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O renascer da esquerda

Marcelo López Cambronero - publicado em 03/09/13


A revolução industrial foi a maior virada na situação do ser humano sobre a terra desde o Neolítico. O homem deixou, pouco a pouco, de depender da sua capacidade de adaptação ao meio. Dessa maneira, ocorreu um evento de consequências cósmicas: um animal deixou de evoluir, ao livrar-se da lei da adaptação ao ambiente, e começou, com o uso da sua razão, a tornar o mundo mais humano, ou seja, a obrigar o meio a evoluir para adequar-se às suas necessidades e desejos.

Este foi precisamente o processo que a revolução industrial veio interromper. Ela provocou que muitos camponeses, que antes eram donos das suas terras, do seu tempo e, portanto, das suas vidas, fossem arrastados pela fome aos subúrbios das grandes cidades, onde se amontoaram em bairros empobrecidos. Ao chegar, encontraram um modelo social, uma forma de vida organizada e estabelecida segundo um novo deus olímpico – o mercado –, ao qual era preciso adaptar-se ou morrer. Eles não podiam fazer nada para mudar ou dominar o poder despótico do mercado, que lhes exigia o sacrifício da vida, da prole, da sua existência inteira. Evoluir ou morrer. Tal foi o grau de alienação que o capitalismo em expansão havia trazido.

Este foi o primeiro resultado social da vitória política do pensamento moderno, apontada pelo liberalismo como corrente predominante. Era uma posição que santificava – e santifica – a criminalidade social, afirmando que o melhor caminho para chegar ao maior lucro econômico em termos absolutos era que cada um buscasse o próprio interesse. Quem ajudava o próximo somente pelo valor intrínseco da sua vida, porque vale o sangue de Cristo, era um "anti-sistema". O interesse pessoal, o implacável egoísmo, eram elevados aos altares como princípios científicos sobre o quais se construía um renovado saber, o primeiro saber que deveria governar acima de qualquer outra ciência: a economia.

Nestas circunstâncias, o marxismo se tornou a alavanca política mais importante que nenhuma mente humana jamais chegaria a imaginar. Marx e Engels descreveram, com habilidade e critério, toda a brutalidade do capitalismo; elaboraram o primeiro grande projeto de libertação política do homem, que substituiria todo modelo de libertação religiosa. Dos escritos desses homens nasceu um verdadeiro pensamento de esquerda, ou seja, amante da igualdade, da liberdade, da justiça, repleto de uma esperança anunciada como capaz de ganhar o futuro.

É verdade, e não podemos negar, que a ciência na qual Marx e Engels alicerçaram seu projeto era muito dependente da sua época e, sobretudo, bebia das mesmas fontes do seu adversário, o capitalismo. Eram ramos de uma mesma genealogia, que acabaram compartilhando os traços da idiossincrasia familiar. Na verdade, Marx também acreditava que o egoísmo era o motor da história, uma potência capaz de moldar o desenvolvimento das sociedades, que não eram mais que o resultado do conflito permanente entre duas classes: a dos proprietários dos meios de produção e a dos que não ostentavam essa propriedade e se viam obrigados a depender dos primeiros.

Esta era a tensão suportada pelos oprimidos, escravos, servos, proletários; e dessa tensão era preciso libertar-se, levando-a ao extremo, isto é, fazendo que os mais miseráveis vencessem a guerra contra a burguesia, inevitavelmente à custa de um banho de sangue. O futuro imaginado – o fim da exploração, a liberdade – exigia o sacrifício de pelo menos uma geração. Marx acreditava firmemente que levar o egoísmo até a sua apoteose era a maneira mais eficaz de nos livrarmos dele.

O outro aspecto fundamental, talvez o mais importante, em que o liberalismo e o

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