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Feliz, aquela que acreditou!

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Cardeal Odilo Scherer - Arquidiocese de São Paulo - publicado em 21/08/13

Nós damos a Maria o reconhecimento que ela merece e a honramos como a Mãe do Salvador; ela foi dada como mãe também a nós, no alto da cruz

A celebração da Assunção de Nossa Senhora ao céu, no Ano da Fé, mostra-nos a Mãe de Jesus e da Igreja como a mulher de fé, que alcançou plenamente o prêmio da fé.

Unida estreitamente a Deus pela fé, durante esta vida, ela se entregou inteiramente ao seu desígnio: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E sua vida esteve intimamente unida, pela fé, ao Filho de Deus, que por meio dela nasceu para este mundo, como nosso Salvador.

Da anunciação do Anjo Gabriel até à morte de Jesus na cruz, ela o acompanhou e fez um caminho de fé, que não esteve isento de cruzes e “espadas” de dor. Maria creu firmemente e, por isso, foi louvada por Isabel sua prima: “Feliz és tu, que acreditaste que se cumpriria o que da parte do Senhor foi dito” (cf. Lc 1,48).

Maria crê e agrada a Deus: “Encontraste graça diante de Deus”, disse-lhe o anjo (cf. Lc 1,30). Sem a fé, é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11,6). E ela ensina o que deve ser feito para agradar a Deus: “Fazei tudo o que ele vos disser” (cf. Jo 25).

Maria crê e reconhece as maravilhas que Deus realiza nela e, por meio dela, em favor de toda a humanidade: “A minha alma engrandece o Senhor, porque fez grandes coisas em mim o Onipotente, seu nome é santo!” (cf. Lc 1,47). A fé salva e faz alcançar a plenitude da vida, por obra e graça de Deus.

Olhar para Maria, elevada ao céu, nos faz pensar que vale muito a pena crer em Deus, com firmeza e confiança. A fé faz alcançar a vida plena. Fé, neste caso, significa adesão e sintonia plena com Deus e seu desígnio de salvação. Fé não pode ser apenas a aceitação de algumas “verdades”, mas é a aceitação de Deus mesmo!

Olhando para Maria, elevada ao céu em corpo e alma, nos alegramos, pois já vemos realizado nela aquilo que para nós ainda é promessa divina; ela nos dá a certeza de que nossa aspiração à vida plena e nossa esperança não são sonhos vãos. Deus promete e cumpre! Olhando para Maria, assunta ao céu, a Igreja se alegra, pois já vê antecipado nela aquilo que é a meta da peregrinação de toda comunidade eclesial nesta vida: a casa do Pai, a vida eterna.

Maria, glorificada no céu em corpo e alma, é sinal de esperança segura para todos nós. Fé e esperança estão sempre entrelaçadas; a esperança decorre de uma fé firme, como foi a de Maria, “peregrina na fé e na esperança”. É interessante como o papa Francisco, no Ano da Fé, convida constantemente à esperança e o faz com três apelos diversos: não percam a esperança; não deixem que lhes tirem a esperança; não roubem a esperança dos outros…

Recentemente, apareceu num grande jornal da cidade um artigo, em que o autor expressava a opinião que “Maria divide os cristãos”. Trazia as já conhecidas alegações de que nós, católicos, colocamos Maria no lugar de Jesus e de Deus. Não é isso que nós fazemos; nem é verdade que Maria seja causa de divisão entre os irmãos de Jesus; ela os convida a estarem estreitamente unidos em Cristo. Pode a mãe dividir os filhos? Só por algum grande e infeliz mal-entendido!

Nós damos a Maria o reconhecimento que ela merece e a honramos como a Mãe do Salvador; ela foi dada como mãe também a nós, no alto da cruz, quando Jesus entregava a vida pela salvação da humanidade. Não tenhamos, pois, medo de gostar daquela, que agradou ao próprio Deus. E ela nos dirá, sempre de novo: “Fazei tudo o que o Senhor vos disser”.

(Publicado em O SÃO PAULO, edição de 20 de agosto de 2013)

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