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O Renault 4 do Papa: uma história de caridade de 300.000 km

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Famiglia Cristiana - publicado em 10/09/13

O Papa Francisco ganhou de presente o carro que pertencia ao Pe. Renzo Zocca, sacerdote da periferia, fundador da cooperativa Ancora

No último sábado, antes da vigília de oração pela paz na Síria, o Papa Francisco se encontrou com um grupo de 50 fiéis da diocese de Verona, acompanhados pelo Pe. Renzo Zocca, que deu de presente ao Pontífice seu Renault 4 branco, um modelo de 1984.

O Pe. Renzo, que fará 70 anos em novembro, dedicou sua vida sacerdotal à periferia, fundando a cooperativa Ancora, que oferece emprego e assistência a muita gente. "A sua periferia – lê-se em Famiglia Cristiana – foi o bairro operário Saval, em Verona, do qual foi pároco na década de 80. Um bairro pobre que não tinha nada, mas que foi ressurgindo aos poucos. Ele chegou lá aos 35 anos, levando seu irmão de 14, que tinha ficado órfão e de quem o sacerdote tinha de cuidar."

"Começou com a igreja – continua a revista –, um galpão com um altar; depois vieram os centros para pessoas com deficiência, para os pobres e para os idosos. O Pe. Renzo lutava contra o tráfico de drogas, que devastava seus jovens, e por isso era ameaçado de morte. Chegou a ser esfaqueado, mas seguiu adiante."

"Eu queria encarnar o Concílio nessa paróquia da periferia, que foi o centro da minha vida; passei 25 anos nela. Meu irmão e eu morávamos em um apartamento popular no nono andar, e eu costumava dizer, brincando, que a minha era a casa canônica mais alta da Itália", comenta o sacerdote.

Com o carro, o Pe. Renzo percorreu 300.000 km da Itália, entre escolas rurais, oratórios de verão, centros de acolhimento, Val D'Aosta, as Dolomitas e Roma.

O Pe. Renzo escreveu uma carta ao Papa Francisco; 25 dias depois, o telefone tocou: "Aqui quem fala é o Papa Francisco". O Pontífice aceitou o carro como presente e eles combinaram de se encontrar no dia 7 de setembro.

"Quando nos encontramos, em frente à Casa Santa Marta, junto a esse Renault 4 branco, eu estava acompanhado de 50 paroquianos. O Papa saiu de Santa Marta e nos abraçamos fortemente, durante um minuto interminável", narra o padre.

E continua: "Antes da audiência privada, que aconteceria em uma sala junto à Sala Nerbi, comentei-lhe que eu me sentia mal pelos 50 paroquianos que ficariam do lado de fora. Ele respondeu: 'Então vamos'. Entramos 4 no carro: eu dirigia, ele ia do meu lado, atrás estava o mecânico Stefano e meu assistente Luigi".

"Stefano me disse: 'Vá devagar, estamos no Vaticano!'. E fomos a 30 km por hora. Não consigo descrever a emoção dos paroquianos, que viram o carro chegar e o Papa descer dele!"

Depois deste encontro, os 4 entraram novamente no carro para voltar à sala de audiências privadas. "Antes de despedir-me, ele me disse: 'Escreva-me novamente'. Eu lhe entreguei as chaves do carro e ele se sentou ao volante. Contou-me que também tinha tido um R4 e que seu carro nunca o deixou na mão".

"E eu o vi indo embora nesse carro, como se fosse a coisa mais natural do mundo", concluiu.

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