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Egito: violência assusta e ameaça cristãos

MAHMUD HAMS

Fundação AIS - publicado em 20/08/13

Depois da queda do presidente Mohamed Mursi, os cristãos do Egito mostram preocupações, mas não perdem a esperança em relação ao futuro

"Os islamitas estão se vingando de nós, cristãos". Estas foram as palavras usadas pelo Bispo católico copto de Asiut, Kyrillos William Samaan, em entrevista à Associação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), na última segunda-feira sobre os recentes ataques contra cristãos e instituições cristãs no Egito.

O prelado se referiu, entre outras coisas, aos fatos ocorridos nas cidades de Suhag, Fayum e Beni Suef, assim como na península do Sinai, onde islamitas atacaram igrejas e ameaçaram os cristãos. Nos incidentes houve também fatalidades.

Em Suhag, extremistas islâmicos levantaram o que parecia ser a bandeira negra do grupo terrorista Al-Qaeda em uma igreja cristã. O chefe do grupo terrorista Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, tinha acusado os cristãos de serem — junto com os militares e forças do regime do ex-presidente Mubarak — os responsáveis pela queda do mandatário islâmico, Muhammad Mursi, ocorrida no dia 3 de julho deste ano.

“Obviamente isto é absurdo – afirma Dom Kyrillos – 33 milhões de egípcios exigiram seu impeachment. Os cristãos não são os únicos a se manifestar contra Mursi”, declarou. Embora se mostre preocupado pela situação atual da segurança, o bispo não recrimina as forças da lei que vêm atuando contra os manifestantes na cidade do Cairo, capital do Egito: “a polícia e outros órgãos públicos estão agora totalmente ocupados mantendo os islamitas sob controle”.

Não obstante, o Bispo sublinhou que, depois da queda do presidente Mursi, afiliado à Irmandade Muçulmana (um dos grupos mais engajados no projeto de instaurar leis islâmicas no Egito), o ambiente mudou substancialmente para os cristãos do Egito.

“Nos sentimos novamente em casa no Egito”, explicou o bispo Kyrillos à AIS, e sublinhou que agora também publicitários não cristãos reforçam que os cristãos não devem pagar o preço da democratização. Como um sinal positivo, o Bispo se referiu ainda que muçulmanos moderados defenderam as igrejas cristãs contra os radicais islamitas que queriam sua destruição.

“Este é o verdadeiro Egito: cristãos e muçulmanos unidos”, declarou o prelado copto. O mesmo comentou que a mensagem deste ano do Papa Francisco por ocasião do final do mês de jejum islâmico, o Ramadã, foi acolhida muito positivamente.

Pela primeira vez, o Papa se dirigiu pessoalmente aos muçulmanos de todo o mundo pela ocasião. Nos anos precedentes era o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso que publicava um documento a pedido do Papa.

O Bispo criticou os membros da Irmandade Muçulmana que não aceitaram as ofertas de reconciliação do novo Governo. “O problema é que estes continuam querendo um Estado islâmico; mas a maioria dos egípcios prefere que isto não aconteça: eles querem um Estado liberal”, diz Dom Kyrillos, que, por isso, se mostrou otimista em relação à futura Constituição do Egito.

Em breve, um comitê composto de 50 pessoas reformará a Constituição elaborada pelo ex-presidente, Mursi, e aceita através de um referendo. Representantes dos cristãos do Egito também colaborarão nesta reforma. “Todas as forças sociais terão parte. Estou esperançoso de que Estado e religião sejam separados, pois sua mistura é fonte de muitos males”.

No dia 12, o Patriarca ortodoxo copto Tawadros II, líder da Igreja do Egito, também fez um chamado a evitar que continue o derramamento de sangue por causa das tensões com base nas distintas crenças religiosas. Segundo meios de informação, o Patriarca interrompeu suas audiências semanais na catedral do Cairo por temor a possíveis atentados.

Antes, 16 grupos egípcios defensores dos Direitos humanos acusaram os islamitas de instigar sentimentos anticristãos entre os manifestantes no Egito desde o dia 30 de junho, data em que tiveram início os protestos em massa contra Mohamed Mursi. Ao mesmo tempo criticou o Estado por não ter feito o suficiente para proteger os cristãos e as instituições cristãs no país.

(Originalmente publicado em AIS Brasil, no dia 19 de agosto de 2013)

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