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Após 2000 anos, existam ainda povos que não conhecem Cristo e ainda não escutaram a sua mensagem de amor

A Igreja, em todos os seus componentes, deve estar ciente de que “os horizontes imensos da missão eclesial e a complexidade da situação presente requerem hoje modalidades renovadas para se poder comunicar eficazmente a Palavra de Deus”: palavras de Bento XVI na sua Exortação Apostólica “A Palavra do Senhor”. O anseio de anunciar o Evangelho nos deve levar a uma renovada adesão de fé pessoal e comunitária, em um momento em que o nosso mundo passa por profundas mudanças. Todos nós batizados somos chamados a comunicar o Evangelho dentro de nossas realidades, com coragem e afinco. E mais um convite neste sentido foi feito pelo Papa Francisco aos homens de boa vontade dispersos em todo o mundo, desta vez na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões, que será celebrado no próximo dia 20 de outubro. O texto da mensagem foi divulgado no início deste mês de agosto. 

 

Francisco chama mais uma vez a atenção de que “evangelizar nunca é um ato isolado”, mas sempre eclesial; isso significa que devemos sair das nossas casas, ruas, comunidades e ir além do mundo que “é nosso”, para além daqueles limites de cercas e chegar a novas realidades, inclusive nas periferias. Esse sair não é só espiritual, mas também material, físico. Ir ao encontro do outro, tocando novas realidades. É ali que partilhamos a nossa fé, é ali, com o outro, que nós partilhamos e fazemos crescer esse dom precioso de Deus. Portanto, cada comunidade é interpelada a anunciar Jesus até os extremos confins da terra como “um aspecto essencial” da vida cristã. Todos “somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando nossa fé em Cristo”.

 

O Dia Mundial das Missões, que neste ano celebramos no dia 20 de outubro foi uma criação do Papa Pio XI, que muitos chamam de “Papa missionário”, por causa do seu ardor missionário. De fato, foi ele que impulsionou a criação de novas missões e ordenou os primeiros bispos indianos, era o ano de 1923, e os primeiros bispos chineses, 1926. 

 

A grande intuição de Pio XI em 1926 dá a oportunidade de fazer sentir a vocação missionária da Igreja, fazendo com que os seus membros se abram à universalidade que é própria da Igreja, sem particularismos e exclusivismo. É um viver juntos, fraternalmente e sem fronteiras, a alegria de ser filhos de Deus. “Toda comunidade é adulta” – escreveu Papa Francisco na sua mensagem deste ano – quando professa a fé, a celebra com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus.

 

Temos ainda muito a celebrar neste ano, dedicado à Fé e aos 50 anos do início do Concílio Vaticano II; são momentos que impelem a Igreja a “uma renovada consciência da sua presença no mundo de hoje, da sua missão entre os povos e as nações”. O Papa Francisco afirma ainda que devemos ajudar os homens do nosso tempo a encontrar Jesus, e por isso muitas vezes a obra de evangelização encontra obstáculos não apenas externamente, mas dentro da própria comunidade eclesial.

 

E escreve: “por vezes ainda se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade”, quando, ao invés, levar a verdade evangélica “é uma homenagem a essa liberdade”.

 

Muitas vezes, “vemos que são a violência, a mentira e o erro a serem ressaltados”, então é “urgente fazer resplendecer em nosso tempo a vida boa do Evangelho com o anúncio e o testemunho, e isso deve ser feito dentro da própria Igreja”.

 

O Papa detém-se sobre os muitos desafios da evangelização e encoraja todos a levar ao homem do nosso tempo “a luz segura que ilumina o seu caminho e que somente o encontro com Cristo pode dar”.

 

Na parte conclusiva da Mensagem, Francisco recorda aqueles que se fazem portadores da Boa Nova, dos missionários aos presbíteros “fidei donum”, aos fiéis leigos que deixam a própria pátria para servir ao Evangelho em terras e culturas diferentes.

 

Também no mês de outubro, no Brasil, além do Dia Mundial das Missões temos a Campanha Missionária, orientada à sensibilização para o problema missionário, mas também para a coleta de fundos. A mesma constitui um momento importante na vida da Igreja, porque ensina a partilhar.

 

O anseio de anunciar o Evangelho deve impelir a todos os sinais dos novos tempos para neles vislumbrarmos os problemas, as aspirações e as esperanças da humanidade. Não podemos permanecer tranquilos ao pensamento de que, após 2000 anos, existam ainda povos que não conhecem Cristo e ainda não escutaram a sua mensagem de amor.

 

Sua Mensagem é sempre atual, pois penetra o coração do homem e da história e é capaz de dar respostas às inquietações mais profundas de cada um. Sua Mensagem é Mensagem de ontem, de hoje, de sempre.

 

(Originalmente publicado no Portal Ecclesia, no dia 15 de agosto de 2013)

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