vezes pediu uma “Igreja que caminha” com as pessoas; uma Igreja que é mãe e que “abrace” os seus filhos, especialmente os que sofrem mais, numa “cultura do encontro”; pediu que a Igreja vá às periferias do mundo e aos jovens, que deixem “Cristo e sua Palavra entraram” em suas vidas, sendo verdadeiros discípulos em missão. Disse que jovens, e idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. “Não se deixem descartar”, alertou.

Não deixou de responder a perguntas de jornalistas sobre os escândalos na Cúria Romana e no banco do Vaticano (IOR), disse que a ordenação de mulheres para o sacerdócio é um “assunto encerrado” e reiterou que seu posicionamento nas questões do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo da Igreja. “Sou filho da Igreja”, lembrou. Ganhou as manchetes dos jornais, porém, quando disse que “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la?”. Como disse o vaticanista John Allen Jr, Francisco é provavelmente “O Papa da Misericórdia”, pois essa é a mensagem principal que deseja transmitir.

Talvez um dos discursos mais contundentes, porém, tenha sido aquele que fez aos bispos representantes da América Latina e do Caribe, quando praticamente traçou uma espécie de “plano de governo”. Disse que na América Latina “estamos muito atrasados” e apontou todos os problemas da Igreja na região – mas ao mesmo tempo falando para o mundo inteiro. Criticou os padres e bispos “de sacristia” e pediu que a Igreja vá para as ruas. “Serve uma Igreja que, na sua noite, não tenha medo de sair.”

Foi no Brasil que Francisco disse ao mundo com todas as palavras a que veio. Desde sua eleição, embora ele já estivesse muito ativo e muito presente na mídia internacional, havia ainda muitas dúvidas sobre seu posicionamento, sobre seu entendimento a respeito dos problemas da Igreja, sobre o que planejava fazer em seu pontificado. As revelações vinham a conta-gotas em suas homilias diárias na Casa Santa Marta, onde mora, nas audiências públicas, nas orações do Angelus… Mas quando veio ao Brasil, Francisco falou claramente e não deixou mais dúvidas a respeito do que pensa sobre os mais diversos assuntos.

2) Uma mudança de tom e de estilo, mas não de conteúdo – Também foi no Brasil que Francisco esclareceu: veio para reformar muitas coisas, principalmente as estruturas e os comportamentos que estão errados. Mas também veio para manter e fortalecer outras coisas, como os ensinamentos da Igreja e (como bom jesuíta) seu espírito missionário. Embora ele seja nitidamente diferente de seu antecessor em vários aspectos, as mensagens dos dois estão em completa sintonia.

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