Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 30 Outubro |
Santo Angelo de Acri
home iconAtualidade
line break icon

O renascer da esquerda

Marcelo López Cambronero - publicado em 03/09/13

Recuperar a luta pela igualdade, pela justiça e pela fraternidade exigirá um esforço titânico, que deve ir além da razão secular e do materialismo

As correntes de pensamento político se relacionam com a história, como organismos vivos que se adaptam ao seu ambiente para sobreviver. Nascem em um momento concreto, como resposta aos problemas de uma época, e o fazem cheirando a recém-nascidos, acolhendo esperanças e abrindo horizontes. Pouco a pouco, começam a reconhecer as mudanças de circunstâncias, tendo de adaptar-se, sofrendo mutações, reconstruções e, em suma, evoluindo para manter-se à altura do seu tempo e não ser sepultados no esquecimento.

Nesta evolução, é inevitável que esse vulcão de promessas milagrosamente ajustadas aos anseios de um povo vá se cristalizando e, no final, quando, em sua velhice, já sabe que não lhe é possível suportar mais mudanças, acaba, na prática, sendo conservador, reacionário, um remorso do qual nem sempre é fácil livrar-se.

O marxismo não ficou à margem desta lei que governa a evolução do pensamento político. Quando surgiu dentro do panorama internacional da segunda metade do século XIX, as análises, críticas e propostas de Karl Marx e Friedrich Engels se tornaram a vanguarda do progresso, ao mesmo tempo em que abriam o caminho rumo a um mundo melhor. O marxismo unia o espírito científico mais sério da sua época ao romantismo que, já desde jovem, havia acompanhado as primeiras poesias do seu fundador.

Falava de leis econômicas que se cumpriam fatalmente ao longo da história e que levavam, passando por mil formas execráveis de escravidão, ao fim da exploração do homem pelo homem, à libertação do trabalho, à fraternidade universal e à paz perpétua. Um paraíso na terra, construído a partir da ciência e da inteligência política.

No entanto, depois de uma saga interminável de desventuras, o discurso marxista, pacificado, domado e feito pragmático pelos sociais-democratas e pelos sociais-comunistas, é hoje um pensamento que, no máximo, enfeita sem eficácia os escritórios dos funcionários de partido, convertendo-se em um apêndice do capitalismo, ao qual acolhe e protege como uma governanta que o amava intensamente, ao mesmo tempo em que, de vez em quando, o repreende, franzindo a testa.

O marxismo, não como viu a luz em sua origem, mas como se apresenta nas estruturas de partido que hoje nos dominam, é um pensamento de direita, conservador e burguês, do qual não podemos esperar nenhuma novidade. Talvez um ou outro trabalho malfeito para conservar o status quo. A proposta política mais inteligente e fresca da história se tornou parte intrínseca do sistema imperante e, com ele, caminha em direção ao precipício, até desaparecer da nossa vista e, assim, deixar de afetar nossa mente pós-moderna, que deve limpar o jardim de ervas daninhas e resíduos indesejáveis se quiser ver florescer sementes de universos mais humanos.

A esquerda desapareceu dos nossos arcos parlamentares, também nos países latino-americanos, nos quais alguns querem levantar novamente sua bandeira – mas lhes resta apenas o mastro, com o qual partirão a cabeça de quem se opuser. Não nos deixemos enganar pela parafernália propagandista, cada vez mais indigesta. A esquerda morreu e é tarefa nossa, a da geração que vai assumindo pouco a pouco as rédeas da sociedade, renová-la, revivê-la e desenvolvê-la. Esta é uma exigência da liberdade, da igualdade, da fraternidade, da justiça e, sobretudo, da fome. Acima de tudo, levem em consideração a fome.

"O East End de Londres é um pântano cada vez mais extenso de miséria e desespero", escrevia Engels em sua obra "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra" (1845). De fato, todas as cidades industrializadas da segunda metade do século XIX mostravam o mesmo aspecto lamentável: massas de trabalhadores transformados em indigentes que cumpriam longas jornadas, assim como suas mulheres e filhos, para obter um salário que só garantia o nível mais básico de subsistência. Os outros filhos, os menores, eram frequentemente drogados para que aguentassem na cama até a chegada dos seus famintos pais. Como se chegou a uma situação assim?

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
Política
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
OLD WOMAN, WRITING
Cerith Gardiner
A carta de uma irlandesa de 107 anos sobre co...
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
Reportagem local
Corpo incorrupto de Santa Bernadette: o que o...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia